Há um Século no CP

Continua a tensão anti-imperialista na China

Da edição do dia 24 de julho de 1925, sexta-feira, edição n. 174

Na sequência do assassinato de 13 manifestantes chineses pela polícia britânica do território da Concessão Internacional de Xangai, o movimento nascido da revolta reuniu o sentimento antiestrangeiro da população local
Na sequência do assassinato de 13 manifestantes chineses pela polícia britânica do território da Concessão Internacional de Xangai, o movimento nascido da revolta reuniu o sentimento antiestrangeiro da população local Foto : CP Memória

“O correspondente do jornal ‘Morning Post’, em Xangai, informa que, embora a greve tenha terminado, a situação está pior que nunca, devido às táticas desumanas adotadas pelos extremistas para evitar que os homens voltem ao trabalho. Dezenas de operários são sequestrados diariamente, detidos pelas forças e espancados. Alguns estão sendo torturados e, postos em liberdade após terem sido agredidos, recebem um auxílio financeiro para continuar a greve. Acredita-se que haja cerca de trezentos operários detidos. Numerosas casas de trabalhadores têm sido destruídas, sendo maltratadas as suas famílias. O terrorismo dirige-se, especialmente, contra a imprensa estrangeira, cujas redações estão muito reduzidas e trabalham protegidas por guardas armados.”

“O Japão respondeu favoravelmente à nota dos Estados Unidos, propondo uma conferência para tratar da extraterritorialidade e de outros negócios chineses.”

“O gabinete aprovou o projeto do Ministério das Relações Exteriores para abrir ao comércio o porto de Yanshien, na província de Sichuan.”

“O sr. Eugenio Fortunatoff, adido do consulado do ‘Soviet’, acusado de tentativa de suborno, não compareceu ao tribunal para o qual fora citado, perdendo, assim, a sua fiança de dez mil dólares.”

Campanha fascista

“Apesar das explicações dadas por motivo do assalto ao deputado Amendola, chefe dos ‘aventinistas’, os fascistas continuam abertamente a sua campanha com o fim de sufocar a oposição.”

“O deputado Amendola, ex-ministro e chefe da oposição do Aventino, que foi agredido ontem, acha-se melhor dos ferimentos recebidos, ainda que apresente um pouco de febre.”

O deputado italiano Giovanni Amendola foi severamente espancado por 15 Camisas Negras fascistas (“squadristi”, membros da ala paramilitar do partido fascista) no interior da província de Pistoia, na Toscana. Amendola era uma das vozes mais veementes e claras contra o regime de Mussolini. Apesar da notícia de que melhorava dos ferimentos, o deputado jamais se recuperou, vindo a falecer no exílio na França em 7 de abril do ano seguinte.

Lenocínio e deportação

“O presidente da República [cubana] aprovou o decreto que regulamenta a deportação dos estrangeiros e o tráfico das ‘escravas brancas’. Nesse decreto, a agitação dos operários contra o governo é considerada como delito, sujeito à pena de deportação, ficando, entretanto, aos acusados o direito de provar a sua inocência.”

Da ‘Caixa Urbana’

“Vários moradores no bairro de Higienópolis pedem-nos para reclamar contra o perigoso exercício a que, ali, se entregam alguns amadores do esporte cinegético [caça], os quais inadvertidamente se põem a alvejar as galinhas, os patos e os perus que, nos quintais e nas hortas, se colocam ao alcance das suas espingardas. Como se vê, trata-se de um hábito sobremodo condenável e que, além de causar prejuízos à economia doméstica dos habitantes daquele arrabalde, já bastante populoso, constitui ainda verdadeiro perigo, podendo os projéteis das ‘lazzarinas’ dos caçadores atingir a qualquer pessoa e, com especialidade, às despreocupadas criancinhas que por ali brincam. Será, pois, de toda a conveniência que a autoridade competente tome as providências que o caso comporta, proibindo semelhante prática e evitando, assim, que se venha a registrar qualquer consequência mais lamentável.”

