Há um Século no CP

Fogo assola a praça Dante, no centro de Caxias

Da edição de 13 de novembro de 1925, sexta-feira, n. 270

Um hotel foi inteiramente destruído e o fogo alcançou diversas construções vizinhas na principal praça da cidade
Um hotel foi inteiramente destruído e o fogo alcançou diversas construções vizinhas na principal praça da cidade Foto : CP Memória

“Neste momento [dia 11], manifestou-se incêndio no Hotel Veiga, situado na Praça Dante. Os demais edifícios dessa quadra são de madeiras e estão em iminente perigo de destruição. O povo corre em massa para o ponto onde o incêndio está lavrando. Foram iniciados os trabalhos de salvação dos móveis, tanto do hotel como das casas vizinhas, assim como os trabalhos para circunscrever os prédios vizinhos do incêndio.”

“Apesar da chuva torrencial que cai sobre a cidade, o Hotel Veiga ficou completamente destruído pelas chamas. Os depósitos da firma Abramo Eberle e Cia. estão em iminente perigo de serem destruídos. O povo trabalha heroicamente isolando prédios e salvando móveis. É impossível descrever o pânico dos moradores da vizinhança.”

“Na quadra onde se manifestou o incêndio, resta ainda a esquina onde estão instaladas a filial do Banco Pelotense e a casa comercial Salatino. Ambas correm grande perigo. No Café América, de propriedade do sr. Ítalo Agostinelli, o fogo já se manifestou nos fundos.”

“O fogo foi dominado. O Café América, a Casa Salatino e a filial do Banco Pelotense ficaram salvos do incêndio. O resto da quadra ficou completamente destruído. A chuva torrencial muito cooperou para a extinção do incêndio. Ignoramos se as casas sinistradas estavam seguradas. Amanhã mandaremos amplos pormenores.” [...]

“[...] Os prejuízos estão calculados em mais de quatrocentos contos de réis. Numa visita que fizemos ao local do incêndio, ficamos horrorizados ante a quantidade de móveis que, no afã da salvação, foram inutilizados. É impossível descrever o estado de abatimento em que se encontra a população em geral. Compareceram ao local todas as autoridades, tendo a polícia municipal prestado relevantes serviços. O juiz de comarca, dr. Leonardo Ferreira, hospedou a família Severiani, que ficou sem abrigo. Outras famílias foram socorridas por amigos. A importância dos seguros dos prédios sinistrados atinge a cem contos de réis. No prédio junto à filial do Banco Pelotense eram estabelecidos os srs. Fiovo Serafini, com barbearia; Ary Gelpo, com escritório comercial; e a viúva Antônio Chiara-dia, com casa de modas. Das existências destes, poucos são os salvados. Ignoramos também se estavam no seguro.” [...]

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Denúncia

“Os jornais dizem que o mérito de se haver frustrado o ‘complot’ [plano de atentado do ex-deputado Tito Zaniboni contra o líder fascista italiano, Benito Mussolini] deve-se atribuir ao jornalista [...], sr. Quaglia, que foi quem revelou à polícia os detalhes da conspiração. Quaglia era amigo pessoal de Zaniboni, que lhe confiava os seus negócios particulares, tendo-lhe revelado algo do ‘complot’ ao sr. Quaglia, que acreditava tratar-se, simplesmente, de um ‘bluff’, pois Zaniboni costumava manifestar seu ódio contra o sr. Mussolini nas suas conversações. Entretanto, depois de observar que Zaniboni recebia importantes somas de dinheiro e havia comprado um fuzil, o citado jornalista tratou de dissuadir o seu amigo desse propósito, conseguindo somente que Zaniboni o ameaçasse de matá-lo se persistisse em dissuadi-lo. Então, Quaglia se encontrou no dilema: ou permitir que se levasse a cabo o assassinato do sr. Mussolini, ou denunciar o seu amigo. Depois de longa luta consigo mesmo, o jornalista se decidiu pelo último caso e, com esse fim, informou à polícia a respeito da existência de um ‘complot’, pedindo que lhe permitisse que Zaniboni se expatriasse, como se fizera, em circunstância semelhante, com um dos irmãos de Garibaldi. A polícia isso lhe prometeu; mas, ulteriormente, havendo descoberto detalhes do ‘complot’ pelas próprias diligências, favorecidas pelas informações de Quaglia, retirou as promessas de garantia para Zaniboni e, imediatamente, exigiu do jornalista que revelasse quanto sabia, sob a ameaça de encarcerá-lo como cúmplice da conspiração. O sr. Quaglia confessou, então, o que sabia sobre os planos de Zaniboni, negando-se, sem embargo, a revelar os nomes dos seus cúmplices. A polícia fez, então, vigiar todos os passos do jornalista e obteve assim outras pistas com as quais conseguiu descobrir todos os pormenores do ‘complot’. Quaglia foi preso ao mesmo tempo que Zaniboni, mas esteve detido apenas 48 horas. Segundo se pensa, o sr. Mussolini agradecerá pessoalmente ao sr. Quaglia as suas declarações. [...]”

