“Os círculos oficiais e a imprensa [alemães] mostram-se indignados com a condenação à morte, pelo tribunal de Moscou, de três estudantes alemães, acusados de fazerem parte de um ‘complot’ para assassinar o sr. Trotsky. O governo enviou instruções ao embaixador da Alemanha em Moscou, a fim de protestar energicamente contra esse fato, exigindo a reforma da sentença.”
“O governo alemão protestou por telegrama junto do governo de Moscou contra a sentença de morte ditada pelo tribunal dos ‘Soviets’ e pediu a não execução dos condenados, pois que a Alemanha está preparada a considerar a troca de Skoblevsky, indivíduo russo, condenado no tribunal de Leipzig, pelas vítimas atuais da ‘Tcheka’. Não se espera que esses países cortem as relações diplomáticas; mas afirma-se, no Ministério do Exterior, que as sentenças de Moscou esfriaram as relações amigas entre a Alemanha e a Rússia.”
“O Ministério das Relações Exteriores dirigiu ao governo de Moscou uma nota enérgica, protestando contra a sentença de morte a que foram condenados três estudantes alemães, acusados de fazer parte de um ‘complot’ contra os ‘Soviets’. Nessa nota, é pedida a suspensão da pena, a fim de que não sejam prejudicadas as boas relações entre os dois países.”
“Consta que o governo [britânico] estuda o meio de enviar uma nota enérgica ao governo dos ‘Soviets’, pedindo explicações para a cessação da campanha anti-britânica por agentes oficiais e particulares de Moscou, iniciada recentemente em toda a Ásia e, especialmente, na China.”
“O ‘Sunday Times’ anuncia que o governo está inclinado a romper as relações diplomáticas com os ‘Soviets’ da Rússia, devido à propaganda anti-britânica feita na China. Caso seja posta em execução tal decisão, ficará restabelecida a situação existente antes do reconhecimento dos ‘Soviets’.”
“O sr. Tchitcherin, comissário do Exterior, protestou junto do encarregado dos negócios britânicos contra a prisão, em Xangai, do russo Dosser, exigindo a sua liberdade e afirmando que são inteiramente falsos os documentos em que se baseia a acusação de que ele conspirava contra as potências estrangeiras.”
Ressaca e destruição
“A ressaca continua [no Rio de Janeiro]. Das primeiras ondas, que destruíram as muralhas, o volume d'água transformou-se num verdadeiro mar. A ressaca começou anteontem. Depois de se quebrarem contra as pedras, erguiam-se nos ares, inundando o calçamento que se estende à beira-mar. Durante todo o dia de ontem, o espetáculo tornou-se desagradável, a despeito do grande número de espectadores que não se fartavam de admirar o belo-horrível das cenas. As águas, furiosas e revoltas, atiram-se contra a muralha e vão escangalhando a faixa beira-mar; uns ou outros vagalhões arremetem contra os paredões de granito. A obra humana não resiste à fúria das ondas, que deslocam os blocos, num choque formidável e rouco. As espumas brancas espalham-se pelo asfalto, atravessando a rua. A outras investidas indomáveis do mar, os blocos, já deslocados pelas ondas anteriores, saem rolando, arrastados pela massa d'água, além da Avenida. As ondas, ao se quebrarem de encontro às pedras, elevam-se a 30 metros e caem fora da muralha, cavando rombos enormes. Na Praia do Flamengo, o espetáculo oferecido pela ressaca é formidável. Os maiores estragos verificam-se no Russel, em frente ao antigo campo de futebol e em frente à estátua de Barroso, de onde foram atirados, para longe, os granitos que constituem a muralha. Os calçamentos estão cheios de brechas, desde a Glória até o fim da Praia do Flamengo. As obras da "City Improvements", na praia do Russel, desapareceram, levadas pelos volumes d'água, que atingiam, não ficando aí pedra sobre pedra. Desmoronaram-se todas as obras de alvenaria, havendo o mar trazido a uma distância considerável os fragmentos da muralha. Esse local também ofereceu, durante o dia e a noite, um espetáculo desolador. Algumas árvores e lampiões da iluminação têm sido contorcidos, sendo que os postes foram uns arrancados e outros atirados inclinados, à espera de um vagalhão forte que os arraste para longe. [...]”
Crime bárbaro
“Foi preso o alemão Hans Roetger, que confessou a autoria do assassinato da decadente Frida Mystal, estrangulada de maneira misteriosa em janeiro do corrente ano, crime esse que fora atribuído ao seu marido.”
“No dia 18 do corrente ano, a cidade foi abalada por um crime sensacional. Na rua dos Arcos, foi estrangulada a decadente Frida Mystal. As peripécias do drama encheram de horror a própria polícia, sendo descritas com as mais vivas cores por todos os jornais. O crime, porém, continuava envolto no mais profundo mistério, resultando infrutíferas todas as diligências policiais. Há pouco, soube a polícia, por informações levadas ao seu conhecimento, que dois alemães, frequentadores dos piores centros da cidade, andavam em confabulações, tornando-se misteriosos e despertando suspeitas. O investigador da 4ª Delegacia Auxiliar foi incumbido de vigiá-los de perto, de estudar-lhes os hábitos e de prendê-los quando julgasse necessário. A prisão de ambos foi feita há poucos dias, na rua Ledo, sendo levados para a 4ª Delegacia Auxiliar. Em poder de Hans Roetger e Fritz Hercht — tais eram os seus nomes — foi encontrada uma maleta de mão, contendo apetrechos diversos próprios para roubar. As autoridades policiais já suspeitavam de que Hans estivesse envolvido no crime da rua dos Arcos, suspeita essa que se fortificou diante de um fragmento de cadarço encontrado em seu poder e cuja procedência não soube explicar. Semelhante cadarço fora encontrado no cadáver de Frida. Hans, interrogado rigorosamente, acabou por confessar tudo. [...]”
