“Inaugura-se hoje o 8º Congresso Médico Brasileiro que pela primeira vez se realiza no Rio Grande do Sul. Sendo o Estado um grande centro de cultura científica, especialmente no que se refere à medicina, foi justo que lhe tocasse a vez de agasalhar os membros de tão importante certame. E, a julgar pelo número e pela significação dos médicos de outros Estados que vieram pessoalmente participar do Congresso, bem como daqueles que do interior estão chegando à capital, e pelo número e importância dos trabalhos e memórias enviados à Comissão Central, é de prever que essa reunião se revista do maior brilho e assinale uma época na história do Rio Grande mental. Há, porém, um outro aspecto do Congresso que é preciso assinalar e vem a ser a sua significação no intercâmbio intelectual que é necessário que exista entre os vários departamentos da República. A reunião dos ilustres médicos brasileiros em Porto Alegre vai incontestavelmente estreitar os laços de amizade e de solidariedade que devem existir na classe médica como a mais alta expressão da nossa cultura. É mister provar que no Brasil não existem apenas os interesses políticos que, em geral, divorciam. Existem naturalmente outros ideais, o que é preciso é fortificá-los. E o Congresso Médico será uma belíssima afirmação nesse sentido.”
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Vitivinicultura gaúcha
“A fim de tomar parte nos trabalhos do Congresso Médico, chegou anteontem a esta capital o dr. José Carvalho del Vecchio, lente da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e diretor do Laboratório Bromatológico da Saúde Pública. Ao referido laboratório está confiada a fiscalização de todos os produtos alimentícios vendidos na capital da República, sendo que entre eles figura o vinho rio-grandense daqui exportado. Mais de uma vez, em entrevistas que nos concederam, exportadores de vinho tiveram oportunidade de se referir à ação do professor del Vecchio a fim de evitar a falsificação do nosso produto. [...] Ontem, na ocasião em que o dr. Vecchio em companhia de outros médicos visitava a Santa Casa, abordamo-lo sobre a indústria vinícola rio-grandense. E, enquanto percorria esta ou aquela sala, foi nos dizendo: ‘O dr. Protásio Alves, secretário do Interior de seu Estado, quando esteve ultimamente no Rio de Janeiro fez várias visitas a estabelecimentos cariocas, entre os quais ao Laboratório de Bromatologia da Saúde Pública, do qual sou diretor, tendo então s. excia. me abordado sobre os vinhos rio-grandenses e qual a sua reputação na capital da República. Pediu-me a minha opinião franca. E, como em matéria de gêneros alimentícios ou outros produtos gosto de ser sempre o mais franco possível, dei-lhe a minha opinião sincera. Respondi então ao dr. Protásio Alves — continuou o dr. del Vecchio — que os vinhos rio-grandenses eram bons, constituídos de matéria-prima excelente, mas que faltava ao seu fabrico o sistema cooperativista, isto é, os colonos não serem propriamente os fabricantes, mas sim entregarem a sua uva a uma cooperativa por eles organizada, dirigida aliás por um competente na matéria. Aliás, seria introduzir-se entre nós o mesmo sistema de fixação de tipos de vinho adotado na Argélia a fim de solucionar o problema. As matérias-primas ali eram boas, mas devido à diversidade de fabricação redundavam sempre em vinhos condenados nos mercados consumidores. Ora, se fizermos o que se fez na Argélia, aliás como tive também ocasião de dizer tive do dr. Flores Soares, diretor da Higiene do Estado quando, esteve há pouco no Rio de Janeiro, creio-me que os vinhos rio-grandenses poderão facilmente concorrer com os de outras procedências, evitando-se o seu descrédito como há alguns anos atrás, mas que hoje já está muito melhorado’. Então o nosso plantador deve se limitar a cuidar dos vinhedos? ‘Não direi tanto, mas para o fabrico do vinho deve ter o mesmo cuidado do que na cultura da vinha. Deve ainda evitar de reunir o vinho velho com o novo, como costumam fazer alguns viticultores. Penso que seria muito bom cuidar-se da fermentação de um ano para outro e desinfetar-se constantemente os tonéis pelos processos mais modernos. Ora, todos estes cuidados especiais não podem estar a cargo de qualquer colono, mas sim de pessoas conhecedoras do métier, as quais facilmente se conseguiriam uma vez que eles se congregassem em forma de cooperativa. E, para mostrar como desejamos ir em auxílio da sua indústria, basta dizer que fomos obrigados a abrir mão de um pouco da acidez além da mais elevada em qualquer outra parte.’ Continuando ainda a palestra com o dr. del Vecchio, sempre atencioso foi nos dizendo: ‘Os senhores têm leis boas sobre este assunto do vinho. Tolerando dentro delas podem fazer muita coisa, evitando que o pequeno fabricante se coloque nas dificuldades em que se acha presentemente, evitando o bacilo da toldagem. E o que eu digo já se está fazendo em Diamantina, no estado de Minas Gerais, onde o próprio arcebispo condenou a existência dos pequenos fabricantes pelos sistemas antigos, os quais nunca poderão fazer vinhos daqueles que possuem uma instalação técnica moderna, como se dá nos grandes países produtores. Tudo isso, repito, os seus colonos poderão consegui-los uma vez que se formem pelo sistema cooperativista, com duplo resultado: valorização e boa qualidade do seu produto’. Era o que nos tinha a dizer o dr. del Vecchio em sua palestra sobre a indústria vinícola em nosso Estado, cujo engrandecimento deseja ardentemente. E, aproveitando a sua estada no Rio Grande do Sul, depois de encerrado o Congresso Médico tenciona ir aos municípios da região colonial italiana a fim de mostrar francamente aos nossos vinicultores o verdadeiro caminho a seguir para o seu próprio interesse.”
