A Cansada Imortalidade
Caro Hiltor Mombach,
Por favor, publique meu texto no seu blog, desde já agradeço sua atenção.
A Cansada Imortalidade
Pois bem, meu caro Hiltor, venho alertar aqui algo que vem acontecendo a todo o momento no Estádio Olímpico, me trazendo lembranças nada boas. Trata-se de uma vulgarização da imortalidade, que já está cansada, "malhada", desgastada de tanto ser utilizada como "tapa buracos", para remendar ou consertar erros gritantes de gestão.
Porque foi embora a bela preparação física da família Paixão, que deixou o Grêmio voando em campo e acabando o brasileirão com todo o plantel inteiro? Porque a diretoria trava uma guerra fria, quedas de braço ocultadas, nos bastidores, puxando o tapete de Renato Portaluppi pelas beiradas?
Ronaldinho e Jonas, o início da incompetência
Bom, tudo começou em dezembro, quando dirigentes do Grêmio que pareciam com tanta gana de assumir o clube, tiraram férias no Uruguai, deixando Assis fazer o que queria com as negociações de Ronaldinho. Esta mesma negociação foi priorizada, se colocando um esquema milionário em ação, e se esquecendo de tudo, inclusive de negociar com o artilheiro do campeonato brasileiro. Jonas saiu do Grêmio magoado, porque teve vaia da torcida? Não! Foi pelo fato de que não conseguiu ser valorizado, nem mesmo sendo o artilheiro do campeonato brasileiro. Quando o irmão e empresário de Jonas foi tratar de renovação no Olímpico, pediram a ele que esperasse, pois a prioridade era acontratação de R10.
O segundo fato foi me relatado por um funcionário da segurança do Grêmio que afirma que Jonas disparou após um treino que para a organizada Geral do Grêmio teria recursos e citou tal valor de uma viagem da torcida ao Uruguai para o jogo contra o Liverpool. Porém, para reajuste de jogadores a direção não teria. Perdemos o melhor jogador do time, o Mestre Jonas.
A contratação de Ronaldinho acabou de forma constrangedora com o episódio do vazamento da informação que teria helicóptero contratado e equipamentos de som no gramado do Olímpico instalados, que foram retirados pelo presidente, após a negativa de Assis quando a vinda de Ronaldo.
Contratações e saídas equivocadas
Lins seria uma contratação com o estilo gestão de Paulo Odone, uma aposta barata. Como em toda aposta, a chance de dar errado é bem maior que acertar. Assim aconteceu. E o pior de tudo. Sabe aquela velha teoria de que jogador ruim não pode ficar no grupo, pois sempre acaba jogando? Pois bem, foi o que ocorreu nos momentos mais importantes do semestre.
Na contratação de Vinicius Pacheco, mais uma vergonha que nós passamos. Novamente tentando contratar um jogador sem fazer contato com o clube que detém seus direitos, o Grêmio quase passou pela humilhação de ter de se desfazer do jogador, após o mesmo ter vestido a camisa tricolor. Se o Flamengo não fosse generoso cedendo o mesmo, Vinicius Pacheco seria obrigado a voltar ao Fla.
Paulão, o grande acerto da zaga do time de Renato em 2010 foi vendido. Para o seu lugar, quem foi contratado? NINGUÉM! Acreditaram no reserva, Rafael Marques, que daria conta do recado. Não deu.
Escudero foi trazido a contragosto de Renato, que não gosta de estrangeiros no plantel. Agora a diretoria anuncia que está buscando 3 estrangeiros? Seria uma manobra para Renato chutar o balde de vez? Fala-se em milhões para trazer estes estrangeiros, que seriam nada além de apostas, nenhum parecendo uma solução, ou seja, mais uma vez, irresponsabilidade com o dinheiro do clube, trazendo jogadores que ninguém tem a mínima convicção e conhecimento de seu bom futebol.
O novo Obino
Depois de empilhar trapalhadas, e incompetência, quando o “sapato aperta”, na falta de uma solução, na falta de atletas disponíveis, se convoca quem? A IMORTALIDADE!
A mesma que já teve que ser invocada contra clubes de menor expressão do interior do estado, algumas vezes com êxito e outras não. Contra o Caxias na taça Piratini e, contra o Internacional, na final da taça Farroupilha, o clube também recorreu à imortalidade. Mas, convenhamos. Quando o clube precisa usar da anormalidade, da imortalidade, para ganhar do Caxias, é que alguma coisa esta errada.
Chegamos ao ponto de acabar a Copa Libertadores da América jogando com um “mistão”, sem o número de jogadores suficiente para integrar o banco de reservas. Renato olhava para o banco e, certamente, sentiu vontade de se fardar. Jogamos no Chile com um time onde quem tinha 23 anos era veterano, de tão inexperiente.
A Imortalidade não pode ser mencionada como solução, ela pode ser uma consequência, de um belo esquema tático, ou de um plantel de alto nível, e de craques que desiquilibram, mas o que fez o mandatário do Tricolor foi fardar a imortalidade e colocar para jogar em campo, ou então fardar a batalha dos aflitos e entrar em campo. Se quisesse relembrar a batalha dos aflitos, então colocasse 6 jogadores e 1 goleiro para jogar contra o Universidad Católica. É por uma série de incompetências como colocar a Imortalidade como solução de toda incompetência, ou de chamar o Boca Juniors de "Caxias com grife", como foi feito na outra gestão, que relembramos episódios da época do Obino, que quando perguntado sobre soluções ou o próximo enfrentamento, desviava o assunto para o site ou o ônibus. Odone é igual, apenas troca os argumentos fajutos para a "Imortalidade", "A Batalha dos Aflitos", ou “Arena”.
E segue desgastada, vulgarizada e explorada ao máximo a "Imortalidade".
CRISTIAN VIANNA GARCIA
Ex-Presidente da Torcida Máfia Tricolor.
Sócio do Grêmio.