Lavagem das ruas
“Ontem, à tarde, no largo fronteiro à Intendência Municipal, realizou-se mais uma experiência do auto-bomba recentemente mandado montar pela municipalidade nas oficinas do Corpo de Bombeiros para a lavagem de ruas. O pessoal dessa corporação foi o que se encarregou de lidar com esse veículo, experiência essa que se efetuou com a presença do dr. Octávio Rocha, intendente municipal; drs. Pereira Netto e Fernando Martins, respectivamente, diretores da Diretoria de Obras e dos Serviços Industriais; e do general Adalberto Petrazzi, diretor, e coronel Cunha Rasgado, diretor técnico do Corpo de Bombeiros. Essa experiência serviu, ainda, para se constatar o adestramento do pessoal neste serviço, pois, como se sabe, dentro em breve, o serviço de lavagem de ruas será definitivamente confiado ao Corpo de Bombeiros, que, para isso, tem ainda em preparo um auto-bomba dotado de tanque, com a capacidade para três mil litros de água e que será utilizado para idêntico fim. A experiência de ontem, dirigida pelo capitão Pozzo Bravo, deu bom resultado, demonstrando que o pessoal está bastante adestrado. A assinatura do contrato entre a municipalidade e aquela corporação depende somente desta ficar aparelhada com todo o material necessário, o que se dará em breve. Dois auto-bombas já foram montados nas oficinas do Corpo de Bombeiros, por conta da Intendência, devendo o restante do material ficar concluído o quanto antes. Uma vez isto feito, se estabelecerá um serviço regular de lavagem de ruas.”
No encalço da Coluna Prestes
“O boletim oficial comunica o desbaratamento dos rebeldes e acrescenta que os remanescentes do Paraná, logrando entrar em Mato Grosso, foram perseguidos por forças comandadas pelo major B. Klinger, que alcançou a retaguarda daqueles nas proximidades de Santa Rita do Araguaia [Estado de Goiás], no lugar denominado Dois Córregos, infligindo grandes perdas aos mesmos e obrigando-os a abandonar a estrada real e rumar para o Estado de Goiás, sempre acossados pelas forças legais. Em Mineiros, o 5º batalhão da polícia mineira atacou o grosso das forças rebeldes, no dia 30 do mês findo, depois de um combate violento em que os rebeldes tiveram mais de cem baixas, apreendendo armamento, cavalos e munição, inclusive o arquivo do capitão Távora. Os prisioneiros relatam que a derrota resultou em completa desmoralização para as forças dos chefes Távora e Miguel Costa. O major Klinger, em perseguição aos rebeldes, espera, dentro em breve, prender os cabeças desse bando, remanescente dos revoltosos.”
O dia 7 de julho na história
- 1834 Primeira de quatro noites de revoltas em Nova Iorque contra os abolicionistas.
- 1865 Mary Surratt se torna a primeira mulher executada pelo governo americano, condenada por envolvimento com o assassinato do presidente Abraham Lincoln.
- 1898 O presidente americano William McKinley assina resolução anexando o Havaí ao território dos EUA.
- 1901 Nasce em Sorio o ator e diretor italiano Vittorio De Sica, expoente do neorrealismo.
- 1901 Nasce em Sukagawa o cineasta, cinematografista e diretor de efeitos especiais japonês Eiji Tsuburaya, “pai do gênero Tokusatsu” e co-criador de Godzilla e Ultraman.
- 1912 O Fluminense vence por 3 a 2 o primeiro clássico carioca da história contra o Flamengo.
- 1930 Morre em Crowborough o médico e escritor escocês Arthur Conan Doyle, criador do personagem Sherlock Holmes.
- 1937 Após incidente em Pequim, começa a Segunda Guerra Sino-Japonesa.
- 1937 A Comissão Peel britânica recomenda formalmente a partição da Palestina em dois territórios, árabe e judeu.
- 1940 Nasce em Liverpool o músico e ator Ringo Starr, baterista dos Beatles a partir de 1962.
- 1941 Tropas americanas ocupam a Islândia para evitar a invasão alemã durante a Segunda Guerra.
- 1953 Ernesto “Che” Guevara parte para uma viagem por 8 países da América do Sul e Central.
- 1957 Pelé estreia pela Seleção Brasileira em derrota contra a Argentina por 2 a 1 em amistoso no Maracanã.
- 1974 A Alemanha Ocidental vence a Holanda por 2 a 1 em Munique e conquista seu segundo título da Copa do Mundo.
- 1978 O país polinésio das Ilhas Salomão, no Pacífico, obtém a independência da Grã-Bretanha.
- 1980 A sharia, sistema de leis islâmicas, entra em vigor no Irã.
- 1983 A colegial e pacifista americana Samantha Smith, de 11 anos, viaja à URSS a convite do secretário-geral do Partido Comunista, Yuri Andropov.
- 1985 O tenista alemão Boris Becker se torna o mais jovem campeão de Wimbledon aos 17 anos.
- 1990 Morre no Rio de Janeiro o cantor e compositor Cazuza.
- 2005 Uma série de quatro explosões no sistema de transporte de Londres deixa 56 pessoas mortas e mais de 700 feridos.
- 2014 Morre em Madri o ex-jogador e técnico argentino Alfredo Di Stéfano, ídolo do Real Madrid e um dos maiores jogadores da história.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
