80 ANOS DO GUERREIRO
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Paulo Moura completou 80 anos no domingo.
Tem 50 anos de Correio do Povo.
Segue trabalhando.
"Paulo Moura mal chega à redação do Correio do Povo, onde exerce a função de subeditor de esportes, e começam as solicitações. “Moura, qual destas fotos devemos usar?”, pergunta um dos fotógrafos. Não demora muito e outro pedido para edição de texto aparece. O nome Moura ecoa pela redação e ele segue de um lado ao outro para auxiliar no fechamento da edição. O jornalista interrompe a tarefa para conceder entrevista, mas os olhos não saem do relógio. “Está bom assim? Preciso voltar para a redação”, diz preocupado com o fechamento.
Tamanha dedicação ao trabalho lhe rendeu a fama de ‘lenda viva da editoria de esportes’, entre os colegas. Hiltor Mombach, chefe da editoria de esportes do CP, é um de seus admiradores. “O Moura deveria ser levado para as faculdades de jornalismo como exemplo de profissional. Ele é um ícone da imprensa gaúcha.”
O primeiro contato de Moura com o jornalismo foi em 1961, quando foi indicado pelo Irmão Nelson, que era repórter do grupo Caldas Júnior de Comunicação, para trabalhar na extinta Folha da Tarde Esportiva, um dos jornais do grupo. Hoje é o funcionário mais antigo da redação do Correio do Povo. Aos 79 anos, acumula quase 50 de exercício da profissão. Sua vontade de parar é contrariada pelos colegas. “Quero ir embora mas não deixam. O que, de certa forma, me deixa feliz porque mostra o reconhecimento que têm pelo meu trabalho.”
Jornalista por experiência adquirida, Moura nunca frequentou os bancos acadêmicos. “Diploma não quer dizer que o cara seja competente. Sou jornalista por experiência. Sempre busquei ler muito e estar atualizado. Acho que é isso que realmente importa”, diz. O tempo mostrou que Moura acertou seu caminho profissional. Entre outros reconhecimentos, ele recebeu o Prêmio ARI de Jornalismo, pela reportagem Um homem atirado às Feras, sobre a vida de Mário Severo, árbitro de futebol, na década de 60. “Ele é o jornalista mais apaixonado por esportes e pelo Correio do Povo que eu conheço. Já recebeu muitos convites para trocar de emprego, mas nunca aceitou”, revela a jornalista Aline Moura, sobrinha de Paulo."
Moura foi enterrado no sábado.
