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Era uma vez uma fadinha que vivia numa cidade onde haviam dois grandes times de futebol. Um dos times se chamava Grêmio e o outro, Internacional. Era uma tarde quente de verão e a fadinha tirava um cochilo sobre uma folha de bananeira no Jardim Botânico quando foi despertada pela discussão de dois meninos. Eles lamentavam a falta de títulos de um campeonato chamado de Brasileiro. Um dos meninos vestia azul. O outro, vermelho. _Tu não ganha um Brasileiro desde os tempos dos Dinossauros, disse o menino de azul. _Olha que fala! E tu não ganha nadica de nada há 15 anos, retrucou o menino de vermelho. A fadinha sacou do seu mini celular e procurou no Google usando as palavras azul e vermelho. Encontrou registros como Grêmio e Inter, Romildo e Piffero e Arena e Beira-Rio. Pelo GPS soube onde ficavam os dois estádios. A fadinha alçou voo e em minutos estava num estádio lindíssimo. O azul contrastava como o verde da grama. Sem avisar, sem bater na porta, entrou numa sala onde se lia numa placa Romildo Bolzan Júnior, presidente. _ Ana, Ana, gritou um Romildo atônito. A secretária do clube correu para ver o que estava acontecendo. _ Ana, Ana, ela marcou entrevista? _ É uma fadinha, Romildo. Não te assusta. _ Uma fadinha! Uma fadinha! _ Vim fazer uma proposta, Romildo. _ Bah. Pode levar meio time. _ Minha proposta é outra. _ Que pena, disse um Romildo decepcionado. Dizendo isto, a fadinha sentou-se no ombro de Romildo e cochichou algo. Feito isto, a fadinha foi ao Beira-Rio. O vermelho contrastava com o verde da grama bem aparada. Um cenário lindo! A fadinha invadiu a sala de Piffero, que assustado chamou pela Andreia. _ O que é isto, Andreia. Só me faltava esta. Depois dos 5 a 0 no clássico Gre-Nal, dos casos de doping, de ter ficado fora da Libertadores de 2016 agora me aparece uma assombração. _ É uma fadinha, Piffero. Uma linda fadinha. A fadinha cochichou algo no ouvido de Piffero e se foi voando, feliz com a vida. Dias depois, Romildo e Bolzan se encontraram para debater a proposta da fadinha. A proposta era a seguinte. Durante 10 anos seguidos Inter e Grêmio teriam vaga garantida na Libertadores. Mas durante estes 10 anos nenhum dos dois times ganharia um Brasileiro. Nem Copa do Brasil. _ Oh, Romildo. Vocês não ganham nada há 15 anos. A proposta da fadinha é ótima disse Piffero. _ Quem falando. Tu já era vivo quando o Inter ganhou o último Brasileiro? Naquele tempo nem havia Internet, celular e TV a cabo retrucou Romildo, visivelmente desgostoso com a provocação. Romildo prosseguiu com a conversa. _ Negócio é o seguinte. Ou aceitamos os dois a proposta da fadinha ou não aceitamos. _ Libertadores nós temos duas e vocês duas e não disputamos todos os anos. Brasileiros nós temos três e vocês dois e acontece desde 1971. Ganhar a Libertadores é mais fácil disse Piffero. _ Aceitamos então perguntou Romildo? _ Se aceitarmos, o que vamos dizer ao torcedor? Temos que dar alguma explicação disse Piffero preocupado com a repercussão. Os dois seguiram caminhando e debatendo a proposta da linda fadinha. Esta é uma adaptação de uma fábula de Omar Selaimen. O final não está claro. Cada um decide o seu. Eu, por exemplo, acho que os dois aceitaram a proposta da fadinha. Poderia apostar que esta fadinha visitou o Olímpico tempos atrás. E o Beira-Rio antes da reforma. Acho que ela fez esta mesma proposta. Prova provada é que nem Grêmio nem Inter conquistaram mais títulos do Brasileiro. O leitor atento retrucará dizendo que, neste caso, a fadinha não cumpriu com a sua palavra, pois Grêmio e Inter não se classificaram para a Libertadores ininterruptamente. Nem fadinhas mais como antigamente se fazem mais. Acreditar em fadinha moderna com mini celular em vez de varinha mágica dá nisto.