Hiltor Mombach

A base do futebol brasileiro começa errada

Seguindo o modelo de seus ídolos, jovens na Copa SP priorizam enganar os árbitros em vez de buscar o gol

Futebol brasileiro conta com muitos bons jogadores de bola, mas nem todos bons jogadores de futebol
Futebol brasileiro conta com muitos bons jogadores de bola, mas nem todos bons jogadores de futebol Foto : JOSé LUIS SILVA/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO

Carlos Corrêa / Interino

Não é preciso assistir a mais do que algum punhado de jogos da Copa São Paulo para perceber que a situação no futebol brasileiro vai demorar um bom bocado para mudar de forma positiva. O Brasil sempre foi um modelo em termos de qualidade de jogadores. Entra ano, sai ano e o país continua produzindo craques. Por que então deixamos de ser protagonistas no cenário mundial e passamos a ser coadjuvantes?

Não há uma só resposta, visto que o tema é complexo. Mas há um aspecto que não precisa ser um Sherlock Holmes para identificar: o modelo. O jogador brasileiro, não na sua maioria, mas longe também de ser minoria, não é sério.

Voltemos à Copa São Paulo. Assista a dois ou três jogos e o amigo leitor vai me entender. O Brasil produz bons jogadores de bola, o que não necessariamente é a mesma coisa que um bom jogador de futebol. O jogador brasileiro sempre foi malandro, mas talvez em algum momento tenhamos virado o fio.

Se um atacante tem a chance do gol ou de cavar um pênalti, as probabilidades no Brasil apontam bem mais para a segunda opção. Nossos árbitros são sim ruins, mas em defesa deles, lidam o tempo todo com atletas que tentam enganá-los a torto e a direito.

Atentem para o lado físico dos nossos atletas. Quando estão empatando ou, principalmente, perdendo, cada jogada é disputada como se fosse a última. Mas basta estar em vantagem para se transformarem em seres humanos feitos de açúcar. Quanto mais perto o fim de um jogo em que você está vencendo, maior será o tempo que seus jogadores vão ficar caídos no chão como se um peso-pesado do boxe ou do UFC os tivesse atingido.

E nesse quesito, ninguém ganha dos goleiros. É um fenômeno do futebol brasileiro: toda defesa que o goleiro faz quando seu time está ganhando é sucedida de uma queda demorada, digna de quem teve uma fratura exposta. É como se a bola tivesse o peso daquela de ferro que o Didi fazia embaixadinha na antiga abertura dos Trapalhões.

Por que tudo isso? Bom, se os ídolos desses jovens fazem isso, por que não repetir o modelo desde cedo?

Mais Lidas