Hiltor Mombach

É preciso repensar e valorizar os estaduais

Acabar com os estaduais está longe de ser solução

Vai algum tempo escrevi o seguinte: “Os campeonatos estaduais não servem de parâmetro para nada. Não há parâmetro nem entre os estaduais.
Impossível comparar o Paulistão com o Roraimense, por exemplo. Resistem pela maléfica cumplicidade entre uma CBF decadente que precisa dos votos das federações, quase todos a cabresto. E por clubes acomodados e incapazes até de criar e manter uma Liga.
É forçar demasiadamente a barra pretender que campeões regionais façam boas campanhas em outros campeonatos porque são campeões regionais. Os ruralitos nem servem como aperitivo.”
Depois, acrescentei: “Há muito tempo rotulei o regional de Caravana da Miséria. Nada contra os clubes, tudo contra muitas coisas.
Em 2018, quatro clubes tiveram média inferior a 500 pagantes, com muitas bilheterias deficitárias.
O futebol mudou. Inter e Grêmio não são mais trens pagadores, não lotam mais estádios do Interior.
Há outros atrativos concorrendo com o futebol, um deles o próprio futebol, aquele televisionado. Os estádios continuam ruins, assim como as acomodações sem conforto, e os preços são salgados para espetáculos de qualidade duvidosa.
Por seu turno, Grêmio e Inter levam equipes reservas, quando não formadas por garotos da transição.”
Não farei aqui um mea-culpa. Registrarei o outro lado da moeda. O primeiro mata das finais dos principais estaduais arrastaram multidões, com exceção do Rio.
São Paulo x Corinthians jogaram diante de 58.713 pagantes e o jogo teve renda de R$ 6,3 milhões; Inter x Grêmio, 40.567 pagantes e R$ 2,3 milhões; Cruzeiro x Atlético Mineiro, 44.650 pagantes e R$ 1,9 milhões e Vasco da Gama x Flamengo, 10.854 pagantes e R$ 521.920 (prejuízo de R$ 333 mil).
Acabar com os estaduais está longe de ser solução. Trata-se de um patrimônio a ser preservado. É preciso repensar os campeonatos domésticos. Como tornar atraentes as demais fases, além dos matas decisivos? Futebol é sinônimo de dinheiro. O Interior, pelo menos por aqui, passa o pires. A TV paga R$ 13 milhões para o Inter e a mesma quantia para o Grêmio. Cada time interiorano ganha cerca de R$ 1 milhão.
Mas os regionais jamais serão valorizados sem pressão. A Copa do Brasil aumentou consideravelmente sua premiação (o campeão recebe R$ 50 milhões) por pressão dos clubes. A Libertadores também está pagando mais. O Brasileiro terá que rever a sua premiação para não ficar para trás, mas aqui jorra dinheiro da TV, a bilheteria é boa e há o dinheiro do pay per view.
Desvalorizado por muitos, inclusive por este colunista, rebaixado a cafezinho, o Gauchão mostrou nos Gre-Nais decisivos a sua tremenda pujança. Porém, Gre-Nal arrasta público até às brincas e não é parâmetro. É preciso tornar os regionais atraentes desde a fase classificatória. Como? A bola está com os dirigentes de clubes e de federações. Os estaduais precisam ser repensados.