“O ‘Reuter-Exchange Telegraph’ recebeu um telegrama de Genebra dizendo que o delegado brasileiro, sr. Mello Franco, declarou que o Brasil se retira do Conselho da Liga e deixa de fazer parte do mesmo instituto.” [...]
“Eis na íntegra a primeira ‘varia’ do ‘Jornal do Commercio’ [do Rio de Janeiro]: ‘Quando surgiu, em março último, a crise internacional determinada pela atitude intransigente e nobre do Brasil, reivindicando para a América um assento permanente no Conselho da Liga das Nações contra o trabalho desenvolvido pelas chancelarias europeias a fim de obter modificação do seu ponto de vista ou qualquer transação, houve aqui e fora daqui alguns elementos nossos, inveterados em fazer oposição sistemática, porque a Nação nunca consentira que se lhes dessem os foros de governar, que entenderam repetir as diatribes de alguns políticos e jornais europeus a fim de apresentar ao público como desastrada e prejudicial a atitude patriótica do governo naquela séria emergência. O ponto principal dessa crítica, que seria inepta e sem valor se não fosse impatriótica, estava no fato de haver o Brasil, decididamente e sob a sua inteira responsabilidade, resolvido usar do seu direito de veto no Conselho como uma arma legítima para se opor ao conluio organizado contra os superiores interesses seus e de toda a América. Toda a ridícula gritaria, justificada na boca dos políticos e jornalistas dos países cujos planos haviam sido fragorosamente obstados pela energia e esclarecida atitude do presidente da República, posta em execução com tino e oportunidade pela nossa chancelaria, veio de novo à baila pela inconsciência ou malícia de quem faz coro com os inimigos do País na imprensa internacional. Os que aqui leram ou ouviram repetidas vezes certas tolices enfaticamente escritas na imprensa estrangeira e contrárias aos interesses do Brasil, devem ler agora o trecho abaixo de um recente discurso pronunciado no Senado italiano pelo eminente Mussolini. Ao discutir-se o orçamento do Ministério do Exterior, referindo-se à Liga das Nações e ao problema da modificação do Conselho Executivo, o ilustre presidente do Conselho da Itália, depois de afirmar o apego do seu país ao princípio de humanidade nas deliberações do Conselho, disse textualmente: ‘Não podemos nos considerar como cabeça da constelação dos povos, não possuímos um séquito, mais ou menos abundante, de clientes. Temos, porém, a arma formidável do veto e a essa mesma não pretendemos renunciar de forma alguma'. Vê bem, pois, o público que o Brasil, usando oportunamente do seu direito de veto para defender os altos interesses próprios continentais contra o espírito regional de certas potências, não cometeu nenhum abuso de direito como se andou a repetir aqui, reproduzindo maliciosamente a expressão de certos jornais e de certos políticos estrangeiros, mas lançou mão altivamente duma arma legítima em defesa da honra e dos interesses da Nação. Que a frase de Mussolini, pronunciada com a responsabilidade plena de quem tem nos ombros uma tarefa de reorganização política e social formidável, já em grande parte brilhantemente realizada pelo estadista europeu mais combatido no momento, mas sem dúvida a força realizadora mais poderosa da Europa, sirva de lição aos maus brasileiros que procuram, num momento delicado da nossa vida internacional, lançar levianamente a confusão no espírito público’.”
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Riachuelo
“Comemora-se hoje a batalha de Riachuelo, vitória naval [durante a Guerra do Paraguai, em 1865], feito brilhante do intrépido almirante Barroso, cujo nome é um símbolo de glórias da nossa marinha de guerra. À medida que crescem os anos, mais refulge nos fastos da marinha nacional a figura varonil de Barroso, ladeada pelos vultos espartanos de Greenhalgh [João Guilherme Greenhalgh] e Marcílio Dias, que, enlaçados numa escada heróica para a glória, foram ambos sublimes e cedivos na hora suprema do triunfo, em que se jogava o destino do Brasil, cumprindo cada um com o seu dever. São, portanto, meritórias as tributadas homenagens, hoje, à memória daqueles que triunfaram numa luta que não provocamos, mas que aceitamos compelidos pela honra, pela dignidade e pelo civismo, que é o apanágio dos povos livres e soberanos. Os atos de descortesia, de desrespeito e afinal de afrontas feitos à nossa bandeira, à nossa integridade de nação livre e soberana, pelo déspota de Assunção [Francisco Solano López, militar e presidente do Paraguai], tiveram a repulsa imediata de todos os brasileiros que, pressurosos, formaram a patriótica legião dos voluntários. Se um povo não se viriliza nesses lances supremos em que periclitam a sua existência, em que um grande perigo o ameaça, está irremediavelmente perdido, espinhado, escravizado, desnacionalizado. Mas, se a centelha do patriotismo acende nos corações o fogo sagrado, então vibra a alma nacional e vemos em cada peito um baluarte, em cada braço um titã, em cada espada um raio, em cada sulcado um Leônidas. O Brasil pacifista consignou em sua Carta Constitucional o princípio da arbitragem para resolver questões internacionais e, se se empenhou em guerras externas no antigo regime, foi em prol dos fracos, dos oprimidos e para rebater a ofensa recebida de caudilhos que infelicitaram os povos irmãos deste continente; e assim libertou com o sangue de seus filhos os povos tiranizados pela tríade ominosa de Rosas, Oribe e López. A época do caudilhismo é uma sombra que se esbate no passado, pois hoje as nações latinas da América trabalham e prosperam sob o pálio da liberdade, solucionando os seus litígios internacionais pela arbitragem. É a força do direito que predomina no consenso dos povos americanos e não o direito da força, que foi abolido dos seus códigos e que tem sido a ruína dos povos do ocidente europeu.”
