Hiltor Mombach

A Copa passou por aqui

A Copa do Mundo não queria deixar Porto Alegre, o Beira-Rio, os gaúchos, sem agradecer.
Que agradecimento!
O melhor jogo até aqui passou por aqui.
Nunca em toda a história um empate sem gol deixou tantos de cabelo em pé, arrepiados por um acontecimento que cabia num 3 a 3 ou 4 a 4.
Neuer, pela Alemanha, e M’Bolhi, pela Argélia, foram dois gigantes no gol.
Se pegaram tudo nos 90min é porque a Copa relutava em se despedir.
Havia um gostinho de quero mais.
E veio mais, num temporal de emoções poucas vezes visto.
Logo a 1 min da prorrogação Schürrle fez 1 a 0.
E a Argélia retrucou com um contra-ataque.
O segundo gol roçava o gol africano, como era iminente o 1 a 1.
Num Beira-Rio perplexo, incontido de emoção, o choro só dividia espaço com a tensão num estádio ligado em altíssima voltagem.
Quando a batalha chegou aos 14min, Özil fez 2 a 0.
Nem ali a guerra estava decidida.
Abraçada à Copa, a incredulidade também relutava em deixar a cidade: um minutinho, tão-somente 60 segundos depois de Özil ampliar, Djabou descontou.
Os indicativos eram claros: a Copa queria ir para as penalidades custasse o que custasse.Não foi, mas já nos acréscimos de uma prorrogação eletrizante a Argélia ainda pregaria uma peça, rondando o gol alemão, arrancando um oh! como quem arranca um último suspiro, agonizante, para se despedir com glórias dignas de um valente, com lágrimas que a chuva misturou numa derradeira tentativa de borrar a dor da derrota.
Tivesse a mitologia nos emprestado um deus do futebol, este seria Zeus, senhor do Olimpo, que tirou a segunda-feira para transformar jogadores em mitos, uma partida num feito épico.
A Copa que passou por aqui já tem rótulo.
A Copa que passou por aqui será conhecida por todo o sempre como a Copa de Alemanha e Argélia, seguida de uma obrigatória exclamação:
QUE  JOGAÇO!