Há um Século no CP

Iniciava a revolta tenentista do Rio Grande do Sul

A edição do dia 30 de outubro de 1924, quinta-feira, noticiava:

Depois de originar rebeliões em São Paulo, Sergipe, Mato Grosso e Amazonas, o movimento tenentista produziu no Rio Grande do Sul um levante de consequência mais duradoura que as tentativas anteriores. Parte das tropas aquarteladas na região das Missões se converteria, logo mais, na famosa Coluna Prestes, que iria transformar seu líder, Luís Carlos Prestes, em uma das personalidades mais importantes da história brasileira do século XX. Além do elemento militar, o levante contou com a participação de caudilhos ligados à Aliança Libertadora, de oposição ao presidente do Estado, Borges de Medeiros. Essa agitação tinha, portanto, implicações tanto regionais, quanto nacionais
Depois de originar rebeliões em São Paulo, Sergipe, Mato Grosso e Amazonas, o movimento tenentista produziu no Rio Grande do Sul um levante de consequência mais duradoura que as tentativas anteriores. Parte das tropas aquarteladas na região das Missões se converteria, logo mais, na famosa Coluna Prestes, que iria transformar seu líder, Luís Carlos Prestes, em uma das personalidades mais importantes da história brasileira do século XX. Além do elemento militar, o levante contou com a participação de caudilhos ligados à Aliança Libertadora, de oposição ao presidente do Estado, Borges de Medeiros. Essa agitação tinha, portanto, implicações tanto regionais, quanto nacionais Foto : CP Memória

“O dr. Borges de Medeiros. presidente do Estado, recebeu ontem pela manhã comunicações de um levante de algumas forças federais aquarteladas na região missioneira e na fronteira do Estado. Segundo esses comunicados, na noite de anteontem para ontem o regimento do Exército Nacional com sede em S. Borja revoltara-se, prendendo as autoridades civis e militares daquela cidade e guarnecendo a estação telegráfica. [...] Ao mesmo tempo que se levantavam os destacamentos de Santo Angelo e S. Borja, as guarnições de Uruguaiana e S. Luiz também se revoltavam, denunciando um movimento simultâneo na fronteira missioneira do Estado. Imediatamente o presidente do Estado conferenciou, no palácio do governo, com o general Eurico de Andrade Neves, comandante da Região Militar, com o qual assentou as primeiras medidas de combate ao movimento sedicioso. À tarde, das 14 horas e meia às 16 horas e 45, os srs. presidente do Estado e comandante da Região conferenciaram pelo telégrafo com o sr. presidente da República. Entre as medidas assentadas, figura a partida do 7º Batalhão de Caçadores desta capital para a zona sublevada. [...] Ficou, mais, combinada entre as altas autoridades federais e estaduais, a organização de novas forças, que seguirão para a fronteira em caso de necessidade. [...] Conhecidas as primeiras notícias do levante militar, circularam boatos insistentes de que fora decretado o estado de sítio para o Estado do Rio Grande. Segundo nos informaram no Quartel General da Região, até às onze horas de ontem o governo ainda não havia adotado essa medida. [...]”

Reconhecimento francês

“O sr. Tchitcherin, ministro das Relações Exteriores, recebeu do sr. Herriot, primeiro ministro francês, a comunicação do reconhecimento dos ‘soviets’ por parte da França. Esse reconhecimento é completo e incondicional.

“O telegrama enviado [...] lembra a amizade franco-russa e propõe uma troca imediata de embaixadas como prefácio do acordo geral [...] concluindo o telegrama por dizer que fica entendido que a não intervenção nos negócios internos será a regra [...]”

Da seção ‘Bagatelas’

“O ensino, no Brasil, torna-se como os cardápios, dia a dia mais indigesto. [...] Ingere-se, ...] ‘supreme de volaille’, ou ‘créme Saint Germain’. [...] Os estudos clássicos desapareceram da escola. A consequência funesta do abandono é que o estilo no qual comemos e em que falamos inçam-se igualmente de galicismos, de anglicismos, de germanismos, de toda a espécie de barbarismos rebarbativos que viciam o gosto e debilitam o estômago. [...] Não temos ensino nacional, como não temos cozinha nacional. [...] — João Agudo

O dia 30 de outubro na história

  • 1817 Simón Bolívar se torna presidente da Terceira República da Venezuela.
  • 1905 Na sequência da Revolução daquele ano, o czar Nicolau II concede liberdades civis ao povo russo e o direito a formar a assembleia legislativa (Duma).
  • 1938 Orson Welles transmite uma adaptação radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells, gerando pânico de massa em parte da audiência.
  • 1960 Nasce em Lanús, região metropolitana de Buenos Aires, o jogador Diego Armando Maradona.
  • 1961 A URSS explode no arquipélago de Novaya Zamlya a bomba termonuclear Tsar, a mais potente já criada e testada, com poder energético de 50 a 58 megatons.
  • 1973 A Ponte do Bósforo é concluída, ligando os continentes europeu e asiático.
  • 1983 A Argentina realiza suas primeiras eleições democráticas após sete anos de ditadura militar.
  • 1988 Ayrton Senna é campeão mundial de Fórmula 1 pela primeira vez.
  • 1995 O Quebec permanece como província canadense após referendo ser decidido por pouco mais de um ponto percentual a favor da união.
  • 2007 O Brasil é eleito pela FIFA para sediar a Copa do Mundo de 2014.
  • 2009 Morre o antropologista e etnólogo francês Claude Lévis-Strauss.
  • 2014 A Suécia se torna o primeiro país da União Europeia a reconhecer o Estado da Palestina.
  • 2022 Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente do Brasil pela terceira vez.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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