Há um Século no CP

Vulcão Tokachi causa mortes e destruição na ilha de Hokkaido

Da edição de 28 de maio de 1926, sexta-feira, n. 124

A erupção de 24 de maio de 1926 foi um dos maiores desastres vulcânicos da história japonesa
A erupção de 24 de maio de 1926 foi um dos maiores desastres vulcânicos da história japonesa Foto : CP Memória

“As últimas notícias oficiais dizem que, em Hokkaido, foram encontrados cinco cadáveres, além de vinte pessoas gravemente feridas e duzentas com ferimentos mais ou menos graves. Teme-se que o total dos mortos seja de muitas centenas. Cessaram agora as erupções. A Cruz Vermelha e os militares estão procurando normalizar a situação.”

“O correspondente do "Daily Express" [diário britânico] em Tóquio informa que o vulcão do monte Tokachi, perto de Hokkaido, ao norte do Japão, já a longo tempo em inatividade, repentinamente entrou em erupção de tal modo que muitas pessoas ficaram sepultadas sob as lavas. Hokkaido é uma cidade de cura. Muitas casas estão destruídas e o número de mortos é ainda desconhecido, estando os bombeiros nos trabalhos de pesquisas. O distrito em ruínas estava apinhadíssimo no momento da catástrofe por ser dia santo.”

O Monte Tokachi fica no centro da ilha de Hokkaido, no norte do Japão. A erupção de 24 de maio de 1926 teve como principal fator destrutivo o derretimento da neve do topo do vulcão pelo calor do magma, produzindo imensos deslizamentos de lama (lahares) que ocupou a área do vale Hurano (foram cobertos 20 quilômetros em cerca de 26 minutos). O número de vítimas nunca pode ser confirmado e varia entre 144 e 2 mil. Mais de 5 mil casas foram atingidas. Foi um dos principais eventos vulcânicos do século XX. Além da tragédia de 1926, o Tokachi provocou destruição e morte também em 1962.

_

Vaias antifascistas

“A imprensa continua a tratar do espetáculo do poeta futurista Marinetti no Casino Antártico [em São Paulo], onde não pode ele realizar sua anunciada conferência na noite de anteontem devido ao público não haver isso permitido, pois o vaiava constantemente. Alguns jornais procuram atribuir a algazarra a outros fatos; aos estudantes paulistas, entretanto, parece injusta tal responsabilidade, exclusivamente atirada às suas costas. Todos os cursos superiores, na verdade, movimentaram-se com a chegada do príncipe do futurismo, preparando-lhe uma recepção galhofa, própria da mocidade estudiosa, em referência ao homem que vem agitando uma questão, que tem sofrido forte campanha de hostilidade, como aconteceu no Rio de Janeiro. Os cursos superiores em questão possuem cerca de 800 estudantes ao todo, visto serem os mesmos reduzidos, tendo deixado de ir ao teatro aproximadamente uma terça parte deles, ficando outra terça parte fora, sem poder conseguir entradas. Por conseguinte, no teatro havia no máximo 250 estudantes. Ora, o Casino estava repleto e continha mais de 2 mil pessoas, cuja maioria ou quase totalidade vaiou o escritor futurista. Logo é impossível serem apenas os estudantes os autores dos fatos ocorridos, sendo errada tal interpretação. Os próprios acadêmicos são os primeiros a dizer em todas as rodas que os seus desejos eram ouvir o conferencista, a fim de poderem levar adiante suas troças, porém, diferente daquela verificada, pois até as quadrinhas que tinham preparadas para cantar não cantaram, devido ao barulho infernal que houve, privando-os de executar o programa organizado. O que parece que houve foi uma repulsa promovida pelos antifascistas residentes em S. Paulo, pois é sabido ser Marinetti adepto e defensor das ideias do sr. Mussolini. Esta é a verdade em todas as camadas, mormente nos meios acadêmicos, onde reina indignação pela má interpretação de sua atitude. É grande a censura atirada contra os defensores de Marinetti, os quais culpam a mocidade estudiosa, talvez vendo inconveniência em revelar a causa exata da vaia, que reside no fascismo. É essa a opinião geral.”

