Hiltor Mombach

Estou assistindo um canal fechado de TV na quinta-feira quando entra um repórter entrevistando ao vivo o vice-presidente de futebol do clube paulista, Ataíde Gil Guerreiro.
O dirigente despejou sua ira contra a marcação da primeira semifinal da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, para o dia 12.
O berro atingiu seu objetivo: a CBF remarcou a data para 19.
Gil escancarou aquilo que todos sabem, mas poucos têm peito para dizer:
“Nós estamos abandonados há muito tempo.
Mas não é abandonado pela CBF, nós, clubes, é que temos que mandar no futebol, mas nós nos submetemos a televisão, nós nos submetemos as federações, os clubes não mandam absolutamente em nada.
Enquanto nós não nos reunirmos e mandarmos no futebol, nós somos obrigados a isso, a ficar pedindo favor, dizendo olha, estou sendo abandonado pela CBF, que a CBF fique no canto dela, se nós mandássemos no futebol, nada disso aconteceria.”
Um dos integrantes disse em tom de critica que a TV precisava de um jogo de um time paulista na quarta-feira.
Na quarta-feira teremos o primeiro jogo da final da Copa do Brasil entre os mineiros.
O que parecia ser o apresentador retrucou dizendo mais ou menos o seguinte:
“Mas quem paga (a TV) tem o direito de exigir”.
Estamos vivendo uma aberração.
Os protagonistas, os clubes, estão a reboque da TV, CBF e federações.
Como se conseguiu tornar as instituições reféns?
Fechando o Clube dos 13.
Está tudo errado.
É como o capim comer a vaca e o poste mijar no cachorro.
A televisão deveria ser coadjuvante, atendendo os clubes, e não o contrário.
Mas, e há sempre um mas em tudo, incompetentes para alavancarem recursos junto aos seus torcedores, os clubes entregaram os dedos e os anéis para a TV.
Como diz o Perondi, esta é que a verdade, esta é que é a realidade.