“Através de quatro colunas, carregadas de cifras, a ‘Federação’ de ontem procura desfazer as conclusões a que anteontem chegamos, examinando as dificuldades da carestia da vida e a parcela de culpa que, nessa matéria, cabe à municipalidade. [...] A ‘Federação’ mostra viva curiosidade em conhecer o nosso pensamento acerca do bom caminho que deveriam tomar as finanças municipais. Aí está um ponto que é preciso observar para esse objetivo — a efetividade dos orçamentos, a verdade das suas previsões, de modo que elas venham constituir uma base fundada das arrecadações e despesas, e não um simples amontoado de cifras, distanciado das realidades, um projeto, enfim, como tantos outros… Há outros pontos do editorial da ‘Federação’ que é preciso respigar. Tal se dá, por exemplo, quando afirma, com manifesta inverdade, que nós atribuímos exclusivamente à ação da municipalidade a carestia da vida. O que nós dissemos foi o seguinte: ‘A carestia da vida, se deve ser encarada como a resultante de inúmeros fatores, não dispensa, entre as suas causas mais diretas e importantes, a ação compressora do fisco municipal’. Contestando a inutilidade da Comissariado de Alimentação Pública, diz o vespertino oficial: ‘Quando o comissariado começar a vender gêneros, etc’. Como se vê, é antes uma confirmação do que uma contestação. Note-se: esse comissariado está criado desde 2 de abril, portanto, há quase cinco meses. A ‘Federação’, depois de nos acusar, repisando trivialidades, de partidarismo político, exige em ar de gracejo que apontemos ‘os meios de administrar, combatendo o ‘déficit’ de 1.700 contos existentes e fazendo ainda alguns melhoramentos…’. Para combater o ‘déficit’, recomendamos no mesmo tom: 1. Economia de projetos fictícios…; 2. Economia de vencimentos, com redução de funcionários; 3. Economia de automóveis e gasolina. Por hoje, só.”
A falência do ensino
“Interessante, interessantíssima a nota mandada à imprensa, da secretaria do Catete, explicando os motivos das últimas modificações introduzidas na malfadada reforma de ensino pelo governo. Após algumas variações de bravura sobre o tema — liberdade do ensino —, o senhor presidente da República declara que o ensino livre faliu. Se os argumentos aduzidos pelo redator da nota não conseguem arrastar ninguém para a opinião do presidente, alcançam, todavia, provar a completa desorientação e a absoluta falta de senso do governo nesse assunto. O que abriu falência no Brasil não foi o ensino livre, nem o ensino obrigatório, mas o ensino — ‘tout court’. E isso aconteceu exatamente em consequência das constantes e ininterruptas reformas, açodadamente feitas, sem nenhum critério diretor, por indivíduos sem competência especial no assunto. O maior mal do ensino é, entre nós, essa desnorteadora instabilidade, que desorienta professores e estudantes, a descontinuidade das normas didáticas, a contradança de membros do magistério e de cadeiras, consequência única das reformas quadrienais. A melhor prova desse asserto é a lei atual que veio completar a barafunda e, longe de elevar o nível intelectual e moral do ensino, como candidamente pensa o presidente da República, completou a sua desmoralização, reduzindo ao mínimo imaginável a sua eficiência. [...]”
Crise do arroz
“Tem causado pânico aqui (município de Tapes) entre os plantadores de arroz a baixa sensível dos preços deste cereal, que se atribui às medidas tomadas pelo governo Federal, recentemente, sobre a importação de arroz estrangeiro, receando-se não seja tão abundante a próxima colheita, dado o consequente e inevitável retraimento das negociações entre os fornecedores e plantadores, pois os contratos em geral são feitos anualmente, com preços prefixados, e a incerteza das próximas cotações, senão dificulta inteiramente as suas transações, restringe-as pelo menos, causando os mais sérios embaraços àqueles que dispõem de escassos capitais e dependem dos fornecedores. Muitos negócios que já haviam sido encaminhados para a próxima safra foram agora sustados e desfeitos em vista da grande e sensível baixa dos preços do arroz.”
