Hiltor Mombach

A Conmebol e a arte do faz de conta

Enquanto em Luque, na sede da Conmebol, no Paraguai, Grêmio e River faziam suas defesas dos seus pontos de vista no Tribunal Disciplinar da instituição, os jornais da Argentina projetavam a final River x Boca inclusive com um guia da decisão.
Já estavam definindo quanto de público "visitante" para cada confronto.

A Conmebol já havia colocado em seu site as datas da final, não com Boca x a decidir, mas como Boca x River.
Assim como a arbitragem da partida.

Armou-se um circo para a Conmebol dizer aquilo que até os quero-queros de Barão sabiam. 

Certamente o River já conhecia o resultado.
Sabia quando anteciparam o julgamento de sábado para sexta-feira.
Melhor: sabia desde o apito final de Grêmio 1 x 2 River na Arena, em Porto Alegre.

A Conmebol fez de conta de que haveria um julgamento quando os votos já haviam sido dados.

Não faltou, nesta comédia pastelão, uma declaração risível do treinador Marcelo Gallardo:
“Agi por impulso e perdi a razão.”
Desconhecia impulsos que durassem uma partida inteira.

Ora, seu Gallardo!

Quer fazer crer que desafiou as regras sem o consentimento dos seus superiores?
Quer fazer crer que seus superiores não estavam orientados pelos advogados de que burlar a regra, a Conmebol no caso, não teria nenhuma consequência?
A Conmebol levou desde sexta-feira para confirmar River Plate e Boca Juniors na final da Libertadores.
Foi definida multa de US$ 50 mil ao técnico Marcelo Gallardo e suspensão de três partidas como punição por passar instruções a campo e entrar no vestiário enquanto estava suspenso na partida semifinal da competição, na última terça-feira.
Enrolation e Embromation para sugerir que realmente estava decidindo alguma coisa.
Do jornal Olé:
"Y suspendió a Marcelo Gallardo con una sanción mucho más light de lo que se esperaba".
Suspensão leve?
Isto é uma autorização para que no futuro outros treinadores façam o mesmo.