_

Pedestres

“Impressionado, ao que dizem de Washington, com o número avultado de acidentes de automóveis, o ministro do Comércio dos Estados Unidos, sr. Hoover, convocou uma conferência, que já deve ter-se reunido em Washington, dos representantes de todos os Estados, a fim de assentar nas medidas necessárias para garantia dos pedestres. Segundo os algarismos submetidos à consideração da Conferência pelo Ministério do Comércio, o número de acidentes de automóveis em 1925 elevou-se a 16.000, ou sejam mil mais que no ano anterior. Em 79 cidades somente, foram mortas 6.370 pessoas pelos automóveis. Os governadores dos Estados foram convidados a mandar representantes à conferência. Também estarão representados os departamentos federais, estaduais e municipais, as diretorias das estradas de ferro, dos bondes, das companhias de seguros, os fabricantes e negociantes de automóveis, as sociedades do trabalho, as organizações comerciais e industriais, os clubes de automóveis, engenheiros, educadores e outras instituições sociais. Seis comissões nomeadas pelo sr. Hoover ficaram de apresentar relatórios depois de estudarem as condições do tráfego em várias partes do país durante três meses. A comissão de estatística, segundo consta, demonstrará que o número de acidentes nas ruas e nas estradas tem diminuído, mas que a proporção das desgraças pessoais aumentou consideravelmente.”

. . . . . . . . . . . . . . .

O dia 28 de maio na história

  • 1871 A Comuna de Paris cai após pouco mais de dois meses; o exército francês retoma o controle da capital.
  • 1908 Nasce em Londres o escritor Ian Fleming, criador do personagem James Bond, o agente secreto 007.
  • 1926 Golpe de Estado encerra a Primeira República Portuguesa, inaugurando a Ditadura Nacional.
  • 1929 A Warner lança “On with the Show!” o primeiro longa-metragem falado e totalmente em cores.
  • 1934 Em Ontario, Canadá, nascem os quíntuplos Dionne, os primeiros a sobreviver até a idade adulta.
  • 1940 A Bélgica se rende à Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
  • 1948 Daniel François Malan, do National Party, é eleito primeiro-ministro da África do Sul; irá implantar o apartheid, regime de segregação racial.
  • 1961 O artigo “Os Prisioneiros Esquecidos”, do ativista britânico Peter Benenson, é publicado em diversos jornais, o que é considerado como a fundação da organização Anistia Internacional.
  • 1964 A Organização para a Libertação da Palestina é fundada, com Yasser Arafat como primeiro líder.
  • 1975 O Tratado de Lagos é assinado por 15 países, fundando a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental.
  • 1979 O primeiro-ministro grego, Konstantinos Karamanlis, assina o tratado para a adesão da Grécia à Comunidade Econômica Europeia.
  • 1987 O piloto da Alemanha Ocidental Mathias Rust invade o espaço aéreo soviético, pousando sem autorização na Praça Vermelha de Moscou.
  • 1991 Termina a Guerra Civil da Etiópia com a abolição do regime militar (Derg).
  • 1998 O Paquistão conduz os testes nucleares de Chagai-I em resposta a testes realizados pela Índia, sofrendo sanções econômicas.
  • 1999 “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci, é exibida novamente em Milão após 22 anos de trabalhos de restauração.
  • 2002 A última viga de aço do World Trade Center é removida do local do atentado de 11 de Setembro; os trabalhos de limpeza são oficialmente encerrados.
  • 2008 A primeira sessão da Assembleia Constituinte do Nepal declara formalmente o país uma república, encerrando 240 anos de reinado da dinastia Shah.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios

Mais Lidas