“Inicia-se hoje com a exposição de Caxias a série de atos com que será celebrado, no Rio Grande, o cinquentenário da imigração italiana. Todas essas comemorações parciais, que culminarão por fim nos festejos que se realizarão em Porto Alegre, estão projetadas e organizadas de forma que sejam, ao mesmo tempo, uma expressão viva e uma demonstração retrospectiva da atividade e do valor do colono italiano como elemento ponderável na vida econômica do Estado. A prova dessa eficientíssima colaboração, brilhante e indiscutível prova, está principalmente no florescimento e no rápido progresso dos núcleos coloniais, muitos dos quais chegaram em pouco tempo ao mais alto grau de desenvolvimento. Bastaria citar a própria Caxias, que já foi cognominada a ‘pérola das colônias’, atualmente bela cidade em franca prosperidade, desdobrando sua atividade num magnífico surto, rumo ao mais seguro destino. Mas todos os demais núcleos de povoação italiana seguem aquele exemplo edificante; em todos eles se verifica a agitação febril do trabalho, a ânsia de progresso.
O papel do colono italiano no desenvolvimento econômico do Rio Grande é assim evidente e está assinalado de maneira indelével nessas pequenas coletividades criadas no trabalho da terra, e que vão constituindo centros irradiadores de trabalho, outros tantos focos de civilização que vão cobrindo o solo rio-grandense. Os resultados patentes desse trabalho de colonização dão o mais eloquente testemunho da eficiência do agricultor italiano como elemento propulsor do nosso desenvolvimento, ao mesmo tempo que constituem o melhor elogio à índole e à atividade do trabalhador italiano, que sabe adaptar-se perfeitamente ao nosso meio, animados por um espírito de ordem e de disciplina que os tornam credores da nossa simpatia. E essa corrente de sentimentos não se fez esperar.
Por toda parte, o imigrante italiano vive com os filhos do país na mais absoluta harmonia, identificados pelo mesmo ideal, seguindo pela mesma estrada em busca do futuro, seguindo os mesmos estímulos, sofrendo os mesmos influxos, inteiramente irmanados nas suas alegrias, nas suas dores ou nas suas esperanças. As celebrações que hoje se iniciam são a consequência desse conjunto de fatos auspiciosos, do que resulta que esse meio século que se está festejando de vida dos italianos no Rio Grande é um marco decisivo na evolução de uma existência comum, que, se é um motivo de orgulho para os colonizadores, não o é menos para nós, pois é graças a uma inteligente convergência de esforços de ambos os lados, graças a uma cooperação bem entendida, que se pode celebrar, como algo digno de ser rememorado, a data que marca o primeiro meio século da entrada desse poderoso braço trabalhador como instrumento admirável do nosso progresso. [...]”
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Lobo contra lobo
“Com esse delírio de liberdade que se apossou da mulher depois da Grande Guerra, tendo por principal meio de realizações o auxílio dos novos quatro cavalheiros do Apocalipse — animatógrafo, automóvel, telefone e ‘dancing’ — tudo levaria a crer que, como nunca, se tornasse fácil a profissão de conquistar. Para chegar a seus fins, o conquistador não teria mais que vencer tantos obstáculos e correr tantos riscos. Pois foi justamente essa facilidade que fez desaparecer de nossa fauna o espécime do conquistador profissional. Realmente, hoje não se conquista mais, a bem dizer. Outrora, sim. A prisão, o isolamento e a ignorância da vida criavam mulheres realmente inocentes, a ponto de acreditarem nas cantigas dos D. Juan. E elas eram verdadeiramente conquistadas, pois, em amor, conquista subentende ilusão, embuste, emboscada e, às vezes, canalhice. Outrora, era um jogo entre cordeiro e lobo; hoje é lobo contra lobo. Os ‘leões’ dos velhos tempos, título de que se jactavam os profissionais da conquista, são atualmente os mais inofensivos bichos... E, digam o que disserem, a verdade é que esse delírio de liberdade da mulher trouxe a moralização de nossos costumes. Hoje, enganada é apenas a mulher que realiza o supremo esforço de boa vontade em querer ser…”
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Primeiras edições
Da edição de 7 de novembro de 1895, quinta-feira, n. 32
Cinzas
“A Intendência Municipal está mandando aterrar trechos da Rua da Azenha e outras com a cinza retirada do forno de incineração. Acontece porém que a cinza, ao ser depositada nas ruas, vai ter às casas circunvizinhas, incomodando não pouco os pacíficos moradores do bairro. E quando venta, então, a coisa é muito pior, de modo tal que os incomodados, não podendo mudar-se, como ordena o rifão, vieram queixar-se a nós, em vez de irem queixar-se ao bispo.”
