“[...] Os Estados Unidos reembolsarão os gastos com seu exército de ocupação em anuidades de 65 milhões de marcos ouro, a partir de 1º de setembro de 1926 e serão a primeira nação a beneficiar do privilégio do reembolso das suas despesas por meio das somas transferidas; mas somente depois de constituído o total necessário para garantir os serviços do empréstimo alemão de 800 milhões e as despesas de ocupação. Se, no correr de qualquer ano, o total de 55 milhões não for inteiramente gasto com as forças de ocupação, o saldo será transportado para o ano seguinte e vencerá o juro de 4,5%. No que concerne às reparações devidas pelo Reich, os Estados Unidos receberão 21,4% de todas as somas disponíveis para esse fim, depois de pagos outros encargos, até perfazer o total de 45 milhões por ano. Ressalvados estas reservas, os Estados Unidos renunciam ao Acordo Dadsworth, excluídos os 15 milhões de dólares atualmente depositados no ‘Federal Reserve Bank’ e que serão imediatamente transferidos para o Tesouro americano. Os aliados só poderão modificar estas disposições mediante acordo prévio com os Estados Unidos. Estes ficam, mais, com direito proporcional aos 21,4% em toda e qualquer divisão dos pagamentos alemães e nos lucros das operações efetuadas com obrigações de estradas de ferro e industriais e outras, emitidas de acordo com as determinações do Plano Dawes. [...]”
O Plano Dawes (elaborado pelo general americano Charles G Dawes) solucionou provisoriamente a celeuma das reparações de guerra devida pela Alemanha aos Aliados vencedores da Primeira Guerra Mundial e instituídas pelo Tratado de Versalhes em 1919. Um cronograma de pagamentos foi elaborado em Londres em 1921, mas a situação econômica da Áustria, da Hungria e da Turquia após a guerra fizeram com que nenhum desses países cumprisse com suas obrigações. A França e a Bélgica ocuparam militarmente o Vale do Ruhr, na Alemanha, como forma de pressionar pelo pagamento das dívidas. A crise internacional que se seguiu foi resolvida com o Plano Dawes, que ficou em vigor até um novo plano (Young) renegociar os pagamentos em 1928.
O vinho bebido no Brasil
“O Brasil importou de vinho comum, em 1923, 20.887 toneladas, contra 20.919 em 1922, 15.723 em 1921, 33.352 em 1920 e 20.333 em 1919. O valor correspondente atingiu a 30.824 contos em 1923, contra 27.081 em 1922, 21,614 em 1921, 33.643 em 1920 e 24.399 em 1919. O nosso grande fornecedor continua a ser Portugal: 14.304 toneladas em 1923, contra 13.023 em 1922, 9.380 em 1921, 20.803 em 1920 e 13.989 em 1919. A Itália vem em segundo lugar, com 5.220 toneladas em 1923, 5.396 em 1922, 4.975 em 1921, 8.328 em 1920 e 1.813 em 1919. A Espanha está em terceiro lugar mas a grande distância, com 558 toneladas em 1923, 643 em 1922, 614 em 1921 em 1920 e 1.272 em 1919. A França vem em quarto com 346 toneladas em 1923 371 em 1922, 302 em 1921, 878 em 1920 e 393 em 1919. A Argentina vendeu ao Brasil 290 toneladas em 1923, mas contra 430 em 1922, 307 em 1921, 2.047 em 1920 e 2.719 em 1919. Da Alemanha recebemos 52 toneladas em 1923, 132 em 1922, 106 em 1921, 167 em 1920 e 4 em 1919. [...]”
Conflito de interesses
“Caso único neste século foi a não aprovação pelo Senado norte-americano da nomeação de um ministro feita pelo presidente da República. Trata-se da nomeação do sr. Charles Beecker Warren para ministro da Justiça. Essa oposição deve-se a atuação do nomeado no ‘trust’ do açúcar, há dez anos.”
Charles Beecher Warren foi embaixador americano no Japão e no México. Sua indicação pelo presidente Calvin Coolidge, recusada pelo Senado, foi na verdade à Procuradoria Geral.
Crise humanitária
“Na ilha Achill [condado de Mayo, noroeste da Irlanda] estão em aflitíssima situação sete mil pessoas, que carecem do indispensável à vida, tendo também contribuído para isso a epidemia da influenza.”
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
