Hiltor Mombach

A Arena no discurso e na prática

Nesta semana o repórter William Lampert ouviu o presidente Arena Porto-Alegrense, gestora do estádio, Eduardo Peña.
Passaram-se dois anos e meio de uma apressada inauguração que visava massagear o ego de alguns dirigentes.
Do discurso, nada sobrou.
Na prática, as coisas são bem diferentes.
Eduardo Peña contou ao repórter que em 2014 a receita da Arena Porto-Alegrense atingiu R$ 40 milhões e que as despesas ficaram em R$ 30 milhões.
Aqui, um problema.
De William Lampert:
“O financiamento do BNDES é bem superior a estes R$ 10 milhões. Neste ano, a conta a ser paga para Banrisul, Banco do Brasil e Santander é de R$ 45 milhões”.
Eduardo Peña: “Não fosse a dívida, teria um superávit entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões”.
Na véspera da inauguração, em 7 de dezembro de 2012, o Grêmio projetava faturar pelo menos R$ 100 milhões no primeiro ano de operação de seu novo estádio.
A projeção aconteceu durante uma entrevista coletiva que contou com presidentes do clube na época, Paulo Odone, da Grêmio Empreendimentos, Eduardo Antonini, e o da OAS Arenas, Carlos Eduardo Paes Barreto.
Dos R$ 100 milhões estimados, 40% deveria vir de receita de bilheteria.
O restante de áreas de hospitalidade (30%), patrocínio (20%) e aluguéis (10%) Antonini na época: “Vamos levar três meses para ajustar a operação e otimizar os custos. Um mundo novo começa amanhã.”
Realmente, começou, mas bem diferente daquele sonhado.
Em 2014 a bilheteria deixou R$ 20 milhões.
Metade daquilo que foi projetado.
No total, a Arena fatura apenas 40% do previsto em 2012.
A Arena precisa receber no mínimo 15 mil torcedor por partida para empatar com os custos. que hoje são de cerca de R$ 200 mil.
Mas, e há sempre um mas em tudo, a direção da época da inauguração costuma afirmar que os conselheiros não apenas sabiam o que estava acontecendo como aprovaram.