“O ‘Jornal do Commercio’, em sua primeira ‘varia’ de hoje, diz o seguinte: ‘Todos os documentos e indícios que nos chegam da Europa e dos Estados Unidos mostram como a opinião esclarecida do estrangeiro julga com imparcialidade os recursos e o futuro do Brasil e reconhece os esforços que o atual governo vai desenvolvendo para regularizar a situação econômica em geral’. Refere-se aos termos do recente telegrama do general Pershing e a um tópico do relatório publicado no fim do mês passado pela diretoria do London Bank, no qual esta declamava ser de justiça reconhecer que o presidente Bernardes, durante os seus dois anos de governo, consagrou toda a sua atividade em bem servir à Nação [...] e que, dentro de dois anos, se as condições do País forem normais, só será lícito esperar excelentes resultados da política financeira do governo. Em seguida, publica o ‘Jornal do Commercio’ a tradução de um artigo enviado pelo correspondente especial do ‘Times’ no Brasil, e estampado naquele grande órgão da imprensa londrina sob o seguinte título: ‘A situação do Brasil e a enérgica atitude do seu presidente’. Este artigo, entre outras cousas, diz o seguinte: ‘A tenacidade e a determinação do dr. Bernardes são de tal ordem que aqueles mesmos que não concordam com ele politicamente lhe rendem plena admiração. A cada passo, ele tem tido o seu governo embaraçado por deslealdades, intrigas e negocismos políticos. Apesar disso, empreendeu resolver duma vez difíceis questões. Assim, a defesa e a valorização do café, iniciar melhoramentos para prolongar as linhas nacionais de transportes, reorganizar os serviços públicos, o Exército e a Marinha; instituir a experiência, um tanto ousada, da tributação direta; controlar e diminuir a circulação fiduciária e rever as tarifas alfandegárias, tudo constitui um programa nada leve para as circunstâncias atuais. É de se esperar que haja agora para o governo um período de calma, durante o qual possa ele atender essas reformas.’”
Primeiro Mundo
“O primeiro fascículo do Anuário Estatístico do Uruguai, já publicado, corresponde aos anos de 1922 e 1923 com a estatística demografo-sanitária. Nota-se uma diminuição importante nos algarismos da mortalidade desde 1916, em que foram registrados 20.000 óbitos numa população de 1.360.000 habitantes, ou seja, quase 15 por 1.000. Em 1923, com uma população de 1.600.000 almas, o número de óbitos foi pouco superior a 18.000, ou 11,2 por 1.000, mais ou menos. O coeficiente de 1923 é notavelmente inferior no coeficiente médio correspondente aos últimos 25 anos, que foi de 13,15 por 1.000 e mais baixo igualmente que a porcentagem de cada um dos quinquênios que formam aquele período, a saber: 1899-903, 13,53 por 1.000; 1904-908, 12 por 1.000; 1909-913, 13,91 por 1.000; 1914-918, 13,10 por 1.000; 1919-923, 12,04 por 1.000. Deduz-se daí que a mortalidade uruguaia vai em contínuo decrescimento e a linha descritiva só foi quebrada em 1909-13 — 13,91 por 1.000 — porque em 1910 houve em Montevidéu uma epidemia de varíola. E, comparado com os principais países, aquele coeficiente é muito lisonjeiro, pois só a Inglaterra apresenta um próximo do Uruguai, ou seja 14,5 por 1.000. A Alemanha acusa 17 por 1.000; a França, 19 por 1.000; a Itália, 21 por 1.000 e a Espanha, 24 por 1.000. O coeficiente uruguaio só é igualado pela União Australiana e pela Nova Zelândia.”
O namoro entre o fascismo e a elite
“O Circolo della Caccia deu um banquete em honra do sr. Mussolini, tendo sido o brinde de honra pronunciado pelo príncipe Prospero Collonna, que declarou ser, certamente, grato ao chefe do gabinete ministerial receber esta homenagem de amigos alheios a qualquer paixão. O sr. Mussolini respondeu que essa manifestação lhe ficaria gravada na memória, visto partir ela não de políticos, mas de patriotas alheios à política. Estiveram presentes cerca de 200 membros de clubes e pertencentes às mais ilustres famílias aristocráticas, como fossem príncipes, marqueses, condes, duques, diplomatas nacionais e estrangeiros, ministros, senadores e deputados.”
O dia 11 de fevereiro na história
- 660 a.C. Data tradicional para a fundação do Japão pelo imperador Jimmu.
- 1650 Morre na Suécia o filósofo, cientista e matemático francês René Descartes.
- 1873 O rei Amadeo I de Espanha abdica do trono, desencadeando a proclamação da Primeira República Espanhola.
- 1889 A Constituição do Império do Japão, ou Meiji, é proclamada e permanece em vigor até a derrota do país na Segunda Guerra.
- 1907 Nasce em São Paulo o historiador, sociólogo, geógrafo, filósofo e político Caio Prado Júnior.
- 1917 Morre em Petrópolis, no Rio de Janeiro, o médico sanitarista, pesquisador, microbiologista e epidemiologista Oswaldo Cruz.
- 1929 O Reino da Itália e o Vaticano assinam o Tratado de Latrão, transformando a Cidade do Vaticano em um Estado independente.
- 1938 A BBC produz o primeiro programa televisivo de ficção científica da história, uma adaptação da peça “R.U.R.”, de Karel Capek, que cunhou o termo “robô”.
- 1963 Os Beatles gravam seu primeiro álbum, “Please Please Me”, em um único dia, em Londres.
- 1970 O Japão lança o satélite Ohsumi, se tornando o quarto país a colocar um objeto em órbita.
- 1972 Nasce na Flórida o surfista americano Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial.
- 1979 A Revolução Iraniana termina com a derrubada do regime da dinastia Pahlavi e o estabelecimento de uma teocracia sob a liderança do Aiatolá Khomeini.
- 1986 Nasce em Punta Arenas o presidente chileno Gabriel Boric.
- 1990 Nelson Mandela é libertado da prisão na Cidade do Cabo após 27 anos como preso político.
- 2011 A primeira onda da Primavera Árabe no Egito culmina com a demissão do presidente Hosni Mubarak.
- 2019 Morre em queda de helicóptero em São Paulo o jornalista Ricardo Boechat.
- 2020 A Organização Mundial da Saúde denomina oficialmente o surto de coronavírus como Covid-19 e o vírus como SARS-CoV-2.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
