Hiltor Mombach

A bolha não vai estourar

Há anos ouço os dirigentes afirmarem que estourou a bolha do futebol.
Sou incrédulo.
Há mais ou menos 17 anos o atacante Paulo Nunes rompia a barreira dos R$ 100 mil por mês no Rio Grande do Sul.
Bem depois disto, Romário romperia a barreira dos R$ 400 mil por mês.
De lá para cá os salários rompem barreiras ano após ano.
Ninguém acredita que irão diminuir.
Nem estacionar.
Portanto, só farão aumentar.
Juntando salário, luvas, direito de imagem e o escambau já há jogador recebendo R$ 1 milhão por mês, R$ 33,3 mil por dia.
O Internacional está atrás de reforços.
Como prioridade, um zagueiro, um volante e um atacante.
Ninguém aceita vestir a camiseta por menos de R$ 500 mil mais as luvas.
A nova direção colorada acredita em Papai Noel e que no começo de 2015 a bolha vai, finalmente, estourar.
Não vai.
Podem acreditar.
Vai estourar a dívida do clube e, quando estourar, o governo federal tapa o furo com algum programa de financiamento a perder de vista.
Curto e grosso: não vai estourar porque o dinheiro não é do presidente, do vice, dos dirigentes, assim como a empresa também não é, e porque o governo não tem a intenção séria de criar mecanismos para controlar esta gastança.
Porque se um clube não pagar uma fortuna por um jogador, outro pagará.
O Flamengo tem um endividamento líquido de R$ 759,4 milhões, o Botafogo de R$ 698,1 milhões, o Vasco da Gama de R$ 518,4 milhões, o Atlético-MG de R$ 438,4 milhões e assim por diante.
As dívidas dos 24 principais clubes de futebol do Brasil atingiram, juntas, R$ 5,682 bilhões em 2013, número 14% acima do apresentado no ano anterior.
No começo de 2013 ouvi de muitos dirigentes que a bolha havia estourado.
Que nada!
Clube de futebol não vê a cor do dinheiro porque gasta muito antes de receber.
Serve para todos os times brasileiras.
Todos.
Do pequeno ao grandão.
Pouco importa que eu ache um atentado estes salários nababescos, que o amigo leitor se escandalize com os valores.
Conheço dirigentes que também se escandalizam.
E que acabam entrando na onda, pois não há como ir contra a maré.
Vai algum tempo, Obino foi contra a maré, rompeu com os empresários.
Deu no que deu com o Grêmio.