Hiltor Mombach

A carreira de Ronaldinho só a ele pertence

A carreira de Ronaldinho só a ele pertence.


E ao seu irmão e empresário Assis.


Se ele quiser se aposentar, que se aposente.


Deve ter guardado dinheiro suficiente para viver como nababo até o final da vida.


Caso queira continuar, que continue.


Num mundo capitalista, é justo que queira faturar mais alguns.


E sempre há quem pague.


Portanto, problema de quem paga e não de quem recebe.


Ronaldinho jamais será sombra do jogador que assombrou o mundo.


Até os quero-queros de Garibaldi sabem disto.


Ele também sabe.


Pode não encantar mais em gramados brasileiros, mas certamente ainda causará furor em estádios da China, Estados Unidos ou nas Arábias.


Ronaldinho namora a bola deste piá.


Aos 7 anos já garantia manchete em jornal.


Um namoro que dura 28 anos.


Como largar um amor tão longo assim no mais?


Quando Ronaldinho se olhar no espelho dentro de 20, 30 anos, quem ele verá!


Certamente o menino que venceu no Grêmio e desbravou o mundo.


O garoto que conquistou o Barcelona e os inimigos do Barcelona.


Talvez recorde trecho de uma música de Moacir Franco: “ Cadê você, cadê você, você passou / O que era doce, o que não era se acabou / Cadê você, cadê você, você passou No vídeo tape do sonho, a história gravou”.


Gravou no vídeo tape do sonho e da vida.


As imagens do moleque arrebentando com os rivais já estão registradas para a história.


Nelson Rodrigues abre assim uma das suas crônicas:


“O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido...


Mas o ser humano pode, sim, desumanizarse.


Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo.”


Dias atrás um ex-jogador criticou Ronaldinho pela rescisão com o Fluminense.


Percebi um tom de inveja.


Este ex-jogador jamais amarraria as chuteiras de Ronaldinho.


Nem antes, nem nunca.


Este ex-jogador ganha alguns trocados comentando aqui e ali.


Aos 35 anos, Ronaldinho ainda fatura milhões por ano.


Só para entrar em campo, se for necessário.


Sem estrear no Flu, já tinha alevancado mais de 10 mil novos sócios.


Não se briga com um craque.


Craque a gente torce que que jogue até ele ser driblado pelas pernas.


Quero ver Ronaldinho aos 50 anos no Ararigbóia, jogando por simples prazer.


Os amantes do futebol dirão aos filhos ali está uma lenda.


Os hipócritas lembrarão apenas do seu ocaso.


E Ronaldinho, bem, este simplesmente estará com a sua eterna namorada.