Hiltor Mombach

A Copa da politicagem

Luigi disse que “o objetivo sempre foi sediar a Copa do Mundo”. Não engana, presidente, que o torcedor não gosta. O Inter assinou termo de compromisso para sediar a Copa das Confederações. Queria a Copa das Confederações. Piffero está convicto de que o clube perdeu a competição ao parar a reforma do Beira-Rio, que ele começou. O ex-presidente concedeu entrevista (na íntegra no meu blog www.correiodopovo.com.br), onde diz: “Perdemos porque a construtora Andrade Gutierrez pediu para que o Inter parasse com a reforma e o clube atendeu. Ficamos de joelhos pedindo que a construtora se dignasse a assinar o contrato para reformar o estádio. Nós e o Rio Grande do Sul. Pergunto: será que ela quer mesmo reformar o estádio? Chega de tanta humilhação. Perdemos a Copa das Confederações e, do jeito como as coisas estão andando, vamos perder a Copa do Mundo”. O ex-vice Affatato é enfático: “A construtora quer hipotecar o clube”.

Há outro ingrediente nesta questão. Escrevi vai algum tempo: “Ouvi uma versão que repasso. A presidente Dilma é colorada e teria sugerido em recente reunião em Bruxelas a Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, que gostaria de ver Porto Alegre como uma das sedes da Copa das Confederações. Valcke teria silenciado e dito depois que atenderia ao pedido desde que o contrato entre Inter e Andrade Gutierrez estivesse assinado. Pode ser verdade. Como pode não ser descabida uma outra versão, a de que Teixeira vai tirar a Copa das Confederações de Porto Alegre em retaliação ao descaso como vem sendo tratado pela presidente”.

Vejam o que escreveu Jamil Chade, correspondente do O Estado de S.Paulo em Zurique, ontem: “A Fifa e a CBF vão mandar nesta quinta-feira um recado claro de desagrado à presidente Dilma Rousseff por sua resistência em aprovar a Lei Geral da Copa atendendo às exigências das entidades esportivas. Nesta quinta, em Zurique, a Fifa anuncia o calendário do Mundial de 2014, com o anúncio de todos os jogos, sedes e quantidade de partidas em cada local. Mas, ofuscada pela crise declarada entre a Fifa e o governo, o evento vai escancarar a guerra. Como recado político, a Fifa vai barrar a participação do Beira-Rio em Porto Alegre da Copa das Confederações de 2013. Oficialmente, a entidade vai alegar que o problema é a falta de um contrato para as obras no estádio na capital gaúcha. Mas usará a ocasião para mostrar que pode mesmo punir o governo se o Palácio do Planalto mantiver sua postura de resistência às leis da Fifa”.

Dias atrás ouvi que o Inter seria excluído da Copa das Confederações por não ter enviado para a Fifa o cronograma da reforma. Trata-se de um caso onde o papel seria mais importante do que a obra, pois o Beira-Rio existe. De tudo o que eu ouvi, e posso não ter ouvido tudo, concluo: a política jogou mais alto. Mesmo em reforma a todo vapor, o Beira-Rio perderia a concorrência para uma arena projetada para ser construída em Marte desde os marcianos cumprissem o ritual financeiro, dos “interésses”. Para completar: o Rio pode ficar sem ver a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Que país é este que permite tal disparate da bandida Fifa?