Hiltor Mombach

É preciso mais do que futebol para vestir a Canarinho; é preciso ter vergonha na cara

Levamos um chocolate de uma seleção entrosada, com ótimos jogadores, apoiada por mais de 80 mil pessoas, mas não galáctica.

Levamos um chocolate de uma seleção entrosada, com ótimos jogadores, apoiada por mais de 80 mil pessoas, mas não galáctica
Levamos um chocolate de uma seleção entrosada, com ótimos jogadores, apoiada por mais de 80 mil pessoas, mas não galáctica Foto : Luis ROBAYO / AFP / CP

A Argentina enfiou 4 a 1 no Brasil.
Um passeio.
Levamos um vareio da campeã do mundo de 2022, uma seleção que na estreia da Copa perdeu para a Arábia Saudita pela fase de grupos, nas oitavas passou raspando com um 2 a 1 sobre o incipiente futebol australiano, nas quartas precisou dos pênaltis para superar a Holanda e, na final, bateu a França também nos pênaltis depois de um 3 a 3 na soma de tempo normal e prorrogação.

Levamos um chocolate de uma seleção entrosada, com ótimos jogadores, apoiada por mais de 80 mil pessoas, mas não galáctica.
O Brasil de 70 era galáctico.

Ganhar uma Copa do Mundo não é fácil.
Sem perder um jogo?
Quase impossível. E com 100% de aproveitamento?
A Seleção Brasileira de 2002 é a única da história a conquistar o torneio mais importante do planeta com sete vitórias em sete jogos.

Passamos vergonha também pela qualidade do rival, é verdade, porém muitíssimo mais pela fragrante decadência que invadiu nosso futebol via a entidade que o comanda, a funesta CBF.

Vemos jogadores descompromissados, focados na própria imagem, onde sobre as cabeças desfilam majestosas melenas e os pés repousam em chuteiras multicoloridas. O gramado surge como uma imensa passarela verde onde eles desfilam transformados em manequins.

O abismo que separa a Argentina do Brasil está escancarado nos craques de cada Seleção.
Eles tem Messi, nós temos Neymar.
Os dois não jogaram na terça-feira.
Um, Messi, teria feito a diferença e talvez a Argentina tivesse aplicado 7 a 1. O outro, Neymar, seria apenas mais um.

É preciso mais do que futebol para vestir a Canarinho. É preciso ter vergonha na cara.

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