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Primeiras edições

Da edição de 13 de novembro de 1895, quarta-feira, n. 37

Greve

“Noticiamos ontem estar em greve a maioria dos oficiais serralheiros, fundidores e mecânicos das oficinas desta capital. A greve, que ainda não está resolvida, teve por móvel um convênio firmado pelos proprietários dessas oficinas, tendente a restringir certas vantagens de que gozavam os operários. Os principais pontos visados pelo convênio eram: a alteração do horário, que ficava estabelecido em 10 ½ horas no verão e 9 no inverno, com intervalo de 15 minutos para almoço e de 2 horas para jantar; o trabalho seria contado por hora, e não por dia, semana ou quinzena, como até aqui; distribuição a cada operário de uma caderneta, para nela serem lançados os assentamentos relativos a seu trabalho; desconto de uma certa parte do salário do operário para garantia de qualquer peça de ferramenta ou maquinismo que pelo operário pudesse ser extraviada ou inutilizada. São signatários desse convênio os srs. Guilherme Knack & Filho, Guilherme Bostelmann, F. Sanders & C., Berta & C., Gustavo Hugo e Kaiser & C. [...]”

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Ilha da Trindade

“Não são exatos os boatos que aqui [Rio de Janeiro] circularam de que o governo da Inglaterra tinha resolvido não entregar ao Brasil a ilha da Trindade. Esses boatos influíram logo sobre o câmbio, que baixou sensivelmente. A Notícia deu curso a esses boatos, acrescentando que, a serem eles verdadeiros, o governo do Brasil enviaria os passaportes ao sr. Phipps, ministro inglês nesta capital. Os jornais de hoje dizem que o ministro do Exterior declarou nada estar ainda resolvido sobre o assunto. Segundo o Jornal do Comércio, o dr. Carlos de Carvalho mostrou-se contrariado com uma publicação feita pela Notícia sobre a entrega de passaportes, estigmatizando o procedimento dessa folha e declarando não estar ainda aberta a questão e que o governo não cogitava, no momento, de rompimento de relações diplomáticas, não passando tais boatos de especulações de bolsistas.”

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O dia 13 de novembro na história

  • 1850 Nasce na Escócia o escritor, poeta e ensaísta Robert Louis Stevenson, autor de “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”.
  • 1868 Morre em Paris o compositor italiano Gioachino Rossini, autor do “Barbeiro de Sevilha”.
  • 1887 Bloody Sunday: Protestos contra o desemprego e leis coercitivas sobre os irlandeses terminam em confronto entre manifestantes e a polícia, em Londres.
  • 1915 Após a invasão de marines americanos, o Haiti se torna um protetorado dos EUA.
  • 1917 Primeira Batalha do Monte Grappa: o exército italiano consegue conter a ofensiva austro-húngara durante a Primeira Guerra Mundial.
  • 1918 As tropas aliadas ocupam Constantinopla, capital do Império Otomano.
  • 1940 Lançado em Nova Iorque o filme musical animado “Fantasia”, clássico de Walt Disney.
  • 1942 As frotas americanas e japonesas realizam uma das maiores batalhas navais da Segunda Guerra, em Guadalcanal, no Pacífico.
  • 1945 O general Charles de Gaulle é eleito chefe do governo provisório francês.
  • 1950 O general Carlos Delgado Chalbaud, presidente da Venezuela, é assassinado em Caracas.
  • 1955 O general Pedro Aramburu assume a presidência da Argentina.
  • 1955 Nasce em Nova Iorque a atriz e comediante americana Whoopi Goldberg.
  • 1956 A Suprema Corte americana declara ilegal a lei do estado do Alabama que permite a segregação racial em ônibus.
  • 1968 Lançado nos EUA o longa-metragem “Yellow Submarine”, dos Beatles.
  • 1985 O vulcão Nevado del Ruiz, na Colômbia, entra em erupção e derrete geleira, provocando um “lahar” (deslizamento vulcânico) que soterra a cidade de Armero, matando cerca de 23 mil pessoas.
  • 1994 A Suécia aprova em referendo passar a integrar a União Europeia.
  • 1995 Moçambique se torna o primeiro país a integrar o Commonwealth sem nunca ter feito parte do Império Britânico.
  • 2002 O navio petroleiro grego Prestige afunda na costa da Galícia, derramando 63 mil toneladas de óleo no mar.
  • 2015 O grupo jihadista Estado Islâmico executa uma série de ataques terroristas coordenados em Paris, matando 130 pessoas.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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