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Golpe militar na Polônia depõe o governo eleito

Da edição de 15 de maio de 1926, sábado, n. 113

Golpe de Maio, liderado pelo marechal Pilsudski, implantou regime controlado pelos militares que perdurou até a Segunda Guerra
Golpe de Maio, liderado pelo marechal Pilsudski, implantou regime controlado pelos militares que perdurou até a Segunda Guerra Foto : CP Memória

“Quatro regimentos revolucionários de Kielce e Siedlce, num total de 2.500 homens, marcham sobre a capital, já tendo alcançado Rembertów. O governo mandou artilhar as pontes sobre o Vístula.”

“Após o rompimento das negociações de paz entre o presidente da República, sr. Wojciechowski, e o marechal Piłsudski, chefe do movimento, as forças revolucionárias entraram na capital, ocupando quartéis e edifícios públicos, que agora se acham fortemente guardados. Os membros do governo refugiaram-se no palácio presidencial. O marechal Piłsudski, que domina todo o país, impôs as seguintes condições de paz: renúncia dos membros do gabinete; nomeação de um Ministério chefiado pelo marechal; dissolução do parlamento e nova eleição geral. Interpreta-se essa atitude do marechal como uma exigência tendente a constituir-se ele ditador. O chefe da rebelião exige também várias pastas para o chefe do partido radical agrário na Câmara e para outros políticos.”

“O governo polaco, tendo resolvido evitar, ontem, o ataque à cidade, as tropas do marechal Piłsudski entraram em Varsóvia sem combate. O gabinete esteve reunido à noite, sendo desconhecidas as decisões que tomou devido às instruções que têm as comunicações com o estrangeiro. As tropas do governo retiraram-se para a margem esquerda do Vístula. O marechal Piłsudski enviou um ‘ultimatum’ ao presidente da República, exigindo a imediata demissão do gabinete.”

“Chegaram aqui [Berlim] notícias de que os revolucionários entraram em Varsóvia e sustentaram combates renhidos. Escalaram eles o castelo do presidente e estavam em preparativos para atacar o Belvedere.”

“Uma informação aqui [Viena] recebida diz que os ‘esquerdistas’ moderados polacos estão descontentes pelo fato de o primeiro-ministro Witos não ter escolhido o marechal Piłsudski para ministro da Guerra, sendo esse alto comandante a força principal em que se apoia a revolução. Afirma-se também que os ‘esquerdistas’ temem o sr. Witos, a quem acusam de ser joguete nas mãos do sr. Korfanty. Os reacionários agrários pretendem dar um golpe ulterior contra o seu grupo. Foi relembrado que o marechal Piłsudski, há um mês atrás, fizera a ameaça do estabelecimento de uma ditadura.”

“Os operários de Lemberg, na Cracóvia, fizeram uma grande manifestação a favor do marechal Piłsudski. O corpo de aviadores, leal ao governo do sr. Witos, permitiu a este político organizar a marcha dos reforços para a capital, apesar de estar o marechal Piłsudski de posse dos telégrafos e dos telefones.”

O chamado Golpe de Maio polonês foi liderado pelo marechal Josef Pilsudski, figura dominante da política do país no pós-Primeira Guerra. O governo do presidente democraticamente eleito Stanisław Wojciechowski e do primeiro-ministro Wincenty Witos foi derrubado e Ignacy Mościcki foi colocado na presidência, cargo que ocuparia até a invasão alemã na Segunda Guerra. Pilsudski, no entanto, permaneceu como o governante de facto até sua morte, em 1935.

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Norge

“Várias estações radiotelegráficas receberam sinais pedidos pelo ‘Norge’, dizendo que o dirigível marchava em direção ao Alasca [em expedição de exploração geográfica liderada pelo norueguês Roald Amundsen], mas sem indicar a posição em que se encontrava. Mais tarde, os operadores tentaram em vão entrar em contato com o dirigível, porque os seus sinais eram talvez perturbados pelas estações particulares e pelos aparelhos dos navios em alto mar. Os habitantes do Alasca, onde Amundsen esteve várias vezes, passaram toda a noite acordados para receber o seu amigo.”

“A estação radiotelegráfica de Seattle recebeu um aviso de que o dirigível ‘Norge’ passou sobre Point-Barrow [área no extremo norte do Alasca] à 1 hora e 30 minutos.”

“O Instituto Meteorológico norueguês declarou que o ‘Norge’ estava em viagem, quarta-feira, sob o melhor tempo possível, não havendo ventos. Não foi encontrada terra alguma e nenhum sinal de vida animal. Observou o sr. Amundsen o polo, onde se viam apenas extensões de gelo e água. Pelo ‘bureau’ da imprensa publicou o Aero-Club uma nota, dizendo que não havia recebido notícias diretas do explorador Amundsen desde as três horas e trinta minutos da manhã de quarta-feira.”

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O dia 15 de maio na história

  • 1848 A Revolução Siciliana, a primeira das Revoluções de 1848, é finalmente extinguida após mais de 4 meses.
  • 1859 Nasce em Paris o físico e químico francês Pierre Currie, parceiro de pesquisa de Marie Currie sobre a radioatividade.
  • 1891 Nasce em Kiev o escritor e dramaturgo russo Mikhail Bulgákov, autor de “O Mestre e Margarida”.
  • 1905 A cidade de Las Vegas é fundada no deserto de Nevada, nos EUA.
  • 1918 Termina a Guerra Civil Finlandesa entre socialistas (vermelhos) e anti-socialistas (brancos), com a vitória dos brancos.
  • 1932 O primeiro-ministro japonês Inukai Tsuyoshi é assassinado em tentativa frustrada de golpe.
  • 1943 O líder soviético Josef Stalin dissolve o Comintern (Terceira Internacional).
  • 1945 A última batalha na Europa da Segunda Guerra Mundial acontece próxima a Prevalje, na Eslovênia.
  • 1945 Getúlio Vargas funda no Rio de Janeiro o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
  • 1948 Nasce em Suffolk o músico, compositor, produtor e artista visual inglês Brian Eno, pioneiro da música eletrônica.
  • 1957 Operação Grapple: a Grã-Bretanha testa sua primeira bomba de hidrogênio em explosão na ilha Malden, no Pacífico Sul.
  • 1972 O candidato à presidência dos EUA e governador do Alabama, o segregacionista George Wallace, é baleado em Maryland.
  • 1988 As tropas soviéticas iniciam a retirada do Afeganistão após 8 anos de guerra.
  • 1991 Édith Cresson se torna a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro francês.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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