Há um Século no CP

Escândalo de falsificação de notas abala a Europa

Da edição de 9 de janeiro de 1926, sábado, n. 7

O envolvimento de membros da aristocracia austro-húngara no esquema de falsificação de francos provocou assombro
O envolvimento de membros da aristocracia austro-húngara no esquema de falsificação de francos provocou assombro Foto : CP Memória

“A polícia efetuou três novas prisões sobre o caso das notas falsas do Banco de França.”

“Em um subterrâneo do castelo de Windisch, do príncipe de Graetz [da casa aristocrática austro-húngara Windisch-Graetz], foram descobertas as máquinas de impressão que serviram na fabricação de notas falsas do Banco de França. Foram presos todos os diretores do Instituto Cartográfico. Também foi preso, na Itália, e conduzido para Budapeste, o deputado Franz Ulain.”

“Os jornais tratam longamente do caso da falsificação de notas do Banco de França na Hungria. Acentuam a chegada do ministro francês em Budapeste, o qual foi recebido pelo sr. Briand. No relatório apresentado pelo ministro, destaca-se a prisão de várias personalidades importantes húngaras. Graças, porém, à atividade da polícia de Paris, os bilhetes falsos não chegaram a circular em França.”

“Informam de Bucareste [trata-se provavelmente de um erro de transcrição, devendo o correto ser Budapeste] que o funcionário do Instituto Geográfico, sr. Gueróz, declarou à polícia de Windisch [na atual Eslovênia] que o príncipe Graetz foi persuadido a falsificar francos com propósitos patrióticos. Gueróz foi preso, assim como o indivíduo encarregado de distribuir as notas falsas.”

“O conselheiro de polícia Bauer e vários agentes deram hoje nova e minuciosa busca no castelo de Taraspatak [Sárospatak, norte da atual Hungria], de propriedade do príncipe Graetz, onde funciona um Instituto Cartográfico e várias tipografias das mais importantes da cidade, à procura das máquinas com que foram fabricadas as notas francesas. Apesar dos esforços empregados pelas autoridades, não foram encontradas as mencionadas máquinas, o que leva a crer que elas fossem destruídas pelos falsários. À tarde, foi preso pelo conselheiro Bauer o químico do Instituto Cartográfico, o qual, submetido a interrogatório, confessou que, nesse estabelecimento, haviam sido fabricadas 25.000 notas de mil francos. Declarou, também, os nomes dos cúmplices, dos quais 22 foram presos.

“Os jornais franceses ainda hoje [dia 8] se ocupam detalhadamente da falsificação, na Hungria, de notas francesas. ‘Le Matin’ diz que o governo húngaro não é responsável por esse crime, mas que, entretanto, é passível de censura, porque procurou abafar a parte política do caso e atenuar as consequências inevitáveis da inquietante descoberta do espírito de ‘revanche’ e aventuras que domina a ‘élite’ magiar. É perfeitamente compreensível — acentua aquele sensível jornal — que os países vizinhos, diretamente visados pelo ‘complot’ dos partidários do príncipe Albrecht, estejam dispostos a esclarecer o caso perante a Liga das Nações, para ficarem habilitados a fazer um juízo seguro. Se a Hungria chegou ao grau de prosperidade em que se acha atualmente deve-o a outras nações, que nunca lhe negaram apoio e auxílio. Nestas condições, o governo de Budapeste não teria a menor desculpa se tolerasse, perto ou longe, conspirações contra a paz da Europa.”

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Falta d’água

“Os moradores da rua Larga [atual rua Domingos Crescêncio, bairro Santana], no Partenon, pedem-nos para que façamos chegar ao conhecimento de quem de direito que há quatro dias seguidos não sabem o que seja água nas suas respectivas residências. Ora, francamente, com este calor parece-nos grande suplício. Precisamente reclamação idêntica fazem os moradores da rua Riachuelo, quadras entre as ruas General Paranhos [atual Borges de Medeiros] e General Câmara. Um pouco mais de humanidade com esses inocentes sentenciados a morrerem de sede é o que pedimos.”

