Dias atrás escrevi que comoção tem prazo de validade: promete-se muito e cumpre-se pouco ou quase nada.
A comoção só é eterna, imperecível, na família.
A grande figura da Chapecoense é a Chapecoense.
Sua história está cravada em Chapecó.
Ali o silêncio seguirá cruel mesmo em dias de estádio lotado.
O silêncio da alma é eterno.
Os números não pingam como as palavras, são insensíveis, indiferentes, guardam uma distância oceânica da dor lancinante que traspassa os que ficaram.
Mas, e há sempre um mas em tudo, chegará a hora de se fazer a conta do recomeço.
Escrevi que a grande figura da Chapecoense é a Chapecoense e acrescento: a grande figura da Chapecoense é a família Chapecoense.
Mesmo nos momentos da mais fulminante ingenuidade não apostei fichas no reerguimento da Chape via terceiros.
Ao final deste contagiante processo de catarse mundial (ah, como eu já chorei!) caberá à família Chape tocar o barco do futuro.
O seu barco.
“Ergue os seus braços e corre outra vez no gramado / Vai tabelando o seu sonho e lembrando o passado / No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração / Que as jornadas da vida, são bolas de sonho/ Que o craque do tempo chutou....”
Balada nº 7 - Mané Garrincha
Moacyr Franco
Sua ilusão entra em campo no estádio vazio
Uma torcida de sonhos aplaude talvez
O velho atleta recorda as jogadas felizes
Mata a saudade no peito driblando a emoção
Hoje outros craques repetem as suas jogadas
Ainda na rede balança seu último gol
Mas pela vida impedido parou
E para sempre o jogo acabou
Suas pernas cansadas correram pro nada
E o time do tempo ganhou
Cadê você, cadê você, você passou
O que era doce, o que não era se acabou
Cadê você, cadê você, você passou
No vídeo tape do sonho, a história gravou
Ergue os seus braços e corre outra vez no gramado
Vai tabelando o seu sonho e lembrando o passado
No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração
Que as jornadas da vida, são bolas de sonho
Que o craque do tempo chutou
Cadê você, cadê você, você passou
O que era doce, o que não era se acabou
Cadê você, cadê você, você passou
No vídeo tape do sonho, a história gravou
Cadê você, cadê você, você passou
O que era doce, o que não era se acabou
Cadê você, cadê você, você passou
No vídeo tape do sonho, a história gravou
Cadê você, cadê você, você passou
O que era doce, o que não era se acabou
Cadê você, cadê você, você passou
No vídeo tape do sonho, a história gravou
