“Como se vê das noticias publicadas diariamente por esta folha, está sendo o Estado assolado cruelmente pela forte seca, que há muito vem prejudicando não só a agricultura e pecuária como também a navegação fluvial. Há muito tempo se não registra nos anais climaterológicos do nosso Estado um fato como este. Por isso resolvemos fazer uma ‘enquête’ entre as companhias fluviais que mantêm serviço de navegação com esta capital, a fim de darmos aos leitores notas mais detalhadas. A primeira companhia para onde nos dirigimos foi a Companhia Navegação Arnt [...]. Mantém ela um serviço diário de transportes de passageiros e cargas entre a nossa capital e as localidades às margens dos rios Jacuhy e Taquary. [...] fomos apresentados ao gerente da Companhia ...] ‘A seca começa por cá. Já na saída dos vapores lutamos com a primeira dificuldade. O vapor carregado encalha aqui mesmo no porto, sendo preciso diminuir o peso da carga para que possa sair.’ E como é feita a navegação? ‘Dificílima. Até São Jeronymo o vapor vai com relativa facilidade, apesar do baixio defronte ao porto das Xarqueadas. Daí em diante...’ Como são feitas as atracações no porto de São Jeronymo? ‘O vapor não toca à terra’, disse o nosso entrevistado. ‘Os passageiros e as cargas são transbordados para uma pequena chata, que os leva à terra.’ [...] dirigimo-nos à Companhia Navegação Becker, que mantém um serviço de transportes no rio Jacuhy, até Cachoeira. Recebeu-nos o sr. Thomaz Fernandes, chefe do serviço da Companhia [...] E a seca? ‘Horrível’, foi a sua resposta. ‘Há muito que se não registra igual. A navegação — continuou — dos nossos vapores e chatas é feita com muitíssimas dificuldades. Os vapores de maior calado estão amarrados por não poderem navegar. As viagens são feitas agora por pequenos rebocadores, comboiando chatas e lanchas.’ [...] seguimos para a Companhia Navegação Liberdade. Para onde faz viagens a Companhia? ‘Para Estrella e portos acima’, respondeu-nos. E como é feita a navegação? ‘Dificilmente. Pois agora mesmo para corroborar que afirmo recebi uma comunicação dizendo que a gasolina Navegantes, da nossa Companhia, está encalhada nos baixios, defronte às Xarqueadas. A lancha Serena, empregada para safá-la, ainda nada conseguiu. Continuando ainda a seca — disse-nos o sr. Olympio Bandeiro, o nosso entrevistado — a navegação terá que ser paralisada.’ [...] encaminhamo-nos aos escritórios da Companhia Carlos Simeoni & Cia. que dispõe do vapor Lageado e da gasolina Avenida, que navegam entre nosso porto e o de Montenegro. Dirigimo-nos a um dos empregados que, sabendo do motivo que ali nos levava, disse: ‘O rio Cahy até Montenegro, ponto terminal das viagens dessa Companhia, está relativamente navegável, por ser o leito de boa profundidade.’ Dos escritórios dos srs. Carlos Simeoni e Cia. passamos à firma Michaelsen e Cia., a qual faz a navegação entre esta capital e a vila de S. Sebastião do Cahy. Que nos dizem os senhores da seca? ‘Muitas coisas; os vapores viajam quase em seco’, foi a resposta. ‘ Acima da ponte Mariazinha, pouco acima de Montenegro, o rio Cahy está em péssimas condições de navegabilidade. A Barragem do Cahy, obra do falecido dr. Costa Gama, está quase intransponível, sendo inúteis as reclusas, dada a grande falta d’água. Se se prolongar por mais tempo a seca — eles continuaram — os vapores só chegarão até ali.’ [...] Seguimos após para a Companhia Navegação São Leopoldo a fim de colhermos informes acerca da navegação no rio dos Sinos. Encontramos muito a nosso pesar as portas cerradas; no entanto dirigimo-nos a uns embarcadiços que estavam frente dos armazéns da Companhia. Poderão dizer-nos algo sobre a seca no rio dos Sinos? [...] ‘A navegação é quase impossível no rio dos Sinos. O vapor Navegantes há três dias encalhou pouco abaixo de São Leopoldo. E, apesar de todos os esforços empregados, o resultado é nulo. Ainda ontem estiveram 9 homens dentro d’água a escavar o leito do rio. [...] Após esta última entrevista, encaminhamo-nos para a Navegação Progresso, da firma Weidmann e Machener, com escritórios e trapiches à rua Voluntários da Pátria n. 224, onde sabíamos está estabelecida uma agência de depósitos de materiais e onde se encontram dragas para o serviço de abertura e aprofundamento de pequenos canais. [...] Muito ocupados estão os senhores com a seca — foi a nossa primeira pergunta. ‘Muitíssimo: de momento a momento nos chegam pedidos solicitando o serviço de nossas dragas. Ainda há pouco a Companhia Carbonífera pediu-nos que designássemos uma draga para aprofundar o porto de Xarqueadas. Iniciamos então uma rápida visita pelo litoral a fim do colhermos informes dos proprietários de pequenas lanchas. A todos a quem nos dirigimos a resposta era a mesma: ‘A seca é assustadora e se continuar por mais alguns dias a navegação ficará completamente paralisada, com grande prejuízo para o comércio do Estado. Nas ilhas fronteiras à capital vê-se quanto a terra avançou para dentro d’água.’ [...]”
O dia 2 de janeiro na história
- 1492 O Emirado de Granada, a última fortaleza moura na Espanha, se rende, completando a Reconquista.
- 1776 A Áustria abole a prática de tortura durante interrogatórios.
- 1839 Louis Daguerre registra a primeira fotografia da Lua.
- 1903 Nasce a supercentenária japonesa Kane Tanaka, a segunda pessoa comprovadamente mais longeva: morreu com 119 anos e 107 dias.
- 1906 Willis Carrier obtém patente do governo americano para o primeiro ar condicionado.
- 1920 Nasce próximo a Smolensk, na Rússia, o escritor e professor de bioquímica naturalizado americano Isaac Asimov, expoente da ficção científica.
- 1942 O Japão captura a capital filipina Manila durante a Segunda Guerra Mundial.
- 1959 A primeira espaçonave a alcançar as cercanias da Lua e a orbitar o sol, Luna 1, é lançada pela União Soviética.
- 1967 O ex-ator Ronald Reagan é empossado governador da Califórnia.
- 1971 O “segundo desastre de Ibrox” mata 66 torcedores na Escócia durante clássico entre Celtic e Rangers.
- 1971 Vai ao ar na televisão japonesa o primeiro episódio da série “Spectreman”.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
