Há um Século no CP

O Correio critica a desastrada reforma da polícia da Capital

Da edição de 23 de janeiro de 1926, sábado, n. 19

Publicação denunciada que a população da cidade estava alarmada diante de roubos e arrombamentos em Porto Alegre.
Publicação denunciada que a população da cidade estava alarmada diante de roubos e arrombamentos em Porto Alegre. Foto : CP Memória

“O serviço de policiamento que existe em Porto Alegre sofre do mal da insuficiência. Insuficiente e, para cúmulo, nem sempre bem feito! A recente reforma policial, que nada abona a competência e o critério do desembargador Armando Azambuja, a quem é atribuída a sua orientação, ainda mais dificultou as atribuições dos seus subordinados, criando, não só para eles, como para os da polícia administrativa, situações complicadas, irrisórias e graves e, o que é pior, manietando-lhes, quando em casos de emergência, a realização das mais indispensáveis providências. Com a nova organização, reorganização ou desorganização dos serviços policiais, em muito maior barafunda ficaram todos eles, não se entendendo quem os deva executar e, muito menos, não os sabendo definir e discriminar os seus próprios elementos mais graduados. Dessa anomalia resulta um sério perigo para a população da cidade, que, deveras alarmada, assiste ao desenvolvimento dos roubos e dos arrombamentos em pleno coração da capital. Se, em verdade, a principal culpa de tão irregular serviço é devida à sua recente e infeliz organização, a insuficiência desse mesmo serviço, como a insuficiência do próprio policiamento, resulta ao mesmo tempo da escassez do pessoal dele incumbido, pois manda a justiça que se reconheça ser-lhe impossível, como está constituído, desdobrar-se para agir com eficácia e presteza numa cidade que tem uns duzentos e cinquenta mil habitantes e uma tão larga extensão. Urge, pois, que o governo do Estado providencie sobre o assunto, de alta relevância, parece-nos, tanto mais que a pesada taxa de policiamento exigida oferece larga margem para que ele seja aumentado e melhorado.”

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Máquinas mortíferas

“As grandes invenções mortíferas estão enchendo de glória a insaciável América do Norte. No gênero, até causa pasmo tanta descoberta viver armazenada no espírito, humano e culto, dos poderosos ‘yankees’. Não os preocupa exclusivamente, como se vê, a febre da multiplicação do dólar. Outra, muito mais nobre e mais generosa, lhes absorve o pensamento! A prova aí está, viva e latente, na construção pelo governo americano do maior aparelho de bombardeio aéreo do mundo, capaz de desenvolver uma força de 1.200 cavalos e uma velocidade de 135 milhas por hora. A humanidade tem fatalmente que se acocorar diante do engenho e da fertilidade americana. A ciência de matar, pelos americanos levada já ao extremo com a prática das cadeiras elétricas, ficou agora enriquecida com esse tal ‘maior aparelho de bombardeio aéreo do mundo’, que, para maior riqueza de seus fins, poderá facilmente viajar sem a menor interrupção de Nova York a Londres! Não cremos que o anúncio da facilidade dessas viagens até à capital da Inglaterra encubra a mais leve sombra de ameaça. Deus nos defenda de presságios agoirentos. Alegra-nos, todavia, a certeza de que uma enorme distância nos separa de Nova York. Somos também americanos, é certo, mas doutra têmpera e doutro hemisfério. Também não somos férteis na invenção de aparelhos destruidores. Nesse particular, andamos deveras atrasados…”

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Bloquinho

Este cordão [C. C. Quem Ri de Nós Tem Necessidade], que tem à sua frente o maestrino Melchiades Xavier, dedicado ensaiador do mesmo, saiu anteontem à rua em sua primeira passeata de ensaio pela cidade baixa, sempre com grande acompanhamento em todo o seu percurso; visitou ele as sedes de vários coirmãos, sendo em todas elas muito aclamado. Recolheu-se à sua caverna quando já passava da 0 hora, saindo todos os ‘necessitados’ com bastante entusiasmo pelo sucesso alcançado.”

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Primeiras edições

Da edição de 23 de janeiro de 1896, quinta-feira, n. 19

Estremecimento

“Receberam-se aqui [Rio de Janeiro] telegramas de Roma dizendo ser grave a situação das relações entre o Brasil e a Itália. Consta também que o ministro italiano acreditado junto ao nosso governo já pediu ao da Itália autorização para declarar o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países. O fato origina-se das reclamações feitas pela Itália ao governo brasileiro.”

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O dia 23 de janeiro na história

  • 1556 O mais mortal terremoto já registrado na história acontece na província de Shaanxi, na China, deixando cerca de 830 mil mortos.
  • 1783 Nasce em Grenoble o escritor francês Stendhal, pseudônimo de Marie-Henri Beyle, autor de “O Vermelho e o Negro”.
  • 1803 Morre em Dublin o cervejeiro e empreendedor irlandês Arthur Guinness, fundador da icônica cerveja que leva seu nome.
  • 1846 A escravidão é abolida na Tunísia.
  • 1883 Morre em Paris o ilustrador, impressor, pintor, escultor e artista gráfico Gustave Doré, famoso pelas ilustrações em xilogravura de clássicos da literatura.
  • 1941 Nasce em Itaparica, na Bahia, o escritor, jornalista e roteirista João Ubaldo Ribeiro.
  • 1944 Morre em Oslo o pintor norueguês Edvard Munch, autor de “O Grito”.
  • 1950 O Knesset, a casa legislativa israelense, define Jerusalém como capital de Israel.
  • 1958 O presidente e ditador venezuelano Marcos Pérez Jiménez é deposto em golpe de estado após revolta popular.
  • 1963 Começa a guerra de independência de Guiné-Bissau contra o domínio português.
  • 1985 Estreia na TV americana o desenho animado Thundercats.
  • 1989 Morre o artista surrealista catalão Salvador Dalí.
  • 2002 O jornalista americano Daniel Pearl é sequestrado em Karachi, no Paquistão, e posteriormente executado por decapitação.
  • 2002 Morre em Paris o sociólogo francês Pierre Bourdieu, importante figura do estruturalismo.
  • 2007 Morre em Varsóvia o jornalista, poeta e escritor polonês Ryszard Kapuściński.
  • 2022 O presidente de Burkina-Faso, Roch Marc Christian Kaboré, é deposto e detido por militares em meio a protestos contra o governo.

* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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