Há um Século no CP

Morte em pleno voo na travessia aérea Londres-Austrália

Da edição de 9 de julho de 1926, sexta-feira, n. 160

Ao sobrevoar região pantanosa do sul do Iraque, o hidroavião foi alvejado por tiro que matou o mecânico
Ao sobrevoar região pantanosa do sul do Iraque, o hidroavião foi alvejado por tiro que matou o mecânico Foto : CP Memória

“Um grave acidente inutilizou os esforços do aviador britânico [Allan] Cobham para realizar um voo de ida e volta à Austrália. O mecânico [Arthur B.] Elliot, único companheiro do arrojado aviador nessa prova sensacional, morreu em Bassara [Basra, cidade portuária do sul do Iraque] em consequência do ferimento que recebeu, não pela explosão do tubo condutor do petróleo, como a princípio se supusera, mas por bala, que parece ter sido disparada contra o hidroavião por algum árabe errante nos pântanos existentes nas regiões próximas ao lago de Hammar, sobre os quais voavam. O aviador Cobham conta, em telegrama enviado ao ‘Daily Mail’, que, devido a uma forte tempestade de areia que lhe interceptava a visibilidade, fora obrigado a voar sobre os pântanos, na altitude de 70 pés. A explosão que ele ouvira deve ter sido o tiro da carabina. A bala trespassou a ‘cabine’, o saco da correspondência oficial e um embrulho de fotografias que levava para a Austrália, despedaçou o encanamento de petróleo e, passando através do braço de Elliot, penetrou-lhe no peito. O aviador diz que todas as autoridades foram informadas, às quais indicara aproximadamente o local de onde partiu o tiro. Segundo indicações colhidas, a região em que se deu o atentado é inculta e despovoada. Imediatamente as autoridades tomaram as providências necessárias, instaurando um inquérito, a fim de esclarecer a justiça. Em despacho anterior, o aviador Cobham relatou o acontecimento e declarou que, quando ouviu a explosão, parou a máquina e perguntou a Elliot se havia fogo. Elliot respondeu-lhe que tinha sido ferido e que estava perdendo muito sangue. O aviador Cobham passou-lhe um lenço e então, olhando para fora do avião, viu que atravessava aquela região desolada e sulcada de pântanos, decidindo então ir a toda velocidade em direção a Basra, a 100 milhas de distância. Depois de descer em Basra, encontrou Elliot pálido e com as vestes cheias de sangue. Elliot portara-se com extraordinária bravura naquela contingência terrível. Fez-se uma intervenção cirúrgica, a que não resistiu o seu denodado companheiro. Elliot era jovem e um brilhante mecânico, que já acompanhara no voo de ida e volta a Rangoon [Yangon, cidade mais populosa de Mianmar, no sudeste asiático], recentemente realizado através da África, em todo o seu comprimento. Na Inglaterra e na Colônia do Cabo, o aviador Cobham, frequentemente reconheceu a importância de Elliot, fator do êxito desses voos. ‘Quanto aos meus planos futuros’, disse o aviador Cobham, ‘agora que perdi o meu companheiro, são incertos’.”

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Mosquitos

“Uma obra importante de saneamento falta executar na nossa capital. É o extermínio dos mosquitos. Enquanto houver mosquitos em nossas habitações, poderá afirmar-se que o nosso estado sanitário não é perfeito e deve ser melhorado. De fato, os mosquitos geram-se exclusivamente em águas estagnadas, nunca em águas correntes, ou lagos onde existem peixes, pois estes alimentam-se também com seus ovos e larvas. De forma que a presença desses insetos num local denuncia, de modo positivo, a existência de brejo nas imediações, visto que geralmente eles não se afastam a mais de dois quilômetros dos charcos onde nasceram. Os brejos sempre foram tidos, desde a mais remota antiguidade, como perniciosos para a saúde do homem. A higiene moderna, entretanto, nos diz que não são propriamente as exalações das águas estagnadas que causam maior dano e sim os mosquitos que nelas se geram e veiculam, de um para outro lugar, os germes infecciosos que nos inoculam com as suas picadas. Esta divergência entre a ciência e a tradição popular pouco importa no caso, visto que brejos e mosquitos acham-se estreitamente vinculados, e para suprimir uns é forçoso destruir os outros. Infelizmente para nós, as águas estagnadas abundam em volta do centro da cidade, disseminadas em centenas de depressões nos bairros de Menino Deus, São João e Navegantes. Essas zonas apresentam este inconveniente porque são perfeitamente planas, não tendo, por conseguinte, a declividade necessária para o escoamento das águas da superfície do solo. E, até hoje, nada absolutamente se fez para remediar o mal. Ali se torna indispensável construir, nas ruas com direção ao Guaíba, grandes canalizações subterrâneas, de um metro ou mais de diâmetro, a exemplo das que se assentaram nas ruas República e Lopo Gonçalves para esgotamento da bacia do Campo da Redenção. Sem esses becos, as águas volumosas das enxurradas transformam as ruas em verdadeiros rios, submergem os passeios e invadem os prédios laterais. [...]”

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O dia 9 de julho na história

  • 1763 Começa o “grand tour” de três anos da família Mozart apresentando-se pela Europa; Wolfgang tinha sete anos.
  • 1816 A Argentina declara independência da Espanha; data nacional argentina.
  • 1868 A 14ª Emenda à constituição americana confere cidadania plena a todos os afroamericanos.
  • 1877 Começa a primeira edição do torneio de tênis de Wimbledon, em Londres.
  • 1900 A constituição da Federação da Austrália recebe a sanção da rainha Vitória, da Grã-Bretanha.
  • 1932 Começa a Revolução Constitucionalista em São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas.
  • 1935 Nasce em San Miguel de Tucumán a cantora argentina Mercedes Sosa.
  • 1943 Começa a invasão aliada da Sicília durante a Segunda Guerra Mundial.
  • 1956 Nasce na Califórnia o ator americano Tom Hanks.
  • 1964 Nasce em San Francisco a cantora, guitarrista e atriz americana Courtney Love.
  • 1970 O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é fundado.
  • 1980 Morre no Rio de Janeiro o poeta, diplomata, letrista, músico e dramaturgo Vinicius de Moraes, ícone da bossa nova.
  • 2002 A organização União Africana é fundada em Adis Abeba, na Etiópia.
  • 2011 O Sudão do Sul adquire independência do Sudão.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios