Hiltor Mombach

A Arena será do Grêmio?

A pergunta é a seguinte: se tudo ficar como está em 2033 a Arena será do Grêmio? Resposta: NÃO.

Arena vai receber a final da Recopa Gaúcha entre Grêmio e São Luiz
Arena vai receber a final da Recopa Gaúcha entre Grêmio e São Luiz Foto : Guilherme Almeida / CP

A Arena foi inaugurada em em 8 de dezembro de 2012.
É administrada pela Arena Porto-Alegrense, a Sociedade de Propósito Específico montada na época da construção do estádio. 
O atual contrato do Grêmio com a OAS prevê 20 anos de exploração comercial pela construtora.
Ou até 2033. 

Em 2012 Koff afirmou que a Arena não era do Grêmio.
Em 2015 este blogueiro informou que a gestão Koff iria comprar a gestão do estádio.
A OAS entrou em recuperação judicial em abril de 2015, na esteira dos desdobramentos da operação Lava Jato.
Percebendo que a OAS não iria realizar as obras do entorno, Koff não aceitou a troca de chaves.
A OAS ficaria com o Olímpico e o Grêmio com a propriedade da Arena.
A pergunta é a seguinte: se tudo ficar como está em 2033 a Arena será do Grêmio?
Resposta: NÃO.

Não houve troca de chaves.
Este colunista e blogueiro, acompanhado pelos companheiros Carlos Corrêa e Ricardo Giusti, esteve em agosto 2017 no elegante apartamento de Koff para uma entrevista de quatro horas, a última concedida por ele.

Perguntamos para Koff onde esbarrava a compra da Arena. Lembrando que foi ele, Koff, o primeiro a tomar a iniciativa de comprar a gestão.

Resposta: 
“A compra da gestão da Arena esbarra em duas coisas. 
Tu não podes comprar a Arena se ela está dada em garantia, ela está penhorada para os bancos credores, há um direito real sobre ela, tá? 
E tu tens que liberar para transferir, tá? 
Eles lá pelas tantas me diziam: ‘Está indo aí o cara vocês assinarem o papel’. 
Não assino até venha isso aí. Nunca veio. 
Não tinha como assumir o risco de fazer negócio com isso aí penhorado. Quando estávamos ultimando o negócio, ia ser uma troca. 
Aí explodiu a Lava Jato e eles (OAS) não tinha dinheiro para mais nada. 
Lembrem de uma coisa que eu vou dizer para vocês. Eu lutei até o fim para colocar uma cláusula para que houvesse contingenciamento de receita para as obras de conservação do estádio. 
O Grêmio não tem. 
O estádio vai sofrer desgaste evidentemente. 
Agora, quem teria que fazer isso é a OAS, mas não vai fazer. 
As obras do entorno, eram dela com a Prefeitura, não vai fazer.
Hoje acho melhor que o Grêmio tivesse ficado no Olímpico. 
Ainda que o Grêmio tivesse o prejuízo de disputar dois anos sem um estádio, como o Inter pagou este preço.”

O livro “Fábio André Koff-Memórias e Confidências”, lançado em março de 2016, ajuda a compreender a complexidade nesta negociação.
"Enquanto isso, a OAS estabilizou um pouco sua situação, mas a complexidade do negócio aumentou: já eram oito organizações envolvidas: Grêmio, OAS, Santander, Banco do Brasil e Banrisul, que são os repassadores; Bradesco, que deu uma carta-fiança para honrar os pagamentos da OAS; BNDES, que repassou o dinheiro desse empréstimo; e Caixa Econômica Federal, que no passado 

Para aumentar a crise, recentemente a Arena foi penhorada pela Justiça de São Paulo. "Sem prejuízo, considerando que a penhora das ações é incompatível com a penhora de seus respectivos frutos e rendimentos, informem os exequentes qual bem pretendem penhorar".

Ou seja, a Justiça deu opção para os bancos escolherem os bens que gostariam de leiloar da Arena Porto-Alegrense. O Grêmio não foi intimado. Este blogueiro tem, a informação de que os advogados estão buscando solução para o clube gaúcho.