Há um Século no CP

Inaugura na Capital a exposição colonial em celebração ao 50° aniversário da imigração italiana

Da edição de 5 de dezembro de 1925, sábado, n. 289

Após a primeira exposição realiza em Caxias, a mostra de produtos e atividades da colônia italiana no Rio Grande do Sul celebrou em Porto Alegre o primeiro meio século da imigração
Após a primeira exposição realiza em Caxias, a mostra de produtos e atividades da colônia italiana no Rio Grande do Sul celebrou em Porto Alegre o primeiro meio século da imigração Foto : CP Memória

“Está marcada para hoje, às 14 horas, a inauguração do grande certame colonial promovido pela grande comissão do cinquentenário. Concorrem a esta exposição, como é do conhecimento público, italianos e seus descendentes, que assim procuram, de uma forma expressiva, recordar a passagem da chegada da primeira leva de imigrantes da bela terra do país mediterrâneo a esta parte do nosso país.

Do que será esta exposição já tivemos oportunidade de falar por diversas vezes. Servirá ele para demonstrar o trabalho fecundo de italianos e de ítalo-brasileiros, durante o período de cinquenta anos. Servirá ainda para demonstrar o grau de progresso a que atingiram a agricultura e a indústria na região colonial.

O recente certame preparatório efetuado em Caxias foi uma prova evidente de que aquela parte da região é prosperíssima em vários ramos de atividade.

Hoje não se avaliará somente o trabalho dos caxienses, mas também, teremos ocasião de constatar os esforços de milhares de descendentes da velha península, espalhados pelos municípios que formam a região colonial. O que eles fizeram no campo agrícola e terreno industrial é uma obra vastíssima.

Assim, sob a mais entusiástica expectativa, se inaugurará a exposição comemorativa do cinquentenário, devendo parecer a este ato o comendador Montagna, como enviado especial do governo italiano, o dr. Borges de Medeiros, presidente do Estado, e tudo o que de mais representativo possui a metrópole, seu comércio, sua indústria, sua ciência e suas artes rio-grandenses.

Enfim, um grande acontecimento constituirá o ato a realizar-se dentro de poucas horas. A colônia italiana correspondeu carinhosamente ao apelo feito pelo comitato presidido pelo dr. João Campelli, cognominado “o pai espiritual da colônia”.

Este comitato terá também a mais íntima satisfação de mostrar ao generoso país, que hospeda milhares de seus compatriotas, o quanto tem sido eficaz a colaboração dos italianos e seus descendentes nos grandes destinos do Rio Grande do Sul.

E mostrará ainda, orgulhoso, o trabalho inteligente, quando reina a concórdia, mantendo altos os sentimentos pátrios. Será, portanto, uma nova prova do nobilíssimo e fecundo patriotismo, que sempre guiou a raça.

Ativamente vêm prosseguindo os trabalhos, há semanas, para a preparação do grande certame. Os mostruários têm chegado de todos os pontos do Estado, quase diariamente, dando isso febril trabalho à comissão encarregada de colocá-los nesta ou naquela seção, por que se divide a exposição. Em todo o recinto só se notava um grande número de operários e de artistas, empenhados em preparar o local para os mostruários, que são verdadeiramente belíssimos.

O ato inaugural, como dissemos, se realizará às 14 horas, devendo falar, por essa ocasião, o dr. João Campelli, presidente do Comitê Central, que fará uma larga exposição dos motivos que os levaram a realizar tão importante certame.

Logo após far-se-ão ouvir os coros dos alunos das escolas e de senhoritas italianas, iniciados com o hino brasileiro, sob a direção dos maestros Amedeo Lucchesi e Alexandre Gnattali.

Tal é, em poucas palavras, o significado da cerimônia de hoje, que servirá ainda para mostrar a situação de prosperidade de uma região do Estado, toda devotada ao trabalho. [...]”