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Conde Frola
“A fuga do conde italiano Francesco Frola de bordo do vapor francês ‘Ipanema’, onde, com seu desembarque impedido pelas autoridades policiais, se encontrava vigiado por agentes da polícia marítima, impressionou vivamente a opinião pública. Hoje apareceu uma denúncia que decerto tem relação com o caso do desaparecimento do diretor do ‘Corriere degli Italiani’ de bordo do vapor francês. É que ao largo, ainda antes de haver transposto a barra, o ‘Ipanema’ deu desembarque clandestino a três malas grandes, que foram recolhidas por um lanchão. Essas malas provavelmente fazem parte da bagagem do conde Frola. Sobre esse fato o investigador Máximo Pereira da Cunha, da Inspetoria de Polícia Marítima, apresentará por escrito denúncia, tendo arrolado para esse fim várias testemunhas.”
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O dia 21 de outubro na história
- 1097 Começa o Cerco de Antioquia durante a Primeira Cruzada.
- 1805 A frota britânica liderada por Lord Nelson vence a franco-espanhola de Napoleão Bonaparte na Batalha de Trafalgar.
- 1833 Nasce na Suécia o químico, engenheiro e inventor da dinamite, Alfred Nobel.
- 1838 Fundado no Rio de Janeiro o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
- 1854 A fundadora das modernas práticas de enfermagem, a britânica Florence Nightingale, é enviada à Guerra da Crimeia com equipe de 38 enfermeiras.
- 1879 O inventor americano Thomas Edison patenteia a lâmpada elétrica incandescente.
- 1889 Morre Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, primeiro grande industrial brasileiro.
- 1895 Forças japonesas completam a conquista de Taiwan.
- 1906 O Fluminense se torna o campeão do primeiro estadual de futebol do Rio de Janeiro.
- 1907 Terremoto de Qaratog mata entre 12 e 15 mil pessoas na fronteira entre o Uzbequistão e o Tajiquistão.
- 1929 Nasce na Califórnia a escritora e crítica americana Ursula K. Le Guin.
- 1941 Massacre de Kragujevac: cerca de 2.700 homens e meninos, a maioria sérvios, são assassinados por soldados alemães na Sérvia ocupada durante a Segunda Guerra.
- 1945 As eleições legislativas da França deste ano representa a primeira vez em que as mulheres do país exercem o direito ao voto.
- 1956 Os insurgentes são derrotados pelas autoridades coloniais britânicas no Quênia e a Revolta dos Mau-Mau chega ao fim.
- 1959 O Museu Guggenheim é aberto ao público em Nova Iorque.
- 1966 144 pessoas, das quais 116 crianças, morrem soterradas quando uma mina de carvão colapsa e escombros cobrem a vila de Aberfan, no País de Gales.
- 1969 Golpe militar na Somália estabelece governo marxista-leninista.
- 1969 Morre na Flórida o escritor e poeta americano Jack Kerouac, autor de “On the road”.
- 1981 O social-democrata Andreas Papandreou se torna primeiro-ministro da Grécia, encerrando quase meio século de dominação das forças conservadoras.
- 1982 O escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez é anunciado como o vencedor do prêmio Nobel de literatura.
- 1984 Niki Lauda sagra-se campeão mundial de Fórmula 1 pela terceira vez e última vez.
- 1984 Morre em Neuilly-sur-Seine o ator, diretor, produtor e roteirista francês François Truffaut.
- 1990 Ayrton Senna conquista o bicampeonato mundial de Fórmula 1 em Suzuka, no Japão.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
