Há um Século no CP

Uma alternativa à mudança da capital federal

Da edição do Correio do Povo do dia 30 de maio de 1925, sábado, nº 127

A mudança da capital federal era mesmo um sonho antigo — e persistente. Em 1925, na impossibilidade orçamentária de se construir a nova sede do poder no Planalto Central, surgiu uma ideia nova: transformar Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, numa extensão da capital e "repouso de verão" do executivo
A mudança da capital federal era mesmo um sonho antigo — e persistente. Em 1925, na impossibilidade orçamentária de se construir a nova sede do poder no Planalto Central, surgiu uma ideia nova: transformar Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, numa extensão da capital e "repouso de verão" do executivo Foto : CP Memória

“[...] O Correio da Manhã, escrevendo a respeito da projetada reforma constitucional, refere-se ao problema da mudança da capital da República, dizendo: ‘Sente-se que o governo quer mesmo mudar a capital’ e acrescenta: ‘A Folha da Noite, de S. Paulo, acaba de revelar o segredo, dando a versão de que a mudança reduzirá a simples localização da sede do executivo em Petrópolis, como repouso oficial de verão. Isso seria feito em vista das dificuldades financeiras para a construção da capital no planalto de Goiás. Petrópolis ficaria, então, como uma espécie de arrabalde do Rio, devendo o governo entrar, a esse respeito, em acordo com o governo fluminense, a fim de passar para o domínio da União a cidade de Petrópolis, com a faixa e a baixada que a liga ao Rio’. O Correio da Manhã termina dizendo que isso seria ‘uma solução de arranjo, porquanto assim não haveria a necessidade de transferirem os ministérios e as repartições’.

A expedição americana à Amazônia

“A Sociedade de Geografia recebeu um radiograma do sr. Alexander Hamilton, informando que a expedição científica, que viajou através da Amazônia, conseguiu realizar todos os seus objetivos. A expedição estabeleceu que, efetivamente, os rios Parima e Orinoco não se juntam em nenhum ponto dos seus respectivos cursos. Os membros da expedição encontraram diversos grupos de índios brancos.”

Essa expedição científica foi a última liderada pelo médico e geógrafo americano Alexander Hamilton Rice Jr. e resultou em importante relatório (com abundante material em filme e fotos) sobre a região do Rio Branco, atual Roraima — à época, território muito pouco documentado, chamado Guiana Brasileira.

O paradeiro de Amundsen

Ainda não há notícias do explorador Amundsen. Informações procedentes da Groenlândia dizem reinar tempo claro, com a temperatura de 16º acima de 0 Fahrenheit. Até às 17 horas de hoje, não se tinham recebido notícias. O governo não está preparando expedição alguma para ir em auxílio daquele explorador.”

“Chegou a esta capital o explorador Fridjof Nansen. Mais tarde, esteve no Departamento da Aeronáutica, onde conferenciou com o comandante Eckner e outros peritos aeronáuticos sobre a possibilidade de uma expedição ao Polo Norte com dirigíveis.”

“O aviador Algarsson decidiu abandonar o raid que projetara, a fim de procurar o explorador norueguês Amundsen, de cuja expedição ao Polo Norte não há notícias.”

“A Associação Aeronáutica da Noruega acredita não existirem razões para supor-se que Amundsen se tenha perdido. Assinala que as instruções aos membros da expedição, a bordo dos navios Formy e Hobby, foram de que o voo ao Polo Norte duraria 15 dias. Amundsen também deu instruções para que os navios patrulhassem os costados de gelo, caso ele não regressasse dentro dos 15 dias. Com o fim de tornar mais eficiente essa patrulha, aquela associação pediu ao Ministério da Defesa para pôr elementos à sua disposição indefinidamente, além de ordenar que vários aeroplanos navais auxiliem a patrulha.”

Horário de inverno

“Uma comissão de comerciantes da rua dos Andradas anda percorrendo as casas dos seus colegas da mesma rua a fim de celebrarem um acordo para fecharem as suas portas, no inverno, às 18 horas. Várias firmas, consultadas, já se manifestaram favoráveis ao horário de inverno.”

O dia 30 de maio na história

  • 1431 A camponesa francesa Joana D’Arc, líder militar durante a Guerra dos Cem Anos, é queimada na fogueira em Rouen após ser condenada por um tribunal dominado pelos ingleses.
  • 1778 Morre em Paris o filósofo francês Voltaire.
  • 1814 Nasce em Pryamukhino o revolucionário russo Mikhail Bakunin, ideólogo anarquista.
  • 1843 O imperador do Brasil Pedro II se casa, aos 16 anos, com Teresa Cristina de Bourbon por procuração; o casal vem a se conhecer 3 meses depois.
  • 1913 O Tratado de Londres é assinado, encerrando a Primeira Guerra dos Bálcãs; a Albânia se torna uma nação independente do Império Otomano.
  • 1943 Josef Mengele se torna o chefe médico do centro cigano do campo de concentração de Auschwitz.
  • 1960 Morre em Peredelkino o escritor, poeta, tradutor e compositor russo e soviético Bóris Pasternak, autor de “Doutor Jivago”, prêmio Nobel de Literatura em 1958.
  • 1961 O ditador dominicano Rafael Trujillo é assassinado a tiros em Santo Domingo.
  • 1967 A região oriental da Nigéria declara independência como República de Biafra, desencadeando uma guerra civil.
  • 1968 Após o retorno do presidente De Gaulle à França, cerca de 800 mil pessoas protestam na Champs-Élysées exigindo a sua renúncia; o presidente anuncia eleições para 23 de junho.
  • 1972 Membros da organização de esquerda Exército Vermelho Japonês matam 24 pessoas no aeroporto de Lod.
  • 1975 Criada a Agência Espacial Europeia.
  • 1980 Nasce em Whiston o ex-jogador e treinador inglês Steven Gerrard, ícone do Liverpool F.C.
  • 1993 Morre no Alabama o músico, compositor e poeta americano Sun Ra, expoente da música jazz e experimental.
  • 1996 Nasce em São Paulo a tenista Beatriz Haddad Maia, a primeira brasileira a integrar o Top 10 da WTA.
  • 2012 O ex-presidente da Libéria Charles Taylor é condenado a 50 anos de prisão por atrocidades cometidas durante a guerra civil de Serra Leoa 1991-2002)
  • 2013 A Nigéria aprova lei banindo uniões homossexuais.
  • 2024 Donald Trump é condenado por falsificar registros comerciais, a primeira vez em que um presidente americano é julgado culpado em um caso criminal.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

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