“Os drs. C. V. Duval e Mauricio Couret, da Universidade de Nova Orleans, se têm ocupado especialmente de trabalhos patológicos e experiências bacteriológicas que lhes permitiram estudar as origens da lepra, seu modo de difusão e de contágio, fazendo com que acreditem na descoberta de um serum, podendo assegurar a imunidade contra esse terrível flagelo. Faz pois bastantes anos que os sábios da Luisiania têm contribuído muito para essas pesquisas. Os doentes são instalados no acampamento indiano de Iberville e, salvo algumas exceções, apresentam melhoras de seu estado: seis ou oito chegaram até à cura completa. O tratamento é simples: um bom regime, banhos quentes, alguns remédios; os progressos da cura fazem nascer a esperança de que a lepra desaparecerá completamente daquela região em poucos anos. Ao mesmo tempo que os clínicos se têm empenhado em remediar o mal, têm estudado as suas causas. Foi, até bom pouco, crença geral atribuir a lepra, como pensava o dr. Hutchison, ao uso do peixe não cozido e já estragado. O gérmen se parece ao bacilo da tuberculose, com a mesma forma e aspecto. Resiste aos antissépticos que destroem os outros micróbios. Resta agora descobrir o serum. Já os autores americanos conseguiram isolar o bacilo; aguardemos agora a profilaxia da terrível enfermidade.”
O Mycobacterium leprae, agente causador da hanseníase, foi descoberto em 1873 pelo médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, mas apenas em 1981 a Organização Mundial da Saúde definiu o tratamento padrão através da combinação de dapsona, rifampicina e clofazimina.
Agitação espanhola
“A bem dizer, o povo espanhol desinteressa-se pela política interna. É, afinal, o que se depreende da maior parte das críticas que se nos deparam. A Espanha vive presentemente um dos seus mais angustiosos momentos: na política interna — Monarchia e Diretório Militar — a campanha dos intelectuais, campanha sem altura e sem beleza, pode se dizer, porque não é local; na política externa, a luta ingrata, cruel de Marrocos, dirigida firmemente por Abd-el-Krim, o grande algoz. Mas disso tudo ressalta um fenômeno curioso: a opinião na Espanha se agita e desperta, mas contra os agitadores, contra os rifenhos indomáveis; a favor do rei e sua política, das instituições vigentes. Os nossos telegramas puseram em destaque esse fenômeno, detalhando as festas imponentíssimas de homenagem a Afonso XIII, às quais todas as classes do reino aderiram, até mesmo a duvidosa Catalunha, com os seus velhos pruridos de separatismo. E foi precisamente em Barcelona que o simpático soberano espanhol proferiu um dos seus melhores discursos [...]”
Desastre na missão
“Recebeu-se aqui um telegrama de Niamey [capital e maior cidade do Níger, à época colônia francesa], comunicando que o avião do piloto Vuillemin, um dos ‘raidsmen’ ao lago do Chade e em viagem de estudos à África do Norte, ao decolar, capotou, arrebentando-se no solo. Morreram o aviador e o mecânico, sargento Vandelle e outros oficiais estão feridos.
“Em virtude do desastre ocorrido com o avião do piloto Vuillemin, que se despedaçou em Niamey, morrendo o aviador e o mecânico, sargento Vendelle, e ficando feridos três oficiais, o subsecretário de Estado da Aeronáutica, sr. Laurent Eynac, acha que a missão ao lago Chad não se deve realizar com um só aparelho. Por isso telegrafou ao coronel Degoys, comandante da missão aérea de estudos à África do Norte, mandando que regresse a Dacar logo que se resolva a deixar Niamey.”
Oswaldo Cruz
“Faz anos, hoje, que desapareceu o sábio brasileiro Oswaldo Cruz. Homenageando a memória do ilustre morto, diversas famílias, amigos, admiradores, os funcionários do Instituto de Manguinhos, os da Saúde Pública e o representante do ministro da Justiça visitaram o seu túmulo. Em nome da fundação ‘Oswaldo Cruz’ falou o sr. Duarte Abreu, relembrando em frases comovidas a obra grandiosa do grande sábio. O túmulo achava-se vistosamente ornamentado.”
O médico paulista Oswaldo Gonçalves Cruz foi pioneiro no estudo das doenças tropicais e da microbiologia no Brasil. Dirigiu o Instituto Soroterápico Federal, no Rio de Janeiro, posteriormente transformado na Fundação Oswaldo Cruz, vinculada ao Ministério da Saúde. O médico e pesquisador morreu em 11 de fevereiro de 1917.
O dia 13 de fevereiro na história
- 1726 O levante Mapuche contra os espanhóis chega ao fim no Chile com o encontro diplomático entre os indígenas e autoridades coloniais em Negrete.
- 1861 O Cerco de Gaeta termina com a capitulação da cidade durante as guerras da unificação italiana, representando a extinção do Reino das Duas Sicílias.
- 1913 O 13º Dalai Lama proclama a independência do Tibete da dinastia chinesa Qing; o país permanecerá livre por quatro décadas.
- 1917 A dançarina holandesa Mata Hari é presa em Paris acusada de espionagem.
- 1922 Começa a Semana de Arte Moderna, em São Paulo.
- 1941 Nasce em São Paulo o jornalista Boris Casoy.
- 1942 Morre o jurista e político paraibano Epitácio Pessoa, presidente do Brasil entre 1919 e 1922.
- 1945 O cerco a Budapeste termina com a rendição incondicional alemã e húngara ao Exército Vermelho.
- 1945 Bombardeiros da força aérea britânica são enviados para bombardear a cidade alemã de Dresden.
- 1950 Nasce em Cobham, Inglaterra, o músico Peter Gabriel.
- 1960 A França se torna o quarto país a possuir armamento nuclear após a conclusão do teste “Gerboise Bleue”.
- 1960 Nasce em Bolonha o ex-árbitro e dirigente italiano Pierluigi Collina.
- 1967 O Cruzeiro Novo entra em circulação como nova moeda nacional.
- 1970 A banda britânica Black Sabbath lança seu primeiro álbum, considerado o primeiro disco de heavy metal da história.
- 1971 Começa o processo de estatização das empresas no Chile sob o governo de Salvador Allende.
- 1996 Começa a guerra civil de dez anos no Nepal entre forças maoístas do Partido Comunista do Nepal e o então reino hindu.
- 1996 O filme “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, é indicado ao Oscar.
- 2017 Kim Jong-nam, irmão do ditador norte-coreano Kim Jong-un, é assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia.
- 2019 Morre no Rio a atriz, cantora e diretora Bibi Ferreira, musa do teatro brasileiro.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