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Estrondo misterioso
“Moradores de S. Leopoldo informam-nos que, na segunda-feira última, pelas duas horas da tarde, foi ouvido naquelas redondezas um forte estrondo, semelhante ao ribombar de um trovão. Entretanto, o céu estava claro e o tempo corria plácido e sereno, como a denotar que, pelos espaços, tudo caminhava normalmente, sem acidentes atmosféricos que pudessem despertar a atenção dos que habitam este belo mundo sublunar. O fenômeno foi sentido nas vizinhanças de S. Leopoldo, assim como em Novo Hamburgo, Dois Irmãos e Nova Palmira. Venham, pois, à fala os sábios da terra, se é que alguma coisa observaram e sabem sobre o caso.”
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O dia 7 de novembro na história
- 1492 O mais antigo meteorito com data da queda conhecida atinge um campo de trigo próximo à vila de Ensisheim, na Alemanha.
- 1504 Cristóvão Colombo retorna de sua quarta e última viagem à América.
- 1665 Fundada a The London Gazette, publicação oficial do governo britânico, o mais antigo jornal ainda em circulação.
- 1825 Fundado em Recife o Diário de Pernambuco, o mais antigo jornal em circulação da América Latina.
- 1848 Eclode em Olinda a Revolução Praieira, revolta reformista liberal contra a monarquia.
- 1867 Nasce em Varsóvia a físico-química polonesa naturalizada francesa Marie Curie, pioneira no estudo da radioatividade e primeira mulher a receber o prêmio Nobel.
- 1879 Nasce em Yanovka o teórico político e revolucionário Leon Trotsky, figura central da revolução russa e estabelecimento da URSS.
- 1903 Nasce em Ubá, Minas Gerais, o compositor e pianista Ary Barroso, autor de “Aquarela do Brasil”.
- 1913 Nasce em Mondovi, na Argélia francesa, o escritor, filósofo e jornalista Albert Camus, vencedor do prêmio Nobel.
- 1917 Os bolcheviques invadem o Palácio de Inverno em São Petersburgo (pelo calendário juliano, 25 de outubro) durante a Revolução Russa.
- 1917 Forças britânicas capturam a cidade de Gaza do Império Otomano durante a Primeira Guerra.
- 1919 A primeira investida, conhecida como Palmer Raid, contra suspeitos comunistas e anarquistas nos EUA é realizada em 23 cidades; cerca de 10 mil pessoas são presas.
- 1929 O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque abre pela primeira vez ao público.
- 1931 A República Soviética Chinesa é proclamada por Mao Tsé-Tung e Zhu De.
- 1943 Nasce em Fort Macleod, Canadá, a cantora, compositora, multi-instrumentista e pintora Joni Mitchell, ícone da música folk dos anos 1960.
- 1944 Franklin Roosevelt é eleito para um inédito quarto mandato como presidente dos EUA.
- 1956 A maior parte da resistência armada é derrotada na Hungria e János Kádár retorna a Budapeste com escolta soviética.
- 1962 A ONU condena em resolução a política do apartheid da África do Sul.
- 1982 O coronel Saye Zerbo, presidente do governo militar do Alto Volta (atual Burkina Faso) é deposto em golpe liderado pelo coronel Gabriel Yoryan Somé.
- 1987 O presidente da Tunísia, Habib Bourguiba, é deposto e o primeiro-ministro Zine El Abidine Ben Ali assume.
- 1991 O astro do basquete americano “Magic” Johnson anuncia que é HIV-positivo e se retira da NBA.
- 1993 Ayrton Senna vence seu último Grande Prêmio de Fórmula 1 em Adelaide, Austrália, na sua despedida da McLaren.
- 2000 Dia de votação da polêmica disputa presidencial americana entre George W. Bush e Al Gore, que será decidida apenas dias mais tarde pela Suprema Corte em favor do republicano.
- 2016 Morre em Los Angeles o poeta, cantor e compositor canadense Leonard Cohen.
- 2020 O candidato democrata Joe Biden é confirmado vencedor das eleçiões presidenciais americanas, superando o incumbente Donald Trump.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
