Hiltor Mombach

É gol....É gooool da Alemanha!

Algumas tragédias primeiro agridem, machucam, para depois serem transformadas em piadas, em humor.
A galhofa sobre as tragédias alheias diverte; aquelas que nos atingem como uma bofetada funcionam como uma espécie de catarse.
O Felipazo acionou uma usina de chistes.
Ninguém espera que a pilhéria siga algum padrão moral ou ético, ela tã-somente registra um momento, mesmo que de forma agressiva, perversa.
Um chiste nos dá a dimensão do abalo sísmico de magnitude ainda desconhecida na escala Richter que sacundiu o Mineirão na terça-feira e fez tremer todo o Brasil:
“O único que pode fazer a gente esquecer este 7 a 1 é um alemão: Alzheimer”. O Felipazo reduziu a pó todos nossos traumas futebolísticos, elevando-se único e soberano.
Trocamos todos os divãs por apenas um, o Felipazo.
Em míseros 90min o Felipazo esmagou um Maracanazo que varria 64 anos, destronou o expatriado Lazaroni, há 24 anos o maior vilão da história verde-amarela e fez o país esquecer Dunga.
O Felipazo é a soma de todos nossos traumas.
Debruçado sobre sua maior tragédia, o brasileiro não demorou para trocar o histerismo pela auto-gozação:
”Tô com medo de abrir a geladeira e ter um gol da Alemanha lá dentro...”
”Páscoa de 2015,. a criançada procurando ovo de Páscoa e achando... gol da Alemanha!”
”No Discovery está dando um programa sobre a segunda guerra. Lá a Alemanha perde...”
”Ainda bem que eu sou gaúcho porque se eu fosse brasileiro estaria muito envergonhado!”
O humor tem a prodigiosa eficácia do remédio.
O humor é a ferida cicatrizando, formando casca.
O primeiro riso é tímido, amarelo, riso de estropiado.
Depois, descobre-se que de nada adianta esganiçar, berrar.
A vida segue.
Apesar do Felipazo, do inferno para onde Felipão nos mandou.
É gol....É gooool da Alemanha!