Hiltor Mombach

A Copa consagra o poste

Poste não fiscaliza, joga.
Veste a camiseta.
E como poste não é bobo, veste a camiseta das seleções mais tradicionais.
Poste também quer vaga, seu minuto de fama.
O poste Canarinho pegou aquele chute de Pinilla e nos levou para as penalidades contra o Chile.
Nas penalidades o poste parou um chute de Hulk só para parecer imparcial.
Porque depois ficou ali, parado, feito poste, na sua, para segurar o chute de Jara, nos dando a classificação para as quartas-de-final.
Lembrando que no chute da Jara o poste tratou de rebater a bola bem longe das costas de Júlio César.
Batesse nas costas de Júlio César e seria gol, uma legítima bola nas costas.
Num lance o poste foi mais preciso do que Jô e Fred juntos.
O poste reabilitou Júlio César. Cada um fez duas desfesas espetaculares.
Ontem o poste entrou em campo outra vez.
A Argentina empatava com a Suíça aos 14min do segundo tempo da prorrogação.
O treinador Sabella já desembrulhara suas pañales para o caso de incontinência nas penalidades.
Nas arquibancadas do Itaquerão, as pañales de nada mais serviam: os argentinos já estavam borrados. Pañales (fraldas), é o que a Argentina diz que o Brasil usou contra o Chile.
Aos 14min, Messi pifou Di María que parou o relógio defensivo mais pontual do mundo: 1 a 0.
O poste estava lá, parado, feito poste, na sua, até que nos acréscimos da prorrogação fez surgir toda a sua genialidade de poste.
A bola sobrou com Shaqiri, que cruzou para Dzemaili, livre, cabecear.
O poste foi preciso no rebote: mandou na perna trocada do suíço, que tocou para fora.
Depois de la mano de Dios, el palo de Dios.
Não fosse o poste e los hermanos estaria cantando agora “mi Buenos Aires querido / cuando yo te vuelva a ver / no habrá más penas ni olvido...”