Hiltor Mombach

A cabeça de Luxemburgo

O tamanho da cabeça de Luxemburgo é normal, nem é grande, nem é pequena.
Tive um professor com a cabeça grande e que parecia uma coruja.
Meu Deus, como deve ser inteligente, pensava!
Numa cabeçorra cabem mais miolos e com cara de coruja, então!
Não sei quem inventou que a coruja é inteligente, sei que pegou e eu, na minha meninice, eu acreditava.
Volto à cabeça de Luxemburgo.
É normal, mas dali saem coisas geniais.
Quando o assunto é tangenciar, ele é mestre.
Caberia numa fábula de Esopo.
Sua última sacada: a Arena é gelada.
Assim, de repente, já temos um réu em caso de tropeço hoje contra o Santa Fe: o estádio!
Como naquela questão de quem nasceu antes, se o ovo ou a galinha, pergunto: a Arena está gelada por causa do time ou o time está gelado por causa da Arena?
Pergunto e respondo com outra pergunta: um time que perde para o Huachipato, empata contra um Fluminense desfalcado,  desaba diante de um Cruzeiro de Cachoeirinha lutando contra o rebaixamento,  vence o Cerâmica com gol contra e  padece para vergar o modesto São Luiz nas penalidades é gelado ou quente?
Falei da última sacada de Luxemburgo quando na verdade era a penúltima.
A última foi ligar de alguma forma o pífio rendimento do time à ausência da Geral na arquibancada.
Aqui, reproduzo trecho de uma coluna de Carlos Josias, ex-integrante do Conselho de Administração do Grêmio:
“Percebi que havia um sentimento da liderança, que o Grêmio não ganharia nada sem ela, Geral, o que é uma fantasia que beira ao ridículo.
Ela não existia na década de 90 quando ganhamos de regionais ao mundial, e por coincidência depois do surgimento dela o Grêmio nada ganhou de importante.”
A torcida do Grêmio é uma das mais quentes, entusiasmadas do planeta.
E tem cabeça.
Na cabeça de gremista não passa a ideia de incendiar um time que não corresponde em campo. Assim, sem tangenciar: faça o time jogar, Luxemburgo!