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Comando de voz

“Comunicado recente de Londres insere um caso muito curioso. Curioso, apenas, é pouco: um caso positivamente de embasbacar e, se a emoção for forte, de enlouquecer até. Figure-se um invento que transforma os sons da voz humana em ondas aéreas. É de estarrecer! E ondas, informa o inventor, o jovem engenheiro M. H. Pearson, de Nottingham [Inglaterra] que têm um poder enorme. Graças a elas — continua a informação — pode-se ordenar a um motor elétrico que funcione ou uma lâmpada elétrica que se acenda, e o motor e a lâmpada obedecem imediatamente. Pena é, realmente, que se não dêem detalhes sobre o prodigioso aparelho; ao menos, para ‘tirar um tempo’. O que se anuncia é simplesmente isto: na abertura da exposição de eletricidade de Nottingham, Pearson fez funcionar seu aparelho perante os convidados. Munido dele, dirigiu-se a um dos motores elétricos lá instalados, dizendo simplesmente:

— Em marcha!

E o motor obedeceu. Logo se aproximou de uma lâmpada elétrica apagada e ordenou:

— Acende-te!

E a lâmpada acendeu instantaneamente. A assistência, perplexa e na sua estupefação delirante, aclamou ruidosamente Pearson. Mas... reparamos agora que esse nome também é o de famosa creolina universal. Não se tratará de um reclame?”

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Primeiras edições

Da edição de 5 de dezembro de 1895, quinta-feira, n. 55

Indenização

“Consta-nos que o dr. Egydio Itaquy tem procuração de grande número de fazendeiros deste Estado para requerer ao governo federal indenização de prejuízos causados durante o período revolucionário.”

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Farmácia

“Sabemos que o conselho municipal [de Porto Alegre] já votou um auxílio para a fundação do curso de farmácia projetado pela Sociedade União Farmacêutica.”

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O dia 5 de dezembro na história

  • 1456 Dois terremotos de magnitude extrema atingem o Reino de Nápoles, no sul da Itália, causando grande destruição e matando cerca de 70 mil pessoas.
  • 1496 O rei Manuel I de Portugal decreta a expulsão de todos os judeus do reino.
  • 1791 Morre em Viena o compositor Wolfgang Amadeus Mozart aos 35 anos.
  • 1848 O presidente americano James Polk anuncia ao congresso a descoberta de grande quantidade de ouro no estado da Califórnia.
  • 1865 Peru e Chile formam uma aliança contra a Espanha durante a guerra das Ilhas Chincha.
  • 1870 Morre o escritor e dramaturgo francês Alexandre Dumas pai, autor de “Os Três Mosqueteiros”, “O Conde de Montecristo”, entre outros.
  • 1891 Morre no exílio na França o imperador brasileiro D. Pedro II.
  • 1901 Nasce em Chicago o animador, diretor, produtor e roteirista Walt Disney.
  • 1914 A Expedição Imperial Transantártica, liderada por Sir Ernest Shackleton, inicia a tentativa de cruzar por terra o continente antártico.
  • 1921 A Associação de Futebol (FA) inglesa bane a prática do futebol feminino no país; proibição irá durar 50 anos.
  • 1926 Morre no França o pintor Claude Monet, fundador do impressionismo.
  • 1933 Termina oficialmente a Lei Seca nos EUA, período de proibição de produção, distribuição, venda e consumo de bebidas alcoólicas.
  • 1934 Tropas italianas atacam a cidade etíope de Walwal e a conquistam após 4 dias.
  • 1936 A República Socialista Soviética Quirguiz é incorporada à URSS.
  • 1952 Começa o período de quatro dias do “Great Smog” de Londres: intenso nevoeiro associado à severa poluição do ar; órgãos oficiais estimam em 4 mil as mortes por intoxicação.
  • 1967 Criada a Fundação Nacional do Índio (atualmente Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Funai).
  • 2012 Morre no Rio de Janeiro o arquiteto Oscar Niemeyer, importante vulto da arquitetura moderna, autor dos projetos de Brasília e da sede da ONU em Nova Iorque, entre outros.
  • 2013 Morre Nelson Mandela, advogado e político sul-africano, preso político do regime do apartheid e primeiro presidente da África do Sul.
  • 2017 O Comitê Olímpico Internacional bane a Rússia das competições dos Jogos de Inverno de 2018 por doping na edição de 2014.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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