Hiltor Mombach

"A desigualdade social atinge também o futebol, salários astronômicos..."

"A desigualdade social atinge também o futebol, salários astronômicos..."

O Santos e Neymar

Dijair Brilhantes & Bruno Lima Rocha

O presidente santista Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro também nesta sexta-feira, 20 de agosto de 2010, anunciou a renovação de contrato com o atacante Neymar. O novo termo foi renovado até 2015 com multa rescisória que beira aos 100 milhões de reais. O salário do jogador passará de 160 mil para 500 mil reais (pouco mais de 300%,), uma media galáctica para os soldos brasileiros. Basta comparar com os salários do STF, desembargadores e procuradores no topo da carreira, girando em torno de R$ 30.000,00, já inclusas as gratificações. E, para subverter, a lógica da remuneração, o “menino da Vila” se transforma em produto. Conforme o presidente santista, o salário do jogador será pago por ações de marketing, algo semelhante feito pelo Corinthians com o jogador Ronaldo.

O descolamento de preços e salários, típico de nossa era, se manifesta também nos campos. A desigualdade social atinge também o futebol, salários astronômicos só são pagos a atletas quando estes são assediados por clubes europeus, fora isso, a regra é como dizem os dirigentes, se adaptar aos padrões do clube. O problema também passa pela inversão de prioridades. Se as verbas dos clubes fossem bem administradas, e houvesse um maior investimento nas categorias de base com certeza sairiam muito mais Ronaldinhos, Robinhos, e Neymares, e não estariam os clubes brasileiros com dividas impagáveis.