“Em 1º de janeiro do próximo ano, a Santa Casa de Misericórdia comemorará o primeiro centenário do seu hospital, que tem prestado e continua a prestar relevantes serviços aos enfermos pobres desta capital e do interior do Estado. A passagem de tão importante acontecimento vai ser condignamente comemorada por aquela irmandade, a qual, em várias sessões, já tem tratado do assunto. Deseja ela assinalá-lo com a realização de vários melhoramentos em seus diversos departamentos, sendo que um deles constará da remodelação da fachada principal, dando outro aspecto à parte externa do hospital da Santa Casa. Resolvida a realização desta obra, a irmandade deu poderes ao irmão benemérito dr. Viterbo de Carvalho, para apresentar um projeto, executado pelo dr. R. Kratie, engenheiro e professor da Escola de Engenharia, que, no desempenho de sua missão, se houve com grande proficiência, apresentando um projeto que remodela a atual fachada em estilo colonial, sendo, pois, de belo efeito a entrada principal. A atual escadaria desaparecerá, dando, assim, mais espaço à calçada fronteira ao hospital, cujo acesso passará a ser feito por uma escada semicurva. Espera-se, agora, o regresso, do Rio de Janeiro, do dr. Aurélio Py, provedor, a fim de se resolver sobre o início.”
A primeira enfermaria da Santa Casa foi inaugurada no dia 1º de janeiro de 1826. O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire visitou em 1820 as obras do hospital em sua primeira passagem pelo Rio Grande do Sul e teceu elogios à nova instituição: “Fora da cidade, sobre um dos pontos mais elevados da colina onde ela se acha construída, iniciou-se a construção de um hospital, cujas proporções são tão grandes, que provavelmente não seja terminado tão cedo; mas a sua posição foi escolhida com rara felicidade, porque é bem arejado, bastante afastado da cidade, para evitar contágios; ao mesmo tempo, muito próprio para que os doentes fiquem ao alcance do socorro de qualquer espécie.”
Mercado em pânico
“A falta de borracha nos mercados mundiais está tomando proporções de pânico. O seu preço, nesta capital, que é normalmente de um shilling e seis pences por libra esterlina, chegou hoje a três shillings e nove pences, que é a maior cotação desde 1916. Comentava-se recentemente que o aumento do preço da borracha, desde que se iniciou a política de limitação da produção, seria quase suficiente para pagar as prestações correntes da dívida de guerra britânica para com a América do Norte. Os compradores americanos, que consomem toda a produção, ameaçam desenvolver as plantações nas Filipinas e em outras regiões, a fim de quebrar o controle britânico nos mercados. Os plantadores ingleses, porém, afirmam que não temem essa ameaça, porque a árvore da borracha exige seis anos para produzir, o que lhes dá tempo suficiente para a defesa dos seus interesses.”
Duelo frustrado
“Sobre o assunto do telegrama do Rio, que abaixo publicamos, relativo a um duelo frustrado entre o general Isidoro Dias Lopes e o coronel João Francisco, os nossos colegas do ‘Correio do Sul’, de Bagé, publicam a seguinte notícia: ‘Por carta que recebemos ontem, do Paraguai, estamos informados que o brioso militar e heroico chefe revolucionário sr. general Isidoro Dias Lopes acaba de desafiar para um duelo de morte ao também bravo guerreiro rebelde sr. general João Francisco Pereira e Souza. Como se sabe, tanto o sr. general Isidoro como o sr. general João Francisco foram os principais promotores do movimento sedicioso operado no Estado de São Paulo [em julho de 1924], tendo cabido ao primeiro daqueles a chefia da revolução. Há pouco apareceu na imprensa platina uma carta do sr. general João Francisco, a propósito da atuação do sr. general Isidoro no movimento aludido, carta essa que ofendeu os melindres do chefe da revolução, já pela aspereza dos seus termos, já por afirmativas e conceitos que se não ajustavam aos sentimentos e lisura de atitudes do ofendido. Foi, naturalmente, em virtude dessa carta que o sr. general Isidoro mandou desafiar o seu ex-companheiro de armas para o mencionado lance de honra. Este, felizmente, não foi aceito, por motivos que o nosso informante deixou de mencionar.’”
“A ‘Gazeta de Notícias’ e ‘O Paiz’ publicam telegramas de Buenos Aires e de Montevidéu, dizendo que o general Isidoro Dias Lopes desafiou o coronel João Francisco para um duelo, motivado por uma recente carta publicada por este último. Segundo os mesmos despachos, o coronel João Francisco teria recusado bater-se, pedindo, entretanto, que fosse instituído um tribunal de honra. Acrescenta ainda que o general Isidoro teria aceito o tribunal, mas insistia na realização do duelo, por se sentir ofendido pessoalmente. Por seu lado, ao que se diz, o general Isidoro teria feito acusações de desonestidade ao coronel João Francisco.’
Imigração austríaca e russa
“O dr. Anton Retacheck, ministro austríaco que atualmente se encontra nesta capital, tem feito várias visitas, devendo seguir para o interior do Estado, visitar as grandes propriedades agrícolas. Após, s. s. seguirá para Curitiba, com idêntico fim.”
