Carlos Corrêa / Interino
Não é preciso assistir a mais do que algum punhado de jogos da Copa São Paulo para perceber que a situação no futebol brasileiro vai demorar um bom bocado para mudar de forma positiva. O Brasil sempre foi um modelo em termos de qualidade de jogadores. Entra ano, sai ano e o país continua produzindo craques. Por que então deixamos de ser protagonistas no cenário mundial e passamos a ser coadjuvantes?
Não há uma só resposta, visto que o tema é complexo. Mas há um aspecto que não precisa ser um Sherlock Holmes para identificar: o modelo. O jogador brasileiro, não na sua maioria, mas longe também de ser minoria, não é sério.
Voltemos à Copa São Paulo. Assista a dois ou três jogos e o amigo leitor vai me entender. O Brasil produz bons jogadores de bola, o que não necessariamente é a mesma coisa que um bom jogador de futebol. O jogador brasileiro sempre foi malandro, mas talvez em algum momento tenhamos virado o fio.
Se um atacante tem a chance do gol ou de cavar um pênalti, as probabilidades no Brasil apontam bem mais para a segunda opção. Nossos árbitros são sim ruins, mas em defesa deles, lidam o tempo todo com atletas que tentam enganá-los a torto e a direito.
Atentem para o lado físico dos nossos atletas. Quando estão empatando ou, principalmente, perdendo, cada jogada é disputada como se fosse a última. Mas basta estar em vantagem para se transformarem em seres humanos feitos de açúcar. Quanto mais perto o fim de um jogo em que você está vencendo, maior será o tempo que seus jogadores vão ficar caídos no chão como se um peso-pesado do boxe ou do UFC os tivesse atingido.
E nesse quesito, ninguém ganha dos goleiros. É um fenômeno do futebol brasileiro: toda defesa que o goleiro faz quando seu time está ganhando é sucedida de uma queda demorada, digna de quem teve uma fratura exposta. É como se a bola tivesse o peso daquela de ferro que o Didi fazia embaixadinha na antiga abertura dos Trapalhões.
Por que tudo isso? Bom, se os ídolos desses jovens fazem isso, por que não repetir o modelo desde cedo?
