A Argentina enfiou 4 a 1 no Brasil.
Um passeio.
Levamos um vareio da campeã do mundo de 2022, uma seleção que na estreia da Copa perdeu para a Arábia Saudita pela fase de grupos, nas oitavas passou raspando com um 2 a 1 sobre o incipiente futebol australiano, nas quartas precisou dos pênaltis para superar a Holanda e, na final, bateu a França também nos pênaltis depois de um 3 a 3 na soma de tempo normal e prorrogação.
Levamos um chocolate de uma seleção entrosada, com ótimos jogadores, apoiada por mais de 80 mil pessoas, mas não galáctica.
O Brasil de 70 era galáctico.
Ganhar uma Copa do Mundo não é fácil.
Sem perder um jogo?
Quase impossível. E com 100% de aproveitamento?
A Seleção Brasileira de 2002 é a única da história a conquistar o torneio mais importante do planeta com sete vitórias em sete jogos.
Passamos vergonha também pela qualidade do rival, é verdade, porém muitíssimo mais pela fragrante decadência que invadiu nosso futebol via a entidade que o comanda, a funesta CBF.
Vemos jogadores descompromissados, focados na própria imagem, onde sobre as cabeças desfilam majestosas melenas e os pés repousam em chuteiras multicoloridas. O gramado surge como uma imensa passarela verde onde eles desfilam transformados em manequins.
O abismo que separa a Argentina do Brasil está escancarado nos craques de cada Seleção.
Eles tem Messi, nós temos Neymar.
Os dois não jogaram na terça-feira.
Um, Messi, teria feito a diferença e talvez a Argentina tivesse aplicado 7 a 1. O outro, Neymar, seria apenas mais um.
É preciso mais do que futebol para vestir a Canarinho. É preciso ter vergonha na cara.
