Há um Século no CP

Onda de calor e verão “mais quente do que o normal”

A edição do dia 11 de março de 1925, quarta-feira, edição n. 59, noticiava

O verão de 1925 foi particularmente quente, noticiou o Correio do Povo ao fim da temporada. As temperaturas rondaram os 40 graus em diversos municípios do Estado e diversas áreas sofreram com a estiagem
O verão de 1925 foi particularmente quente, noticiou o Correio do Povo ao fim da temporada. As temperaturas rondaram os 40 graus em diversos municípios do Estado e diversas áreas sofreram com a estiagem Foto : CP Memória

“O tempo, no verão de 1925 (dezembro, janeiro e fevereiro), diz o boletim do Instituto Astronômico e Meteorológico, foi em geral mais quente do que o normal, notadamente no mês de dezembro, devido de um modo especial ao fato de se observarem em muitos dias máximas absolutas bastante elevadas, atingindo a temperatura a casa dos 40 graus em Alegrete, Livramento, Bagé, Cachoeira, S. Gabriel e Santa Cruz. Esses porém não foram os valores máximos observados no período em análise, pois em janeiro, nas três últimas dessas localidades, a coluna termométrica chegou a marcar a temperatura excepcionalmente elevada de 41 graus. A primavera se apresentara anormalmente fria, havendo por isso uma mudança rápida de temperatura, o que fez com que mais se sentisse o calor. Por sua vez não podemos deixar de mencionar o calor excessivo e contínuo da última década de fevereiro, quando a temperatura alcançou o valor de 40 graus e 5 décimos, no dia 27, em Santa Cruz; este período quente, verdadeira onda de calor, foi felizmente amenizado pelo baixo grau de umidade relativa do ar, dando isso lugar a que não se fizessem sentir tanto como era de esperar as altas temperaturas que, durante toda década, foram observadas. Entretanto, como essa sempre acontece no nosso Estado, aos períodos de altas temperaturas seguiram-se dias relativamente frescos; assim, chegou a se registrar a temperatura mínima de 9 graus e 5 décimos, no dia 5 de fevereiro, em S. F. de Paula. As temperaturas exageradamente altas tornaram-se, de uma maneira geral, prejudiciais, especialmente às frutas, não permitindo o seu desenvolvimento normal. As somas de graus de calor foram, neste verão, bastante elevadas, notando-se que seus valores nas diferentes localidades do Estado conservaram-se superiores aos normais, sendo que chegaram atingir, em Santa Cruz, afastamento do normal para mais de 200 graus. Analisando-se a chuva observa-se que em dezembro a precipitação foi insuficiente, ainda mais atendendo-se à evaporação intensa que comumente se observa nesta estação do ano e a seca que já se vinha fazendo sentir. Assim, essa deficiência de chuvas causou grandes prejuízos às populações rurais: impossibilitou muitos trabalhos nas lavouras, aniquilou as culturas, tornando, por isso, pequenas e de má qualidade as colheitas, e fez escassear as pastagens e aguadas dos campos, o que muito atrasou a engorda dos gados. Felizmente, em janeiro fevereiro, registraram-se boas chuvas, que se tornaram extraordinariamente benéficas, notadamente as de janeiro, que vieram a tempo de salvar muitas lavouras, tendo melhorado bastante os arrozais, permitiram ainda novas semeaduras e a replantação das culturas perdidas com a seca. Também os gados, nesses dois meses, não lhes tendo faltado as aguadas, muito aproveitaram com o reverdecimento rápido das pastagens chegando a ficar, em alguns lugares, no fim do Verão, em condições excelentes. O número de dias de chuva variou nas diferentes localidades de 1 a 6, em dezembro; de 5 a 16, em janeiro; e de 3 a 12, em fevereiro. A insolação não mostrou afastamentos apreciáveis da que se verifica comumente nesta estação do ano. Finalmente, uma normalidade interessante apresentou-se na direção dos ventos, pois, ao contrário do observado nos outros anos, quando predomina[ra]m os ventos do quadrante Este, sopraram grande número de vezes, no Verão que findou, ventos do quadrante Oeste.”

Fascistas pacatos

“Além do partido ‘fascista’ italiano, sabia-se da existência de partidos fascistas na Alemanha, em Portugal e, mais ou menos, o do sr. Primo de Rivera, na Espanha. Há também, entretanto, o partido ‘fascista’ britânico, cujos adeptos, por ora, estão calculados em quatro mil. Fizeram eles a sua primeira parada em Trafalgar Square com a presença de muitas mulheres, cuja presença havia sido conseguida de indústria. Mas a informação é de que ‘a parada decorreu com muita ordem, parecendo os ‘fascistas’ ingleses pessoas eminentemente pacatas’. Ora, aí está um pormenor que certo a ninguém causará surpresa. O povo inglês é, todo ele, conservador, inclusive os comunistas — fenômeno que só seria possível na terra de John Bull... E diante disso a ação do ‘fascismo’ britânico não encontrará oportunidade para gestos violentos, a exemplo do que aconteceu na Itália e na Alemanha. Também é de supor que essa pacatez, dentro da qual terá de se desenvolver, vai determinar o seu desaparecimento num futuro muito próximo. E o ‘fascismo’ inglês, sem topar pela frente comunistas à feição dos da Rússia ou da Itália, deixará de existir — como na tragédia clássica — por falta de combatentes... pelo menos, do lado adverso.”