Água termais
“Inaugurou-se, há dias, em Santa Catarina, o estabelecimento termal das Caldas da Imperatriz. A propósito, recorda-se que a primeira pessoa notável do Brasil colonial que ali esteve foi o bispo João Caetano da Silva Coutinho, que veio de Portugal na corte de D. João VI, e que mais tarde, numa memória, proclamou as virtudes dessas águas. O professor barão de Canindé, que foi diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e médico da casa imperial, ali esteve examinando as fontes, tendo concluído pelas suas qualidades terapêuticas. Quando D. Pedro II e a imperatriz Dona Thereza Christina visitaram Santa Catarina, em 1842, estiveram naquela fonte, a qual foi então dada a denominação de Caldas da Imperatriz.”
O dia 27 de agosto na história
- 1770 Nasce em Stuttgart o filósofo e pensador alemão Wilhelm Friedrich Hegel.
- 1828 O Tratado do Rio de Janeiro, acordo bilateral entre o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata, reconhece a independência do Uruguai.
- 1859 Petróleo é descoberto em Titusville, na Pensilvânia, EUA: será o local do primeiro poço de petróleo do mundo explorado comercialmente com sucesso.
- 1883 Erupção do vulcão Krakatoa, na ilha de Java, atinge 200 megatons e mata aproximadamente 40 mil pessoas.
- 1896 O conflito entre o Reino Unido e o sultanato de Zanzibar, na África, ocorre por cerca de 38 minutos, na guerra mais curta da história.
- 1908 A China se torna uma monarquia constitucional com o documento Qinding Xianfa Dagang.
- 1913 O engenheiro sueco Gideon Sundback de Hoboken solicita a patente do zíper.
- 1916 O Reino da Romênia declara guerra à Áustria-Hungria.
- 1941 Nasce em Mindelo a cantora cabo-verdiana Cesária Évora.
- 1942 Massacre de Sarny: execução de 14 a 18 mil pessoas, a maioria judeus, na cidade polonesa (hoje pertencente à Ucrânia) ocupada pelas tropas nazistas.
- 1942 A atiradora soviética Lyudmila Pavlichenko é a primeira cidadã da URSS recebida na Casa Branca.
- 1950 Morre em Turim o poeta, escritor, tradutor e crítico italiano Cesare Pavese.
- 1953 Nasce em Fernie o músico canadense Alex Lifeson, guitarrista da banda Rush.
- 1955 A primeira edição do Guinness Book, o livro dos recordes, é publicada na Grã-Bretanha.
- 1956 A estação nuclear de Calder Hall, na Grã-Bretanha, se torna a primeira planta nuclear a produzir energia elétrica em escala industrial.
- 1961 O governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, afirma em discurso radiofônico que irá defender a posse de João Goulart na presidência da República.
- 1965 Morre nos Alpes franceses o arquiteto, designer, urbanista e escritor franco-suíço Le Corbusier, pioneiro da arquitetura moderna.
- 1966 O navegador britânico Francis Chichester zarpa de Plymouth, na Inglaterra, para a primeira viagem individual ao redor do mundo, completando a circunavegação em maio do ano seguinte.
- 1966 Nasce em Medellín o ex-goleiro colombiano René Higuita.
- 1967 Morre em Londres o empreendedor e empresário dos Beatles, Brian Epstein.
- 1974 Morre em Porto Alegre o cantor e compositor Lupicínio Rodrigues.
- 1975 O governador colonial português do Timor Leste abandona a capital, Dili.
- 1975 Morre em Adis Abeba o imperador etíope Haile Selassie.
- 1977 Nasce em São Bernardo do Campo o ex-jogador luso-brasileiro Deco.
- 1979 Dezoito soldados britânicos são mortos após emboscada em Warrenpoint, na Irlanda do Norte, durante o conflito entre nacionalistas irlandeses e o governo.
- 1980 Carta-bomba preparada por agentes da repressão explode na sede da OAB no Rio de Janeiro e mata a secretária Lyda Monteiro da Silva.
- 1990 Morre no Wisconsin o guitarrista americano Steve Ray Vaughan.
- 1991 A República de Moldova declara independência da URSS.
- 2003 O planeta Marte faz a sua maior aproximação em relação à Terra em quase 60 mil anos, passando a 55,7 milhões de quilômetros.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
