“A bordo do vapor ‘Itassucê’ embarcou ontem para o Rio Grande um destacamento de forças destinadas ao Maranhão, a fim de combater os revolucionários que ali se encontram sob o comando do capitão Luís Carlos Prestes. No Rio Grande, as forças passarão para o vapor ‘Baependy’, que as levará ao ponto a que se destinam. É este posto do 3º Batalhão da Brigada Militar e de uma ala do 21º Corpo Auxiliar de Dom Pedrito, que tem como comandante o major Octacilio Fernandes. O destacamento vai sob o comando geral do tenente-coronel Arthur Octaviano Travassos Alves. [...] O destacamento leva um efetivo de 731 homens.”
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Protetorado italiano
“Telegrafam da Somália que estão prosseguindo as operações para firmar efetivamente o protetorado da Itália perante os sultanatos de Obbia e Migiurtini. Em Obbia, as populações acolheram favoravelmente essas operações, exceto alguns chefes. A reação manifestou-se por meio de emboscadas, nas quais foram mortos 2 oficiais italianos. Em Migiurtini, a resistência foi organizada pelo próprio sultão, atacando nossas tropas em Bargal. A embarcação, que transportava os funcionários para terra de um navio Companhia, a fim de terem entrevista com o sultão, foi atacada, tendo havido mortes. Todavia, a resistência do sultão torna-se vã e não poderá continuar por muito tempo. Ocupamos as localidades mais importantes da costa, que está bloqueada pela divisão italiana naval e a situação dos dois protetorados não é de molde a preocupar.”
“Anuncia-se oficialmente, que, no interior do sultanato de Obbia, várias tribos revoltadas assassinaram o coronel Splendori e o capitão Caroles, que viajavam com o ministro do Interior pelo norte da Somalilândia. Uma resistência foi organizada pelo sultão Osman, que, apesar do juramento de fidelidade feito à Itália, tem hostilizado as expedições italianas. Os indígenas assassinaram os oficiais não comissionados Antonio Parese, Antonio Delicteris e o artilheiro Gesperoni. Os italianos, em represália, devastaram os lugares mais importantes da costa, que está sendo bloqueada pela esquadra do almirante Conz. A situação do sultanato não é julgada inquietadora.”
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Primeiras edições
Da edição de 21 de dezembro de 1895, sábado, n. 69
Barracão
“Noticiámos há dias ser possível que muito breve se desse a demolição do barracão que serve atualmente de armazém da alfândega, na praça Senador Florencio. O caso é este. O sr. Rodolpho Guimarães, proprietário do Café Pátria, pretende ocupar a área daquela praça com a construção de um grande teatro moderno, todo de ferro, com jardim, restaurante, salões de bilhares e de recreio, etc. Nos quatro ângulos da praça serão também construídos quatro grandes mictórios aperfeiçoados, para serventia pública. Para isso, o sr. Guimarães requereu concessão do terreno, por determinado número de anos, ao conselho municipal, que lhe deferiu a pretensão. Findo o prazo estipulado, passará a pertencer ao município, sem indenização, o novo teatro, que será muito maior que o S. Pedro, tendo capacidade para acomodar 2.500 pessoas. Como, porém, nesse terreno está edificado o armazém da alfândega, o sr. Guimarães vai ao Rio submeter sua pretensão à deliberação do ministro da Fazenda. Talvez que só assim vejamos abreviada a construção da nova alfândega, ficando a praça Senador Florencio expurgada do velho barracão que tanto a desfeia.”
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Beco do Céu
“A quem competir, pedem-se providências a fim de que cesse o abuso de certas mulheres moradoras à rua do Arvoredo [atual rua Fernando Machado], no edifício denominado Céu, que se comportam em completo desacordo com as exigências da decência e da moral. Residem por ali famílias que muito sofrem com as públicas obscenidades de tais mulheres.”
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Da edição de 22 de dezembro de 1895, domingo, n. 70
Apaziguamento
“O nosso colega da ‘Federação’ publicou ontem notícia sobre as ocorrências dadas ultimamente em Camaquã. A não ser quanto ao nome do chefe revolucionário de que se tratava (Juca Anastacio, em vez de Estacio Azambuja), como também já retificamos, a notícia do confrade confirma tudo o que a respeito havíamos referido, apenas com mais este detalhe: Juca Anastacio a principio recusava reconhecer as autoridades estaduais, só prestando obediência ao general Galvão. Como já informamos aos leitores, o coronel Thomaz Flores e o desembargador Borges de Medeiros conseguiram tudo apaziguar.”
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O dia 22 de dezembro na história
- 856 Terremoto próximo à cidade persa de Damgham mata cerca de 200 mil pessoas.
- 1808 Beethoven se apresenta e conduz o concerto de estreia de sua Quinta e Sexta Sinfonia, Quarto Concerto para Piano e a Fantasia Coral, em Viena.
- 1858 Nasce em Lucca o compositor italiano Giacomo Puccini.
- 1894 Começa na França o Caso Dreyfus: o capitão Alfred Dreyfus é injustamente acusado e condenado por traição.
- 1940 A cidade inglesa de Manchester sofre pesado bombardeiro alemão durante a Segunda Guerra.
- 1968 O jornal Diário do Povo publica as instruções de Mao Tsé-Tung para a Revolução Cultural.
- 1971 A organização Médicos Sem Fronteiras é fundada em Paris por Bernard Kouchner e grupo de jornalistas.
- 1974 Três ilhas no oceano Índico votam para tornar Comores independente da França.
- 1978 Durante o 11° Congresso do Partido Comunista Chinês, Deng Xiaoping anuncia a reversão de das políticas da era maoísta.
- 1988 O ambientalista Chico Mendes é assassinado em Xapuri, no Acre, por Darci Alves Pereira.
- 1989 O ditador da Romênia comunista, Nicolae Ceausescu, e sua esposa fogem de Bucareste; ele é considerado deposto e Ion Iliescu assume.
- 1989 O Portão de Brandemburgo é reaberto após quase 30 anos, encerrando a divisão entre as Alemanhas Ocidental e Oriental.
- 1989 Morre o dramaturgo irlandês Samuel Beckett.
- 1990 O sindicalista Lech Walesa é eleito presidente da Polônia.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
