“O advogado do professor Scopes, sr. Darrow, decidiu não pedir adiamento do julgamento, que começará sexta-feira próxima, como estava marcado. Como se sabe, o professor Scopes está sendo processado por haver ensinado, publicamente, a doutrina darwiniana da evolução.”
“A audiência do processo contra o professor Scopes, pelo fato de ter ensinado, em sua aula, o princípio da evolução das espécies, realizar-se-á nesta cidade [Dayton]. O juiz federal John Gore indeferiu o pedido da defesa, no sentido de intervir a autoridade judicial do Estado, a fim de se impedir o processo, sob o fundamento de que a lei que proíbe o ensino da teoria da evolução é inconstitucional. O juiz John Gore declarou que a Corte Federal não tem a faculdade de intervir em processos criminais que tenham origem na Corte Estadual.”
“N. da R. — Trata-se, em verdade, de um processo grandemente sensacional. Aliás, o interesse geral estava já determinado desde a iniciação do sumário contra o professor Scopes. A cidade de Dayton vai ficar justamente abarrotada. De todos os pontos da União Norte-Americana, virão interessados ou mesmo curiosos, a fim de testemunhar os grandes e instrutivos debates em torno de um ponto interessantíssimo de direito administrativo. Certo, as providências nesse sentido já devem estar tomadas. Porque ainda há poucos dias, como informavam os nossos telegramas, se anunciava a tarefa gigantesca que ia por Dayton, no sentido de procurar acomodação para a ‘avalanche’ humana que desabará no dia 10 do corrente. Por outro lado, a causa em julgamento firmará a jurisprudência sobre o fato, isto é: o ensino, em aula pública, da evolução da espécie humana, com o desenvolvimento das teorias darwinianas. Não foi, pois, sem razão, que o defensor do professor Scopes, consultado sobre a sua árdua tarefa, declarou que ‘será o maior esforço da sua vida’. Por isso mesmo, esse julgamento terá as proporções das maiores batalhas jurídicas dos últimos anos, ocasionando apaixonados comentários não só nos Estados Unidos, mas no estrangeiro e sobretudo na Grã-Bretanha. O interesse é maior, porque todos os constitucionalistas, juristas e até cientistas da grande República do Norte estão preocupadíssimos com o desfecho que terá esse processo já famoso. O próprio inventor Thomas A. Edison, que dispõe das auras da celebridade no encanecimento de sua vida gloriosa, ofereceu-se para depor como testemunha de defesa. E, por sua vez, o professor Scopes declarou que se oferecia voluntariamente ao sensacional julgamento, a fim de que ele estabeleça, definitivamente, na matéria, a jurisprudência. O julgamento dar-se-á hoje. As partes litigantes estão assim divididas: Mr. Darrow defenderá o professor Scopes, e Mr. William J. Bryan tomará parte na acusação. Aguardemos, pois, a sensacional novidade.”
Vítimas do calor
“Está passando, por esta cidade [Nova Iorque], uma nova onda de calor. Pela manhã, morreram duas pessoas de insolação, enquanto muitas outras foram socorridas a tempo de salvar-se. O Observatório anunciou, para breve, fortes tempestades com trovoadas.”
A ilusão das eleições
“Nas reuniões que se estão realizando no palácio do Catete, sob a presidência do dr. Arthur Bernardes, para discutir o projeto de reforma da Constituição, dois deputados rio-grandenses, os senhores Pinto da Rocha e Antunes Maciel, ao ser discutida a emenda n. 37, que se refere à eleição do presidente da República, bateram-se pela eleição indireta, feita pelo Congresso. O argumento decisivo dos dois parlamentares em favor da sua emenda foi que assim já se fazia praticamente. Neste ponto, a razão está com os dois paredros oposicionistas. Ninguém, cremos nós, pode iludir-se com a formalidade das eleições. Em verdade, as urnas jamais decidiram da eleição do presidente da República no Brasil, e nem mesmo dos representantes da Nação. É sabido que a química eleitoral só é manejada eficazmente no Congresso, que tem poderes para contar os votos, apurá-los ou não, anulando os resultados das seções eleitorais, a seu bel-prazer, a fazer, em suma, todas as contas de chegar, desde que se adotou aquilo que se convencionou chamar o critério político na apuração. Na última renovação das câmaras, tivemos disso provas indiscutíveis, de que o Congresso é o verdadeiro eleitor, e até poderíamos ir mais longe e afirmar que quem decide das eleições é a vontade do presidente da República, quanto à representação nacional, e o Congresso, quanto ao presidente da República. Nesse ponto, pois, reafirmamos, a razão está com os senhores Maciel e Pinto da Rocha. Cumpre indagar, todavia, o que será melhor: se corrigir esse gravíssimo defeito da nossa organização política, que ilude as proclamadas virtudes do sufrágio universal, ou, pelo contrário, reabilitá-lo, de sorte que ele deixe de ser uma praxe condenável, para tornar-se uma prescrição constitucional.”