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Melhoramentos em Bagé
“Continuam trabalhando em Bagé as diversas turmas da municipalidade nas praças e ruas daquela cidade. Na praça Voluntários da Pátria já foi iniciado o calçamento sistema português e na Rio Branco já estão colocados todos os aparelhos para o esporte infantil. Nesta última praça estão empregados dezoito homens, funcionários da Diretoria de Obras Públicas e dirigidos pela mesma repartição. Em torno da praça Rio Branco vai ser colocada tela de arame para melhor regularizar os diversos jogos esportivos e garantir-se a conservação dos aparelhos. Esses logradouros públicos vão receber nova e abundante iluminação, cujos projetos já foram a estudos do intendente. O mercado já está recebendo pintura interna para a sua frequência à noite, já havendo projetos para a construção de diversos chalés onde existem as atuais bancas, antiestéticas. Os caminhões da intendência estão colocando macadame nas ruas que estão reclamando esse melhoramento.”
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População
“O sr. Émile Dermenghem, em artigo para ‘Formation’, avalia a população do globo terrestre. Qual é a população da Terra? Um milhar e meio, pouco mais ou menos, nos disseram na juventude. Hoje, avaliam que existem pouco mais ou menos 1.850 milhões de seres humanos sobre o nosso planeta. Mas o que é admirável é que, depois de um século, esta população aumentou numa proporção espantosa. Uma tal progressão não se poderia materialmente manter por muito tempo. Na proporção de 0,654%, a raça humana duplicaria no espaço de oitenta anos! Seriam mais de três milhares e meio no ano de 2000, de sete milhares e quatrocentos milhões em 2085, de quatorze milhares e oitocentos milhões em 2165, calcula na ‘Scientia’ o sr. G. H. Kulbbs, do Instituto Científico de Melbourne. Ora, se a população progredir sempre com esta velocidade no período de dez mil anos, a progênie de um só casal teria necessidade de mil trilhões de planetas iguais à Terra para fornecer o necessário a estes corpos. É possível que tais questões de divisão de população, seja sob o ponto de vista social ou também sob o ponto de vista racial, serão as mais graves do século vindouro. As diferenças de densidade são consideráveis: a Europa tem 115,7 habitantes por milha quadrada; a Ásia, 60,7; a América do Norte, 18,0; África, 10,6; América do Sul, 8,0; Oceania 0,6. Enquanto que a Bélgica tem 636, Alemanha 891, Itália 309, Japão 295, o Sudão não tem senão 4, a Sibéria 3,7, a Austrália 1,9.”
O dia 11 de junho na história
- 323 a.C. Morre na Babilônia o rei macedônio e conquistador Alexandre, o Grande.
- 1788 O explorador russo Gerasim Izmailov atinge o Alasca, iniciando o estabelecimento de colônias russas.
- 1805 Incêndio de proporções gigantescas destrói grande parte da cidade americana de Detroit.
- 1865 A Batalha Naval do Riachuelo ocorre em afluente do rio Paraná na província argentina de Corrientes, durante a Guerra do Paraguai, entre as marinhas brasileira e paraguaia.
- 1892 O Limelight Department, um dos primeiros estúdios cinematográficos do mundo, é fundado em Melbourne, Austrália.
- 1895 A “primeira corrida automotiva” da história, Paris-Bordeaux-Paris, acontece na França.
- 1903 Oficiais sérvios invadem o palácio real de Belgrado e matam o rei Alexandre I e a rainha Draga em golpe de Estado.
- 1910 Nasce em Saint-André-de-Cubzac o oficial naval, oceanógrafo e cineasta francês Jacques Cousteau.
- 1936 O engenheiro elétrico e inventor americano Edwin Armstrong faz a primeira demonstração pública da transmissão FM em Nova Jérsei.
- 1937 A URSS executa 8 líderes militares durante o Grande Expurgo ordenado por Stalin.
- 1939 Nasce em Milton o ex-piloto, apresentador e empresário escocês Jackie Stewart, tricampeão mundial de Fórmula 1.
- 1955 83 espectadores são mortos e ao menos cem ficam feridas após violenta colisão durante as 24 Horas de Le Mans, na França; é o acidente automobilístico mais mortal da história.
- 1959 Nasce em Oxfordshire o ator, comediante, músico e escritor inglês Hugh Laurie, famoso pelo personagem principal da série televisiva “House”.
- 1962 Nasce em Passo do Sobrado, interior gaúcho, o treinador Mano Menezes.
- 1963 O governador do Alabama, George Wallace, bloqueia a entrada de dois estudantes negros na Universidade do Alabama. Mais tarde, Vivian Malone e James Hood, acompanhados por soldados da Guarda Nacional, conseguem se matricular.
- 1963 O monge budista Thích Quảng Đức ateia fogo a si próprio em Saigon para protestar contra a falta de liberdade religiosa no Vietnã do Sul.
- 1964 Nasce em Avignon o ex-piloto francês Jean Alesi.
- 1974 Morre no Rio o militar Eurico Gaspar Dutra, presidente da República de 1946 a 1951.
- 1982 Estreia nos EUA o clássico filme “E.T. O Extraterrestre”, dirigido por Steven Spielberg.
- 2010 Começa na África do Sul a 19ª edição da Copa do Mundo de futebol, a primeira no continente africano.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