“O ministro austríaco, sr. Retacheck, embarcará amanhã para os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande. Declarou ele ao nosso correspondente em S. Paulo que veio tratar da colocação de imigrantes austríacos, pois o sul do Brasil é, naturalmente, o indicado para recebê-los. A Áustria conta atualmente com meio ou um milhão de pessoas em situação precária. Necessário é, pois, encaminhá-los para a lavoura nos países novos. Depois da guerra, o Brasil tornou-se o país preferido para a imigração austríaca, por todos os motivos, inclusive o da vantagem econômica.”
“Chegaram hoje, procedentes do Rio de Janeiro, pelo noturno de luxo, os membros da missão Nansen, anexa à Liga das Nações, que vem tratar da colocação no Brasil de russos, antigos burgueses, recusados pelo soviet, por inadaptáveis ao atual regime da Rússia. Esses homens serviram nos exércitos do general Wrangel e também sob as ordens de Denikin, contra a nova instituição implantada em seu país. Depois do fracasso sofrido, tais homens ficaram espalhados pela Europa, como população flutuante. Só em Paris existem cerca de cem mil, e quase todos trazem títulos da antiga nobreza decaída. A missão Nansen é chefiada pelo sr. Velez, conhecido sociólogo belga, que é acompanhado pelo dr. Delgado da Carvalho. Acredita-se que nada será conseguido aqui, porque em S. Paulo são bastante conhecidos tais russos, dos quais alguns milhares aqui estiveram, dando muito trabalho ao governo, que os reenviou à Europa, pois, alegando títulos de nobreza, além da manifesta incompetência, recusaram trabalho nas fazendas, aumentando assim a população das cidades. Acredita-se que o governo sensato do sr. Carlos de Campos não reincidirá no erro do seu antecessor, que tantas despesas trouxe ao erário, assim como tantas críticas acerbas provocou há três ou quatro anos.”
“A empresa da Light pediu dez mil russos, necessários para empregá-los em suas indústrias.”
O dia 12 de julho na história
- 100 a.C. Nasce em Roma o general e estadista Júlio César, ditador da República Romana.
- 1817 Nasce em Concord o naturalista, escritor, poeta e filósofo americano Henry David Thoreau, autor do ensaio “Desobediência Civil”.
- 1904 Nasce em Parral o poeta e diplomata chileno Pablo Neruda.
- 1917 Greve geral de cerca de 100 mil trabalhadores paralisa fábricas e o transporte em São Paulo.
- 1948 O primeiro-ministro israelense David Ben-Gurion ordena a expulsão de palestinos das cidades de Lod e Ramla.
- 1961 Duas represas falham e a cidade indiana de Pune é alagada, matando ao menos duas mil pessoas.
- 1973 Nasce em Bolonha o ex-jogador italiano Christian Vieri.
- 1975 O país insular africano de São Tomé e Príncipe declara independência de Portugal.
- 1979 O país insular micronésio de Kiribati, no Pacífico, obtém a independência da Grã-Bretanha.
- 1980 Pelé é eleito “atleta do século” em votação com jornalistas das 20 maiores publicações esportivas do mundo.
- 1990 Morre em Roma o jornalista e técnico João Saldanha, treinador da Seleção entre 1969 e 1970.
- 1998 O Brasil perde por 3 a 0 para a França na final da Copa do Mundo em Paris.
- 2000 Nasce em São Gonçalo o jogador Vinícius Júnior.
- 2006 Começa a Guerra do Líbano entre Israel e o grupo Hezbollah.
O dia 13 de julho na história
- 1793 O jornalista revolucionário e líder jacobino Jean-Paul Marat é assassinado na banheira pela girondina Charlotte Corday durante a Revolução Francesa.
- 1878 O Tratado de Berlim é assinado após a derrota otomana na Guerra Russo-Turca: Sérvia, Montenegro e Romênia se tornam completamente independentes do Império Otomano.
- 1894 Nasce em Odessa o escritor, jornalista, dramaturgo e tradutor russo Isaac Babel.
- 1930 Começa no Uruguai a primeira Copa do Mundo de futebol: a França vence o México por 4 a 1 em Montevidéu.
- 1954 Morre na Cidade do México a artista mexicana Frida Kahlo.
- 1973 A banda britânica Queen lança seu álbum de estreia autointitulado.
- 1977 A Somália declara guerra à Etiópia, iniciando a Guerra de Ogaden.
- 1977 Blackout de 24 horas provoca protestos, incêndios e saques generalizados em Nova Iorque.
- 1985 O show beneficiente Live Aid acontece simultaneamente em Londres e na Filadélfia com o objetivo de arrecadar fundos para o combate à fome na Etiópia.
- 1990 43 montanhistas morrem no Pico Lênin, entre o Tajiquistão e o Quirguistão, após terremoto desencadear avalanche.
- 2014 A Alemanha derrota a Argentina por 1 a 0 no Maracanã e conquista sua quarta Copa do Mundo.
- 2024 O ex-presidente americano e candidato Donald Trump é ferido em tentativa de assassinato durante comício em Butler, Pensilvânia.
* O jornal não circulou na segunda-feira, dia 13 de julho de 1925
** A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