Ineficiência

“Há já muito tempo que o comércio e a imprensa, como principais interessados, reclamam inutilmente contra a demora com que é feito o serviço telegráfico. As linhas, quando não estão de todo interrompidas, estão obstruídas. As transmissões se fazem ordinariamente com grande atraso. É fácil avaliar os enormes prejuízos decorrentes dessa situação anormal, que, afinal, é a verdadeira situação normal do telégrafo no Brasil. O governo, que não estende novas linhas, que se contenta com os velhos circuitos, que não trata mesmo da sua reparação e conservação eficiente, não tem o direito de ignorar as causas do péssimo funcionamento dos telégrafos. Elas estão patentes aos olhos de toda a gente, e o governo se não enxerga é porque ele pertence à pior categoria de cegos: a dos que não querem ver. Agora, porém, tocou a vez ao Ministério da Viação experimentar as consequências do desleixo em que vive esse departamento de administração pública. Um despacho transmitido de Fortaleza para esse ministério levou doze dias de viagem para chegar ao seu destino, como se a tradicional indolência nacional tivesse, também, invadido a eletricidade. Diante desse fato corriqueiro, o titular da pasta da Viação acorda cheio de surpresa, gasta papel e tinta para perguntar ao diretor geral dos telégrafos o motivo da irregularidade e quais as providências necessárias para corrigi-la. Santa ingenuidade…”

Praça de esportes

“O dr. Octavio Rocha, intendente municipal, resolveu que se construa nesta capital a primeira praça de esportes e, para esse fim, foi escolhida a praça General Osório, mais conhecida por Alto da Bronze, para sua instalação, que obedecerá ao estilo das existentes no Uruguai. O projeto da construção desta praça de educação física ao ar livre foi elaborado na Diretoria de Obras Públicas da Intendência Municipal, tendo já começado os respectivos trabalhos. Depois de pronta a praça de esportes, a sua direção será confiada a um profissional contratado pela Intendência Municipal. Será esta a primeira praça de esportes instalada em nosso Estado, estando também a municipalidade de Bagé empenhada em instalar algumas delas em vários pontos daquela cidade. Uma vez franqueada ao público a praça do antigo Alto da Bronze, a municipalidade tratará de instalar outras, em vários pontos da capital.”

O dia 24 de julho na história

  • 1534 O explorador francês Jacques Cartier toma posse da península de Gaspé, nordeste do atual Canadá, em nome do rei Francisco I da França.
  • 1660 Grande Incêndio de Constantinopla: o fogo consome cerca de dois terços da cidade e quase 40 mil pessoas morrem.
  • 1783 Nasce em Caracas o estadista e militar Simón Bolívar, líder da independência de diversas nações sul-americanas do domínio colonial espanhol.
  • 1793 A primeira lei de direitos autorais é aprovada na França.
  • 1802 Nasce na Picardia o escritor e dramaturgo francês Alexandre Dumas, autor de “Os Três Mosqueteiros”.
  • 1823 A escravidão é abolida no Chile.
  • 1839 O Estado revolucionário da República Juliana é proclamado em Laguna por David Canabarro e Giuseppe Garibaldi.
  • 1880 A primeira hidrelétrica comercial inicia a geração de eletricidade em Grand Rapids, Michigan, EUA.
  • 1911 Machu Picchu é redescoberta pelo explorador americano Hiram Bingham.
  • 1917 Inicia o julgamento de Mata Hari em Paris por supostamente espionar para a Alemanha.
  • 1923 Assinado o Tratado de Lausanne, fixando as fronteiras da moderna Turquia.
  • 1935 A onda de calor conhecida como Dust Bowl atinge o seu pico, elevando a 43ºC a temperatura em Chicago.
  • 1943 Operação Gomorra: força aérea britânica inicia bombardeio de Hamburgo, deixando 42.600 mortos.
  • 1954 Nasce em Amadora o técnico português Jorge Jesus, campeão da América com o Flamengo em 2019.
  • 1969 A Apolo 11 retorna à Terra e pousa sem intercorrências no oceano Pacífico.
  • 1974 A jornalista americana Christine Chubbuck se mata ao vivo na Flórida em transmissão televisiva.
  • 1983 A polícia, o exército e massas cingalesas perseguem, torturam e matam cidadãos tâmeis durante o “Julho Negro” no Sri Lanka; início da guerra civil.
  • 1983 Nasce em Roma o ex-jogador e treinador italiano Daniele De Rossi, campeão com a Itália na Copa de 2006.
  • 1985 O missionário italiano Ezechiele Ramin é assassinado a tiros no interior de Rondônia.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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