Sacrifício na avenida Redenção
“Desde alguns dias que o machado trabalha na derrubada das árvores decenárias que formavam uma aléia na Avenida Redenção [atual avenida João Pessoa]. Um grande número delas já foi desarraigado, e cujos destroços fazem espaços aqui e acolá. E como isso tenha motivado comentários, resolvemos indagar o fim da medida devastadora. Assim conseguimos saber que a Intendência Municipal, para alargar mais a avenida da Redenção, a fim de facilitar o grande trânsito de bondes, automóveis e carros, resolvera sacrificar as árvores ali existentes. Pelo projeto, terá ela uma largura de 34 metros, ficando assim uma das vias públicas de maior largura da capital. E, para se substituir a alameda de árvores que lhe corria paralela, a municipalidade já delimitou uma faixa de terreno de 15 metros no trecho compreendido entre a estação da Companhia Força e Luz até à rua Lopo Gonçalves. Nesta faixa de terreno, já estão plantadas árvores de várias qualidades, devendo a mesma ser toda ajardinada, a fim de os transeuntes se resguardarem do sol nos dias de canícula. O melhoramento agora iniciado na avenida Redenção constará ainda da renovação do seu calçamento por meio de paralelepípedos, calçamento este que será estendido até à lomba do cemitério, na Azenha. São estas as informações que conseguimos saber a respeito da atual derrubada das árvores.”
O dia 10 de julho na história
- 1856 Nasce em Smiljan, no Império Austríaco (atual Croácia), o engenheiro e inventor sérvio-americano Nikola Tesla.
- 1871 Nasce em Paris o escritor e crítico literário francês Marcel Proust.
- 1888 Nasce em Volos, na Grécia, o artista e escritor italiano Giorgio de Chirico.
- 1895 Nasce em Munique o compositor e educador alemão Carl Orff, autor da cantata “Carmina Burana”.
- 1925 Começa o julgamento de John T. Scopes, professor do Tennessee acusado formalmente por ensinar a teoria darwiniana da evolução.
- 1927 Kevin O’Higgins, presidente do conselho executivo do Estado Livre Irlandês, é assassinado pelo Exército Republicano (IRA).
- 1940 O marechal Philippe Pétain recebe plenos poderes como líder do regime francês colaboracionista de Vichy durante a Segunda Guerra.
- 1962 O primeiro satélite de comunicações, Telstar, é lançado em órbita.
- 1973 As Bahamas obtêm a independência da Grã-Bretanha após três séculos de domínio colonial.
- 1978 O presidente da Mauritânia, Moktar Ould Daddah, é deposto em golpe de Estado não violento.
- 1985 O barco Rainbow Warrior, do Greenpeace, é bombardeado e afundado no porto de Auckland, na Nova Zelândia, por agentes dos serviços de inteligência da França.
- 1991 Boris Yeltsin é empossado como primeiro presidente eleito da Rússia.
- 1992 Manuel Noriega, militar e ex-ditador panamenho, é condenado em Miami a 40 anos de prisão por chantagem e tráfico de drogas.
- 1997 Miguel Ángel Blanco, membro do Partido Popular espanhol, é sequestrado e posteriormente assassinado pelo grupo separatista basco ETA.
- 2011 O tablóide britânico News of the World publica sua última edição após 168 anos.
- 2015 Morre no Cairo o ator egípcio Omar Sharif.
- 2016 Portugal derrota a França em Paris e conquista pela primeira vez o título da Eurocopa.
- 2018 Um grupo de crianças e adolescentes e seu professor são resgatados com vida de um complexo de cavernas no norte da Tailândia.
- 2019 O último Fusca é produzido pela Volkswagen em Puebla, no México.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
