Hiltor Mombach

A batalha, a guerra...

Escrevi vai tempo. Recupero o tema e trechos da coluna. 

Estou desenganado. Meu caso é terminal: paranoia crônica. Sofro de várias síndromes: perseguição, pânico, isolamento e  conspiração. A origem da doença? A década de 70. Pela ondas da Rádio Guaíba ouvia os narradores se esgoleando para contar os roubos contra Inter e Grêmio contra o Palmeiras, principalmente.

Depois, na década de 90, quando o Grêmio dava as cartas no futebol brasileiro, a imprensa do centro do país tratou de montar estatísticas na ânsia de provar que o time era o time mais violento do país.

Criou-se um rótulo de que não apenas do Grêmio, mas o futebol gaúcho, era violento. Tal rótulo fica engavetado ou é desprezado quando Corinthians e Flamengo estão na ponta do Brasileiro, mas é rapidamente desengavetado quando a dupla belisca o topo.O tempo passou, trocou o calendário, e rebaixaram Grêmio e Inter para o segundo escalão no quesito cotas da TV. Veio o Brasileiro de 2005 e com ele a síndrome do pânico, um pavor intenso e repentino de que jamais uma equipe gaúcha levantaria uma taça nacional.

O Inter era furtado pela lavanderia Corinthians/MSI, de Kia Joorabchian e do magnata russo Boris Berezovski.Hoje, tenho ataques até quando Inter e Grêmio encaram o Corinthians até em competição de cuspe à distância. Até quanto o árbitro acerta vejo uma conspiração: ele está preparando o terreno para errar ali adiante em um lance capital contra os gaúchos.

Moramos num estado que despenca do Brasil. Falamos para nós mesmos. E isolados, ou talvez por esta bravura indômita dos que se sentem relegados, temos proporcionalmente mais títulos dos que tentam nos subjugar, conquistas de um tempo de altivez e insurreição.

Na quarta-feira, ganhamos uma batalha. Mas a guerra, esta nós sabemos, será decidida nos gabinetes da TV e da CBF. E ali, onde apenas os inimigos decidem, não temos a mínima chance.