Da ‘Caixa Urbana’

Recebemos a seguinte carta: ‘Anteontem à tarde encontrei o passeio de minha casa todo borrado com enormes anúncios impressos a tinta preta, preconizando o uso de certos cigarros. Eu não fumo, mas confesso que nesta ocasião fiquei fumando... Entretanto, pouco durou o aborrecimento, pois logo lembrei-me de um novo imposto que figura no orçamento municipal votado para este ano, e que é assim redigido: ‘Título 2º n. 22 — Reclames nas calçadas três contos de réis’. Ora o passeio é propriedade minha, visto que foi por mim construído e à minha custa exclusiva, e para melhor me convencer dessa incontestável propriedade, a Municipalidade me impôs a conservação, ‘à perpetuidade’, do referido passeio. E fiz então o seguinte raciocínio: Se o passeio é meu, lógico é que qualquer ‘renda pecuniária’ que possa produzir a sua utilização deve ser atribuída a mim que sou o legítimo dono da cousa, e não à Municipalidade, que naturalmente não pode pretender auferir lucros com a locação de uma cousa que não lhe pertence. E tão convicto fiquei do direito que me assiste que deixei de pedir pareceres respeito aos luminares da ciência jurídica. O fato da Municipalidade cobrar o Imposto não me causa apreensões; estou perfeitamente descansado. Compreendi logo que a sua intervenção no caso é toda benévola, paternal mesmo; quis assim evitar possíveis atritos entre mim e anunciante. E tenho como certo que muito breve embolsarei os três contos. [...]”

Iluminação elétrica

“O intendente municipal está tratando de substituir a iluminação a gás de vários pontos da capital pela elétrica. A zona da cidade que já possuía iluminação elétrica foi melhorada em vários pontos. As lâmpadas que eram de 50 velas estão sendo substituídas por outras de 100 watt, ou seja, 200 velas. Agora estão sendo substituídas as lâmpadas da rua dos Andradas, entre o Arsenal de Guerra e a rua General Salustiano, e da rua Vigário José Ignacio até à rua Senhor dos Passos. Outros pontos onde estão sendo substituídas as lâmpadas são: a rua Voluntários da Pátria até à rua Dr. Barros Cassal, ruas Duque de Caxias e Marechal Floriano, praça Marechal Deodoro e rua Sete de Setembro. A municipalidade espera que termine o calçamento da rua Independência para ali fazer idêntica instalação, que será em postes colocados na beira da calçada e no centro da rua. Na usina municipal está sendo montado um motor a gás pobre da força de 600 cavalos, a fim de elevar a produção de energia elétrica, que será de 350 kilowatts por hora. Quanto à substituição do número de lâmpadas, que são em número de 300, os serviços estão sendo feitos sob a direção do atual diretor da seção elétrica da Intendência, dr. Pedro Drügg.”

O dia 11 de março na história

  • 1702 Elizabeth Mallet funda o primeiro jornal diário da Grã-Bretanha, “The Daily Courant”.
  • 1921 Nasce em Mar del Plata o compositor, bandoneonista e arranjador argentino Astor Piazzolla, lenda do tango.
  • 1931 Nasce em Melbourne o magnata da mídia australiano-americano Rupert Murdoch.
  • 1931 Morre na Califórnia o cineasta, produtor e roteirista alemão F. W. Murnau, diretor de “Nosferatu”.
  • 1942 Getúlio Vargas decreta o confisco de bens de alemães, italianos e japoneses no Brasil durante a Segunda Guerra.
  • 1952 Nasce em Cambridge o escritor e humorista inglês Douglas Adams, autor de “Guia do Mochileiro das Galáxias”.
  • 1955 Morre em Londres o médico e microbiologista escocês Alexander Fleming, descobridor da penicilina.
  • 1970 O cônsul-geral japonês em São Paulo, Nobuo Okuchi, é sequestrado por membros da Vanguarda Popular Revolucionária.
  • 1985 Mikhail Gorbatchov é eleito secretário-geral do Partido Comunista da URSS; será o último líder do país.
  • 1990 A Lituânia declara independência da URSS.
  • 1990 Patricio Aylwin é o primeiro presidente do Chile a ser empossado presidente eleito democraticamente desde 1970.
  • 1999 Apagão deixa 11 estados brasileiros e o Paraguai sem energia elétrica, afetando cerca de 76 milhões de brasileiros.
  • 2003 Realizada em Haia, na Holanda, a primeira sessão do Tribunal Penal Internacional.
  • 2004 Série de explosões coordenadas matam 200 pessoas e ferem cerca de 2500 no metrô de Madri.
  • 2006 Michelle Bachelet toma posse como a primeira mulher eleita presidente do Chile.
  • 2006 Morre preso em Haia, na Holanda, o ex-presidente iugoslavo e sérvio Slobodan Milosevic.
  • 2010 O economista e empresário Sebastián Piñera é empossado presidente do Chile; abalos do terremoto de Pichilemu atingem o centro do país durante a cerimônia.
  • 2011 Terremoto próximo a Sendai, no Japão, desencadeia tsunami que mata milhares de pessoas; a usina de Fukushima é atingida, causando o maior acidente nuclear após Chernobyl.
  • 2020 A Organização Mundial da Saúde (OMS) declara a pandemia de coronavírus.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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