“Um confronto entre os nascimentos e óbitos ocorridos ultimamente nesta capital estabelece para Porto Alegre bem triste renome de cidade malsã. Na semana última houve 105 óbitos, soma elevada para uma população de pouco mais de 200 mil habitantes, e apenas 86 nascimentos, entre os quais 8 natimortos. Ora, deduzidos estes 8 natimortos, que estão incluídos nos 105 óbitos, temos de fato 78 nascimentos, ou seja, uma diferença de 27 mortos para mais dos nascimentos. Não se pode negar que é uma percentagem grande, avultada.
Tomando ainda um período mais amplo, o do mês de novembro que findou, temos um resultado que não é mais satisfatório.
Foram registrados, em todo o município, 349 nascimentos, incluindo 26 natimortos, e também 337 óbitos, incluindo bem os mesmos natimortos. Se fizermos a mesma operação, isto é, se deduzirmos os 26 natimortos da soma dos nascimentos, teremos de fato 323 nascimentos para 337 óbitos, o que quer dizer mais 14 óbitos.
Se, porém, abandonarmos por completo os 26 natimortos, quer no total dos nascimentos quer no dos óbitos — o que não é possível numa operação demógrafo-sanitária —, teremos 323 nascimentos e 311 óbitos, ou mais 12 nascimentos em um mês, o que dá um insignificante crescimento vegetativo, isto é, 48 nascimentos a mais em um ano para uma população geral de mais de 200 mil almas, que tanto tem o município. Devemos convir que não é nada animador este balanço e, se não fora o afluxo de população que acorre para Porto Alegre, a nossa capital permaneceria por tempos dilatados sem desenvolvimento, numa permanente estabilidade de habitantes que seria digna de nota.
Avulta, como em todo o Brasil e como em toda parte, no obituário, o coeficiente da tuberculose, seguindo-se depois os natimortos, o que quer dizer a sífilis. São dois males que se podem combater e que se devem combater com energia, já diretamente, já com conselhos higiênicos que eduquem o povo.
Entre os empecilhos que dificultam o progresso dos povos, a má condição sanitária é um dos mais veementes. A insalubridade do Brasil, com o espantalho da febre amarela, nos atrasou em 100 anos. Agora mesmo, numa revista italiana que corre o mundo, há uma longa notícia sobre a cidade da Bahia em que se inclui o quadro demográfico-sanitário de 1923, fornecido pelo ‘Anuário’ daquele Estado. São 5.522 mortos para 4.617 nascimentos, numa população de 320 mil almas. O escritor italiano contesta, porém, a cifra dos óbitos, que eleva a 8.141, o que é extraordinário em confronto com os nascimentos. Jogando com uma série de algarismos, o escritor prova que a população da Bahia decresce, não vai a mais de 269 mil habitantes atualmente.
Façamos o possível para diminuir a mortalidade em Porto Alegre, se não quisermos que apareça um escritor que nos venha reduzir à categoria de cidade sem condições sanitárias, com o flagelo da peste bubônica, varíola, beribéri e ‘tutti quanti’, como fizeram à velha e tradicional Délhi.”
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Reconhecimento
“Há indicações de que os Estados Unidos estão dispostos a reconhecer o governo dos sovietes (URSS). O fato de haver o sr. Borah apresentado o assunto ao Senado é tomado como indicativo de que o presidente [Calvin] Coolidge está inclinado a aceitá-lo.”
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Vigarista
“A polícia desta capital efetuou sábado último a prisão de Claudio Leandro Piriz, de nacionalidade argentina, o qual, há um mês mais ou menos, aqui viera — dizia ele — em missão de propaganda do Comité Médico Argentino ‘Pró-reciprocidade de títulos universitários’ ["Há um século” de 21 de novembro]. Essa prisão foi motivada em virtude de uma denúncia do cônsul da Argentina nesta capital de que Claudio Piriz é um conhecido vigarista na capital platina. Segundo consta, Claudio Piriz, que se achava hospedado com sua esposa no ‘Majestic Hotel’, acha-se envolvido no caso do desaparecimento da quantia de 5 contos de réis de que foi vítima o embaixador Montagna, quando por ocasião de sua visita a esta capital. Segunda-feira última, às 17 horas, foi ele recolhido à Casa de Correção.”
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Nova Trento
“Como é do conhecimento público, uma grande parte dos habitantes do município de Nova Trento [atual Flores da Cunha] deseja o seu desvilamento e sua reincorporação ao município de Caxias. Domingo último, aproveitando a estada naquela cidade do dr. Sergio de Oliveira, secretário das Obras Públicas, e do desembargador Armando Azambuja, chefe de polícia, mais de 500 novo-trentinos, a cavalo, dirigiram-se para a cidade de Caxias a fim de tratar do assunto com ss. exas. Destacada uma comissão entre os que tinham ido ali, entendeu-se ela com o desembargador Azambuja, a quem também expôs o desejo dos habitantes de Nova Trento, para o seu desvilamento e volta ao município de Caxias.”
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O dia 16 de dezembro na história
- 1707 Começa a última erupção confirmada do Monte Fuji, no Japão.
- 1770 Nasce em Bonn, na Alemanha, o compositor e pianista Ludwig van Beethoven.
- 1773 A “Festa do Chá”, protesto de colonos americanos contra o governo britânico, acontece em Boston com a destruição de carga de chá.
- 1775 Nasce a escritora inglesa Jane Austen, autora de “Orgulho e Preconceito”.
- 1859 Morre Wilhelm Grimm, o mais novo dos irmãos famosos por reunir contos populares e histórias infantis.
- 1865 Nasce no Rio de Janeiro o poeta, jornalista e tradutor Olavo Bilac.
- 1880 Início da Primeira Guerra do Bôeres, na atual África do Sul, entre descendentes de colonizadores holandeses e o Império Britânico.
- 1920 O terremoto de Haiyuan atinge a província chinesa de Gansu, deixando cerca de 200 mil mortos.
- 1944 Começa a Batalha das Ardenas, última grande ofensiva nazista no front ocidental durante a Segunda Guerra.
- 1945 Morre em Turim o empresário Giovanni Agnelli, co-fundador da Fiat.
- 1971 Termina a Guerra de Independência de Bangladesh e a Guerra Indo-Paquistanesa.
- 1971 O Reino Unido reconhece oficialmente a independência do Bahrein.
- 1989 Protestos contra o governo comunista em defesa do pastor dissidente Laszlo Tokés explodem em Timisoara, iniciando a Revolução Romena contra o regime.
- 1990 Jean-Bertrand Aristide se torna o primeiro presidente do Haiti eleito democraticamente.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
