A CRÍTICA
A pobre e infeliz oposição com mágoa
Movimento Grêmio Independente
Por Marcelo Aiquel
Corria o ano de 2010, véspera das eleições para renovação de metade do quadro de conselheiros do Grêmio e, logo adiante, do pleito para escolher o novo Conselho de Administração do clube (presidente e vices), quando surge uma proposta de união de todas as correntes políticas, sob o pomposo e falso nome de “Convergência”.
Esta proposta visava – “para o bem do Grêmio”(sic) – o entendimento de todos e a criação de uma chapa única, de consenso, para o Conselho. Restou tão evidente que se tratava de uma jogada articulada com o fim exclusivo de salvar a pele de muitos que corriam o risco de perderem seus cargos de conselheiros, que o seu mentor e principal ativista veio formar a primeira fila do pelotão de oposição, um dia após os resultados: um que o alijou do Conselho, e o outro que elegeu o grupo rival (G4) para assumir o Grêmio.
O “pai” da ideia de convergência (nome bonito para enganar os menos ilustrados) foi o Evandro Krebs, que publica no seu twitter um comentário recheado de mágoa e recalque (na mais pura definição psicológica) que diz: Democracia, não. Transparência, não. Canetaço, sim. Não consigo entender como o contrato de TV não foi debatido dentro do CD. Até por exigência estatutária. É o FUTURO do clube. Rasgaram de novo o Estatuto do Grêmio. Depois o torcedor BERRA Conselho OMISSO..... ACORDEM! (Fonte: Blog Hiltor Mombach/Correio do Povo)
Confesso que não gostaria de estar respondendo ao Evandro, com quem sempre procurei manter um diálogo respeitoso, mas há atitudes que não podem ser toleradas sob pena de assumirmos a hipocrisia que tanto combatemos, seja na nossa vida privada, seja na política gremista. Então, indignado por assistir alguém que se jacta como diplomata e democrata agir como o pior dos opositores oportunistas – do tipo que ele mesmo adjetivava de “secadores do Grêmio”, quando no poder – vou relembrar alguns fatos para demonstrar quem é que reclama da falta de democracia e transparência, criticando o Conselho de forma sutil, como omisso.
Durante mais de 20 (vinte) anos, até o final de 2010, o Evandro exerceu o cargo de conselheiro do clube, sendo que em muitas ocasiões também participou ativamente de gestões, seja como assessor especial (ou coisa parecida) do Duda Kroeff, ou como membro do departamento de futebol do Flávio Obino, casualmente no ano do rebaixamento.
É de se supor que ele, com este largo tempo convivendo praticamente dentro do clube, devesse – pelo menos – conhecer os dispositivos estatutários e saber que a matéria de negociação dos direitos de TV jamais foi de competência do Conselho Deliberativo (e sim do CA), sendo que, inclusive, tal assunto NUNCA foi levado ao debate perante o CD, desde a criação do Clube dos 13. Nem nas gestões em que ele tinha parte ativa!
Então, procurar insinuar maldosamente que o Estatuto foi rasgado é de uma irresponsabilidade monumental, e tem por intuito claro jogar a torcida contra a administração executiva do nosso clube.
Fala o Evandro em democracia: mas, pergunto eu, ele tem moral para defender democracia no Grêmio, depois de haver elaborado o desastroso documento intitulado de Cartilha de Imprensa, em 2004? Para quem não se recorda, tal “cartilha” visava impor regras discricionárias ao trabalho da imprensa no Estádio Olímpico, com arbitrariedades dignas dos governos de opressão.
Ao longo destes mais de 20 anos atuando como conselheiro, não se tem notícia de uma (sequer) crítica aos contratos firmados pela administração, no uso da sua competência. E, quando teve a oportunidade de analisar negociações especiais, como o “Caso ISL”, não demonstrou a preocupação que hoje, como opositor oportunista e magoado, apresenta.
Ao contrário, não reclamou quando, recentemente, a gestão que fazia parte renovou o contrato com o fornecedor do material desportivo por tempo infinitamente superior ao do seu mandato. Também concordou com a antecipação dos valores que caberiam à futura administração. Silente!
Dois pesos e duas medidas?
Na verdade, só um peso e uma medida, que pode ser avaliada pelo tamanho da mágoa e revolta por ter sido derrotado de maneira estrondosa na campanha em que atuou como o “transparente e democrático” coordenador do G7.
Para ter um mínimo de credibilidade, o Evandro opositor deveria insistir, com o mesmo afinco como tentou se garantir no Conselho através de um “chapão” repugnante, na concretização do seu projeto de “Convergência”, ou seja, na união de todos os gremistas em prol do Grêmio, e não de seus interesses pessoais.
Mas, será que agora, alijado do centro do poder, seria bom para ele que aqueles a quem se opõe de maneira oportunista ficassem mais fortes com tal união?
Ao que parece, não!
E nós que éramos os secadores...