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Veranistas

“Nestes últimos dias tem havido grande movimento de veranistas que se dirigem às praias balneárias e aos municípios vizinhos, a fim de passar a estação calmosa. O vapor ‘Palmares’ partiu ontem para Palmares repleto de passageiros que se destinam às praias de Torres, Tramandaí, Cidreira e Quintão.”

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Primeiras edições

Da edição de 9 de janeiro de 1896, quinta-feira, n. 7

Questão delicada

“Um dos nossos ativos repórteres ouviu falar na possibilidade de se agitar brevemente no foro desta capital uma questão que vai dar que falar. Trata-se, nada menos, que de um caso de divórcio judicial.

Por enquanto, apenas podemos adiantar o seguinte: o dr. Martins Costa Júnior será o advogado da esposa, que é quem requer o divórcio, e o coronel João Antunes da Cunha Neto patrocinará a causa do marido.”

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Decadência

“Arthur Azevedo, o cintilante cronista fluminense, em um dos seus mais recentes folhetins teatrais do jornal ‘A Notícia’, assim se exprime a propósito da decadência da arte teatral no Brasil: ‘Há dias, percorrendo a coleção do Jornal do Comércio de 1857 para encontrar a data da 1ª representação do ‘Crédito’, de José de Alencar, tive ensejo de examinar os anúncios dos nossos teatros naquela época. No S. Pedro trabalhava a companhia de João Caetano, representando, entre outras peças, o Hamlet, de Shakespeare; no S. Januário funcionava a companhia de Germano Francisco de Oliveira; no Ginásio a de Joaquim Heleodoro, que representava dramas e comédias nacionais, além do repertório moderno dos teatros parisienses; no Provisório estava uma excelente companhia de ópera, que revezava os seus espetáculos com os de uma boa companhia dramática francesa, e havia ainda um café-cantante, que foi, creio, o pródromo do Alcazar Lyrique do Arnaud. Como é triste comparar o que nós tínhamos há 38 anos com o que hoje temos!’”

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O dia 9 de janeiro na história

  • 1038 Terremoto em Dingxiang, na China, mata um número estimado de 32 mil pessoas.
  • 1431 Começa o julgamento de Joana D’Arc em Rouen.
  • 1693 Terremoto abala a Sicília e Malta; um segundo atinge a região em 11 de janeiro; os mortos são estimados entre 60 e 100 mil.
  • 1792 Assinatura do Tratado de Iasi encerra a Guerra Russo-Turca de 1787-92.
  • 1822 Dia do Fico: D. Pedro I anuncia que permanecerá no Brasil, contrariando ordens portuguesas de retorno, iniciando o processo de independência.
  • 1908 Nasce em Paris a filósofa existencialista, ativista e escritora francesa Simone de Beauvoir.
  • 1913 Nasce na Califórnia o político Richard Nixon, presidente americano entre 1969 e 1974.
  • 1916 Termina a Batalha de Gallipoli com a vitória otomana sobre os Aliados durante a Primeira Guerra Mundial.
  • 1920 Nasce em Recife o escritor e diplomata João Cabral de Melo Neto, autor de “Morte e Vida Severina”.
  • 1941 Nasce em Nova Iorque a cantora, compositora e ativista americana Joan Baez.
  • 1944 Nasce em Heston, na Inglaterra, o músico e produtor Jimmy Page, guitarrista da banda britânica Led Zeppelin.
  • 1960 O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser inicia a construção da represa de Aswan, no rio Nilo.
  • 2005 Mahmoud Abbas vence as eleições para substituir Yasser Arafat como presidente da Autoridade Nacional Palestina.
  • 2007 O primeiro iPhone é apresentado por Steve Jobs em San Francisco.
  • 2015 Os autores dos assassinatos na redação do jornal satírico Charlie Hebdo de dois dias antes são mortos após uma situação com reféns.
  • 2017 Morre na Inglaterra o sociólogo e filósofo anglo-polonês Zygmunt Bauman.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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