Hiltor Mombach

A compra da Arena e as obras do entorno

Dias atrás ouvi de influente dirigente do Grêmio de que o clube dificilmente conseguiria comprar a gestão da Arena. Registrei neste espaço.
O otimismo do presidente Romildo Bolzan, que lá atrás dava como quase certa a compra da gestão, com o tempo foi dando lugar ao pessimismo, tantos os entraves. Já era complicado comprar com a OAS saudável. Com a construtora metida até o pescoço na Lava Jato a negociação emperrou definitivamente.
Neste momento a briga do Grêmio é outra: o entorno. Ontem o clube lançou uma nota oficial em seu site.
“Em decorrência da indefinição e da falta de avanço nas negociações para conclusão e efetivação à aquisição da gestão da Arena, neste momento, podendo adiante tomar outra decisão, o Grêmio comunica aos seus sócios e torcedores que, após propor soluções convergentes - até o limite de suas possibilidades - passa a aguardar, a partir desta data (31/03/2017), que os demais operadores e agentes do processo (OAS, Caixa/Karagounis, Santander, Banco do Brasil, Bradesco e Banrisul) assumam suas responsabilidades com vistas ao acordo, incluindo as obras no entorno da Arena.
Tal solução somente será concretizada pela vontade manifesta e coletiva das partes envolvidas no processo.
O Grêmio reitera e ratifica o seu anseio à aquisição da gestão plena de seu estádio, patrimônio de sua imensa torcida, orgulho de uma nação.”
Na semana passada ouvi o desembargador Ricardo Torres Hermann. Atendendo recurso da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Porto Alegre ele proibiu a expedição dos “habite-se” aos imóveis localizados nas torres 3, 4, 5, 6, e 7 do Complexo Imobiliário Liberdade, no entorno da Arena do Grêmio.
Entre os motivosem a “não realização das obras prometidas pelas empresas responsáveis pela construção do Complexo Arena, dentre os quais se destacam os alagamentos em dias de chuva e a falta de saneamento básico, correndo o esgoto a céu aberto...”.
Queria saber de Hermann se a Justiça não tinha meios de obrigar a OAS a realizar as obras do entorno. Ouvi dele que as coisas eram mais complexas do que pareciam e envolviam mais partes, como a Karagounis Participações e Albizia Empreendimentos.
Enquanto a população do bairro padece, a OAS registra orgulhosa em seu site matéria com o título “Arenas com a bola toda”. Sobre a do Grêmio diz que “recebeu certificação internacional de sustentabilidade.”
Para Herrmann “as pessoas que fizeram investimentos no local têm direito a um entorno condizente com esse investimento e minimamente sustentável do ponto de vista do meio ambiente.” Um estádio sustentável com um entorno que continua pedindo socorro.
Melhorias no entorno alavancarão o negócio Arena mas, mais do que isto, darão melhor qualidade de vida aos moradores do bairro Humaitá e cercanias. A prefeitura deveria estar tanto ou mais interessada do que o Grêmio em também pressionar OAS e parceiros.