Hiltor Mombach

A coreografia dos cândidos

Para os desavisados, a avalanche é tão-somente uma inocente coreografia, criação dos cândidos meninos da Geral. Ali temos muitos cândidos, sim, que cegos pela ausência de maus sentimentos ou más intenções não enxergam o que está diante do nariz. A verdade verdadeira é que eles, os ingênuos, servem de escudo para aproveitadores de todas as espécies. 

Recentemente os promotores de Justiça Carlos Paganella, Alexandre Sikinowski Saltz, Ana Marchesan e Annelise Steigleder ajuizaram duas ações relativas à Arena tendo como demandados a construtora, o Município de Porto Alegre e o Grêmio. Trecho: “O Grupo OAS adquiriu a preço baixo uma área contaminada para obter polpudos lucros com atividade de construção civil, colocando à frente das negociações com órgãos e entes públicas, como “cavalo de batalha”, o apelo popular do clube de futebol do Grêmio, e pretende, agora, furtar-se de sua responsabilidade civil objetiva de internalizar os custos de reparação do meio ambiente...”

É contra este “apelo popular do clube de futebol do Grêmio” que Brigada Militar e Ministério Público brigam, contra chantagens emocionais de alguns “torcedores” com ficha corrida e alguns dirigentes que deveriam, agora, ser convidados a explicar tamanha relutância diante de uma coreografia que surge tão perigosa.

No ano passado a direção gremista convocou a torcida para um Alentaço na Arena ainda virada em canteiro de obras, ou seja, mais perigosa. O MP ingressou com medida judicial para que fosse suspenso a primeira avalanche marcada para 14 de outubro. Por coincidência, a eleição entre Odone e Koff ocorreria sete dias depois.

O que disse o Grêmio sobre a ação? Usou o site para a seguinte publicação: “O Grêmio informa que foram adotadas todas as medidas de segurança necessárias à realização do evento e lamenta a postura adotada pelo Ministério Público Estadual, na medida em que, ajuizou uma demanda alegando a existência de risco sem um exame concreto e in loco dos procedimentos que seriam adotados.”

Seguimos traumatizados pela tragédia de Santa Maria, escandalizados com a falta de rigor na fiscalização nas casas noturnas e perplexos diante do jogo de empurra-empurra. Por pouco não tivemos outra tragédia, agora na Arena. Que o MP e a BM façam o que tiver que ser feito. E que as vozes insistentes com esta vil promoção da coreografia da morte sejam convidadas a assinar um documento responsabilizando-se por qualquer incidente ou acidente.