Há um Século no CP

Quartel do Rio é assaltado por militares foragidos e civis

A edição do dia 6 de maio de 1925, quarta-feira, edição n. 106, noticiava

A tentativa de tomada do quartel da Praia Vermelha, no Rio, fazia parte de um plano maior para sublevar a capital federal e depor o presidente da República. A ação refletia os mesmos intentos, estratégia e composição dos outros levantes tenentistas (de 1922 e 1924). O malfadado ataque deixou um morto entre os revoltosos
A tentativa de tomada do quartel da Praia Vermelha, no Rio, fazia parte de um plano maior para sublevar a capital federal e depor o presidente da República. A ação refletia os mesmos intentos, estratégia e composição dos outros levantes tenentistas (de 1922 e 1924). O malfadado ataque deixou um morto entre os revoltosos Foto : CP Memória

“Oficiais do Exército, evadidos da Ilha Grande, tentaram, reunidos a diversos civis, invadir o quartel do 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha. Recebidos a bala, os assaltantes fugiram, havendo indícios de que alguns deles foram feridos.”

“Às 21 horas de ontem, quatro oficiais do Exército, foragidos da prisão, tentaram assaltar o quartel do 3º Regimento de Infantaria, situado na Praia Vermelha. Dado o alarme pela sentinela, foi feita vigorosa reação, sendo repelidos os assaltantes, que fugiram nos automóveis em que haviam ido até as imediações do quartel. As outras unidades do Exército, a Marinha e a Polícia estão cumprindo rigorosamente as ordens de perseguição aos assaltantes e as necessárias medidas de reação. A não ser esta tentativa, nada mais de anormal foi registrado, conservando-se toda a guarnição dentro da disciplina. A cidade apresenta o aspecto habitual.”

“O Jornal do Commercio, noticiando o assalto ao quartel da Praia Vermelha, diz, entre outras coisas, o seguinte: ‘Mais uma vez, para felicidade e tranquilidade do Brasil, ficou provado que a estabilidade das instituições, o prestígio da autoridade e a disciplina das forças armadas estão muito acima das tentativas traiçoeiras do pequeno grupo de maus brasileiros, que continuam a tentar subverter a ordem. Esta, no entanto, será assegurada, de qualquer forma, pelo governo, que está senhor da situação e cumprirá integralmente a sua missão até o fim.’”

“Na tentativa de assalto levada a efeito contra o quartel do 3º Regimento de Infantaria, saiu ferido o capitão Aquino Corrêa, oficial de serviço, o qual, desembainhando a sua espada, feriu mortalmente o tenente Jansen de Mello, que fazia parte do grupo assaltante. Ambos caíram juntos. Repelidos, os assaltantes fugiram em automóveis, mas, sendo perseguidos, foram presos e conduzidos à Polícia Central, onde foram interrogados. ‘A Noite’ conta que entre os presos foram reconhecidos os deputados Baptista Luzardo e Azevedo Lima, os quais conseguiram ser libertados devido às suas imunidades parlamentares. Os oficiais que faziam parte do grupo atacante tinham todos fugido dos presídios a que se achavam recolhidos.”

“Foi embarcado para Niterói, onde vai ser enterrado, o cadáver do tenente Jansen de Mello, um dos assaltantes ao quartel do 3º Regimento de Infantaria. O capitão legalista Aquino Corrêa está melhorando. É ele irmão do ex-presidente e atual arcebispo de Mato Grosso.”

“O marechal Setembrino de Carvalho, ministro da Guerra, tem pernoitado em seu gabinete. Ontem à noite, tomou as medidas acauteladoras da ordem. Às primeiras horas da manhã foi à Vila Militar, acompanhado do comandante da 1ª Região Militar.”

Explicações uruguaias

“Acaba de chegar ‘El Telegrapho’, de Montevidéu, que em um artigo sob o título ‘O Brasil e El Telegrapho’ diz o seguinte: ‘Chegou a nossas mãos o número 163 do diário ‘A Situação’, do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, onde se ataca esta folha por um artigo referente à atuação do clube de football ‘Paulistano’, fazendo considerações sobre a nossa pouca amizade para com o país vizinho. Começamos por declarar que esse artigo escapou ao controle da direção do ‘Telegrapho’, que não teria permitido, em caso nenhum, que se publicasse semelhante crítica, infundada sob qualquer ponto de vista que se a encare. A direção do ‘Telegrapho’ sente para com a nação irmã esse grande afeto que temos posto em prova em todas as nossas manifestações. Da grande nação brasileira, que sempre admiramos, temos a satisfação de possuir vínculos amistosos com muitos dos seus homens. O caso não pode, portanto, dar margem a que se negue nosso invariável conceito sobre o país irmão e esperamos do colega ‘A Situação’ que, com a mesma fidalguia, saiba reconhecê-lo, retirando suas expressões, que afetam um diário que, como ‘El Telegrapho’, tem sido sempre um leal amigo do Brasil.’”

