“Essas belas duas obras, mas em completa ruína, a que nos queremos referir, são os faróis de Cidreira e de Torres. À primeira tempestade que se desencadeie no horizonte, ser-lhes-á difícil resistir. O desmoronamento está previsto e, mais que isso, esperado de momento a momento. A situação material de um é a do outro. Pouca diferença fazem! Quase imprestáveis as suas escadarias internas; quebrada uma grande parte de seus vidros; o gradil externo da parte superior não existe mais! Em bom funcionamento registra-se, por misericórdia, o maquinismo, graças ao desvelo e à dedicação de seus faroleiros. Causa pena e surpresa o estado em que se encontram esses faróis, os quais, dentro de pouco tempo, de nada servirão à navegação marítima! Quando aqui esteve o ‘destroyer’ ‘Amazonas’, um mês antes de largar deste porto, um oficial da Marinha, vindo especialmente do Rio para examinar as condições dos nossos faróis de beira-mar, esteve no de Torres e no de Cidreira e, muito embora o seu exame — desfavorável, aliás — para o seu estado de conservação nenhuma providência foi tomada até hoje pelas respectivas autoridades da Marinha! Naturalmente, aguarda-se que tombem esses úteis e belos monumentos para que surjam as providências e os reparos de que carecem! Mau sestro o nosso esperar-se que a casa seja arrombada para se colocarem trancas nas portas, como diz o velho rifão popular! Os próprios faroleiros, coitados, nos dias de vento forte, quando, num gesto de abnegação e de heroísmo, sobem as suas escadas para darem movimento aos aparelhos de que estão incumbidos, fazem-no às carreiras e assustados, na certeza de que, mais dias, menos dias, ficarão soterrados sob seus escombros! Ora, esses faróis, além de serem duas obras de arte, hoje também de apreciável custo, representam para a navegação do alto-mar a sua indispensável guia. Urge, pois, cuidar sem demora dos reparos de que carecem, se não como prova de amor pelas obras nacionais, ao menos como documentação de que ainda se toma a sério a vida e a propriedade alheias.”
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Viação urbana
“Porto Alegre como capital tem, por seu movimento e sua população, incontestável direito à posse de um melhor serviço de viação urbana. Melhor, mais variado e mais aumentado! Assim não sucede, todavia, com o que nos faculta a ‘Força e Luz’, que, além de ser irregular e feito em bondes onde chove como na rua, é em demasia insuficiente para o nosso meio social. Porto Alegre não é uma aldeia, mas uma cidade cuja população vai à cifra de duzentos mil habitantes. Possui já a capital do Estado, além da sua natural vida própria, uma vida noturna que, não sendo ruidosa como a de algumas outras do Brasil, não deixa de ter a sua importância. Pois apesar disso, pouco depois da meia-noite, quem quiser vir à cidade ou dela voltar para suas residências, que tome um automóvel, se as posses lho permitirem, e, em sentido contrário, que se utilize das pernas como meio de locomoção mais eficaz e mais econômico.
Não pretendemos que depois da meia-noite os bondes da ‘Força e Luz’ trafeguem com a relativa importância numérica do seu serviço diário. Seria decerto uma demasiada exigência. A sua absoluta supressão, todavia, não deixa de ser também uma demasiada incúria por parte da ‘Força e Luz’, que não ignorará haver no centro da cidade quem, depois das 12 horas, ainda nele se conserve, trabalhando ou mesmo distraindo-se. Daí a conveniência de ser mantido o tráfego desses bondes para os mais populosos pontos da cidade, ainda que de hora em hora. A ‘Força e Luz’, não perdendo com a experiência, teria ensejo de agradar e servir a nossa população.”
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Prédios paulistanos
“Há na capital de S. Paulo 80.548 prédios, sendo 57.127 térreos; 13.883 assobradados; de um andar, 9.048; e de mais de um andar, 490. O bairro onde há maior número de edificações é o Belenzinho, com 9.135 prédios; vem depois a Mooca, com 8.585; o Brás, com 7.094; a Liberdade, com 6.334; a Consolação, com 5.739; Santa Cecília, com 5.659; a Bela Vista, com 5.246; Santa Efigênia, com 5.209; Sant’Ana, com 3.610; o Bom Retiro, com 3.515; a Lapa, com 3.379; a Vila Mariana e Ipiranga, com 3.283 e 2.790; as Perdizes, com 2.247; o Cambuci, com 1.774; a Penha, com 1.543; o Butantã, com 1.396; a Sé, com 1.376; Casa Verde, com 1.042; a Vila Maria, com 456; a Saúde, com 451; e, por último, Freguesia do Ó, com 385.”
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Imigração ucraniana
“Há dias, chegou ao Rio de Janeiro o sr. Abrahão L. Convisser, ucraniano, representante da Polish-American International Trade Representative. S. S. vem enviado especialmente por essa companhia com a incumbência de se entender com o nosso governo sobre a possibilidade de serem localizadas no Brasil, principalmente nos Estados de S. Paulo, Paraná e Santa Catarina, aproximadamente três mil famílias ucranianas que desejam emigrar para o nosso país. O sr. Convisser tem quase certeza de resolver esse assunto favoravelmente, porquanto, conforme nos declarou, são todas pessoas de costumes morigerados, saudáveis, aptas, portanto, para o trabalho e ótimos agricultores.”
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O dia 3 de fevereiro na história
- 1468 Morre Johannes Gutemberg, inventor da versão ocidental da impressão de tipos móveis.
- 1488 O explorador português Bartolomeu Dias desembarca na Baía de Mossel após passar pelo Cabo da Boa Esperança, sendo o primeiro europeu a ultrapassar esse marco ao sul.
- 1690 A primeira moeda em papel das Américas é impressa na colônia de Massachusetts.
- 1716 Sequência sísmica intensa atinge a região de Argel, na Argélia, matando aproximadamente 20 mil pessoas.
- 1807 Tropas britânicas capturam Montevidéu durante as Invasões Britânicas do Rio da Prata.
- 1830 O tratado denominado Protocolo de Londres estabelece a independência completa da Grécia em relação ao Império Otomano.
- 1862 A Moldávia e a Valáquia se unem, formando os Principados Unidos Romenos.
- 1870 A 15ª Emenda à Constituição americana é ratificado, garantindo direito de voto a todos os cidadãos homens, independente da raça.
- 1927 Rebelião militar contra a ditadura militar portuguesa explode no Porto.
- 1945 Mil aviões B-17 americanos bombardeiam Berlim, matando entre 2500 e 3 mil pessoas e desalojando mais de 120 mil.
- 1947 Nasce em New Jersey o escritor e poeta americano Paul Auster.
- 1953 Massacre de Batepá: onda de violência liderada pela administração colonial portuguesa mata centenas de nativos na capital de São Tomé e Príncipe.
- 1958 Fundação da união econômica do Benelux entre Bélgica, Holanda e Luxemburgo.
- 1959 Os músicos Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P. “The Big Bopper” Richardson morrem em desastre de avião em Iowa, EUA.
- 1966 A espaçonave soviética Luna 9 se torna a primeira a aterrizar na Lua e a primeira a fazer fotos da superfície lunar.
- 1972 Primeiro de sete dias da mais mortal tempestade de neve da história, que matou ao menos 4 mil pessoas no Irã.
- 1989 Golpe militar no Paraguai derruba o ditador Alfredo Stroessner, presidente desde 1954.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
