Vai muito tempo escrevi aqui mesmo, no Correio o que segue.
“Vou recontar uma história, mudando algumas coisas, poucas.
Nestes 40 anos de Correio, produzi milhares de manchetes.
Uma, Fábio Koff guardou sobre a sua mesa, o da conquista da Copa do Brasil de 1994: “Grêmio manda no país do tetra”.
Fernando Carvalho até hoje lembra do título “o Beira-Rio vai rugir”.
No tempo do Correião, do jornal standard, em oito colunas, os títulos eram feitos em laudas numa máquina de escrever Remington. A manchete quase sempre tinha 23 toques, ou 23 letras.
A letra “m” valia por duas e dois “is” por uma.
Não havia computador e os diagramadores usavam um espelho (página) para desenhar a página usando lápis 6B, calculadora, régua de paica…
Mesmo tendo como mestre o inesquecível Anibal Bendati, não aprendi a diagramar.
Minha facilidade se dava com as manchetes.
Era algo tão mecânico que dificilmente eu não acertava na primeira tentativa.
Era véspera de estreia do Brasil na Copa e eu pedi ao diagramador uma manchete com corpo garrafal, o maior permitido.
O diagramador não perdeu a oportunidade e me colocou numa sinuca de bico.
“Manchete com cinco letras”, desafiou.
Respondi prontamente:
“É hoje!”
Para os gremistas basta tão-somente que se diga “é hoje!”
Não há um que não saiba o que está sendo tratado.
Um título, neste caso, vale mais do que mil palavras.
É hoje!
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No dia 30 de agosto de 1995 eu estava em Medellín, na Colômbia, para onde havia levado uma máquina de escrever Remington portátil e muitas laudas.
Ao final da tarde estava pronto para me deslocar até Atanasio Girardot.
Para chegar ao estádio tive que caminhar ao lado da torcida do Nacional, entusiasmada, mas pacífica.
Ao final de 90min relatei o empate e o bicampeonato da Libertadores.
O empate veio aos 40min do segundo tempo com Dinho, o símbolo da raça do time gaúcho, marcado de pênalti. No jogo do Olímpico o Grêmio havia aplicado 3 a 1.