A desvalorização do marco alemão

“Houve um momento, no Rio Grande como no resto do mundo, em que toda a gente se sentiu milionária, arquimilionária, super milionária. Foi um verdadeiro delírio de grandezas coletivo. Foi quando se iniciou a queda do marco-papel. Não houve quem não se tornasse possuidor de muitos milhões de marcos, de que a Alemanha inundou o mundo, num formidável delírio de papel, proveniente da inflação a fato contínuo. Quanto mais baixava o marco, como era, aliás, natural, maiores somas se despendiam no ‘lucrativo’ negócio. Todo o mundo trocou o seu dinheiro bom pelo mau dinheiro alemão. O Reich recebeu assim somas fabulosas em troca de coisa nenhuma. O marco chegou, assim, ao extremo da desvalorização. Mas, quanto mais se desvalorizava, mais esperanças fazia surgir para todos aqueles, e era o mundo inteiro dominado pela avidez do ouro e pela sedução do lucro fácil. ‘Auri sacra fames’! Para mitigar essa terrível sede de ouro, oferecem-nos hoje algumas escassas gotas do precioso metal. A diretoria do Reichsbank acaba de comunicar que serão recolhidas todas as notas emitidas com data anterior a 24 de outubro de 1924, sendo que, de 5 de junho do corrente ano em diante, as referidas notas perderão totalmente o seu valor. O Reichsbank tira, aliás, aos possuidores daquelas notas toda e qualquer esperança, comunicando que jamais poderá haver qualquer valorização com o papel-moeda, que de há muito deixou de ser moeda para ser simplesmente papel. Segundo a lei bancária alemã, de 30 de agosto de 1924, a troca de notas a recolher será feita à razão de um trilhão de marcos-papel contra um marco-ouro. Haverá, por acaso, entre os numerosíssimos arquimilionários porto-alegrenses algum que possua dez marcos?...”

O dia 6 de maio na história

  • 1536 Começa o Cerco de Cuzco, em que os Incas tentam retomar a cidade dos invasores espanhóis.
  • 1758 Nasce em Arras o advogado e estadista francês Maximilien Robespierre, figura central na Revolução Francesa.
  • 1840 Inicia o uso dos primeiros selos postais adesivos na Grã-Bretanha.
  • 1856 Nasce em Freiberg in Mähren, no Império Austríaco, o neurologista e fundador da psicanálise, Sigmund Freud.
  • 1882 O Congresso americano aprova lei que proíbe a imigração de chineses para os EUA pelo prazo de 10 anos.
  • 1932 O presidente francês Paul Doumer é assassinado a tiros em Paris pelo emigrado russo Pavel Gorgulov.
  • 1937 O dirigível alemão Hindenburg pega fogo e é destruído em apenas um minuto enquanto tentava pousar em Lakehurst, New Jersey, EUA, matando 36 pessoas.
  • 1945 Começa a Ofensiva de Praga, a última grande batalha da Segunda Guerra no fronte oriental.
  • 1952 Morre na Holanda a médica e educadora italiana Maria Montessori, famosa pela sua filosofia da educação e método pedagógico.
  • 1953 Nasce em Edimburgo o político trabalhista escocês Tony Blair, primeiro-ministro britânico entre 1997 e 2007.
  • 1994 Inaugurado o Eurotúnel, túnel ferroviário entre a Grã-Bretanha e a França sob o Canal da Mancha, no Estreito de Dover, com 50,4 quilômetros de extensão.
  • 2004 Vai ao ar o episódio final da série televisiva americana “Friends”.
  • 2007 Morre no Rio de Janeiro o médico, matemático, escritor e político conservador de extrema-direita Enéas Carneiro.
  • 2010 Flash Crash: vários índices das bolsas de valores americanas caem bruscamente em apenas 36 minutos, causando quebra trilionária, recuperando parte da queda alguns minutos mais tarde.
  • 2013 Morre em Roma o político italiano Giulio Andreotti, líder da Democracia Cristã e primeiro-ministro em sete governos entre as décadas de 1970 e 1990.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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